Kerygma

A INTERPRETAÇÃO PESSOAL DA BÍBLIA

Posted on: Janeiro 12, 2009


Neemias 8.8; 2 Timóteo 2.15; 2 Timóteo 3.14-17; Hebreus 1.1-4; 2 Pedro 1.20-21

Dois dos grandes legados que recebemos da Reforma Protestante do século XVI, foram o princípio da interpretação pessoal da Bíblia e a sua trdução para a língua do povo. O próprio Lutero colocou em foco essas questões. Quando se apresentou diante da Dieta de Worms (um concílio no qual foi acusado de heresia por causa de seus ensinamentos) ele declarou:

A menos que eu seja convencido pela Escritura, minha consciência continuará cativa da Palavra de Deus – não aceito a autoridade de papas e concílios, porque se têm contraditado. Não posso nem quero retratar-me, porque ir contra a consciência não é certo nem seguro. Que Deus me ajude. Amém“.

A declaração de Lutero, e sua subsequente tradução da Bíblia para sua língua vernácula, tiveram dois efeitos. Primeiro, tirou da Igreja Católica Romana o direito exclusivo de interpretação. O povo não mais ficaria à mercê das doutrinas da igreja, tendo de aceitar as tradições ou ensino eclesiástico como tendo autoridade igual à da Palavra de Deus. Segundo, colocou a interpretação nas mãos do povo. Essa mudança foi mais problemática. Levou aos mesmos excessos sobre os quais a Igreja Romana estava envolvida – interpretações subjetivas do texto que levam ao afastamento da fé cristã histórica.

O subjetivismo tem sido o grande perigo da interpretação pessoal. O princípio da interpretação pessoal não significa que o povo de Deus tenha o direito de interpretar a Bíblia da maneira que bem entende. Juntamente com o “direito” de interpretar as Escrituras vem também a responsabilidade de interpretá-las corretamente. Os crentes têm liberdade de descobrir as verdades das Escrituras, mas não são livres para fabricar suas próprias verdades. São chamados para entender os sólidos princípios de interpretação e evitar os perigos do subjetivismo.

Portanto, buscar um entendimento objetivo das Escrituras de maneira nenhuma reduz a Bíblia a algo frio, abstrato e sem vida. O que estamos fazendo é buscar entender o que a Palavra diz em seu contexto antes de prosseguirmos para a tarefa igualmente necessária de aplicá-la à nossa vida. Uma declaração em particular pode ter numerosas aplicações pessoais possíveis, mas só pode ter um único significado correto. O direito de interpretar a Bíblia leva junto consigo a obrigação de interpretá-la com exatidão. A Bíblia não é um “nariz de cera” que pode ser moldado e assumir a forma desejada pelo intérprete.

Esboço:

  1. A Reforma Protestante deu à Igreja uma tradução da Bíblia na língua comum e a cada crente a responsabilidade de interpretar a Bíblia pessoalmente.
  2. A tradição da igreja, embora seja instrutiva como um guia, não tem autoridade igual à da Bíblia.
  3. A interpretação pessoal não equivale a uma licença para o subjetivismo.
  4. O princípio da interpretação pessoal não equivale a uma licença para o subjetivismo.
  5. O princípio da interpretação pessoal leva consigo a obrigação de buscar a interpretação correta da Bíblia.
  6. Embora cada texto bíblico tenha múltiplas aplicações, ele tem um único significado correto.

publicado por: Pr. Alexandre R. de Souza

Bibliografia: Verdades Essenciais da Fé Cristã de R. C. Sproul/ Editora Cultura Cristã

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