Kerygma

“Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombr de mudança” Tg 1.17

Deus nunca muda. Com ele não existe “sombra de mudança”. Isso sugre que Deus é imaterial e portanto não pode projetar uma sombra e também que não existe nele um “lado sombrio”, num senso figurativo ou moral. Sombras sugerem trevas, e em termos espirituais trevas pressupõem o mal. Desde que não há mal em Deus, também nele não há sinal de trevas. Ele é o Pai das luzes.

Quando Tiago acrescenta que não há “sombra de mudança” em Deus, não é suficiente entender essa afirmação meramente em termos do ser imutável de Deus. Ela refere-se também ao caráter de Deus. Deus não só é totalmente bom, como também é consistentemente bom. Deus não sabe como ser outra coisa senão ser bom.

A bondade está tão intimamente conectada a Deus que até mesmo filósofos pagãos como Platão equipararam a bondade suprema, a bondade mais elevada, ao próprio Deus. A bondade de Deus refere-se tanto ao seu caráter quanto ao seu comportamento. Suas ações procedem e emanam do seu ser. Ele age de acordo com o que ele é. Assim como uma árvore corruptível não pode produzir frutos incorruptíveis, assim também um Deus incorruptível não pode produzir frutos corruptíveis.

A lei de Deus reflete sua bondade. Deus é bom não porque obedece alguma lei cósmica fora dele mesmo, que o julga, ou porque ele define o que é bom e portanto pode agir de forma ilegal e usar sua autoridade para declarar que sua ação foi boa. A bondade de Deus tampouco é arbitrária ou caprichosa. Deus obedece uma lei, mas a lei que ele obedece é a lei do seu próprio caráter. Deus sempre age de acordo com o seu próprio caráter, o qual é eterna, imutável e intrinsecamente bom. Tiago ensina que todo dom perfeito e toda boa dádiva vêm de Deus. Ele não só é o padrão supremo da bondade – ele é a Fonte de toda bondade.

“Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Rm 8.28).

Esse texto sobre a providência divina é tão difícil de compreender quanto é popular. Se Deus é capaz de fazer com que tudo o que nos acontece funcione para o nosso bem, então em última análise tudo o que nos acontece é positivo. Temos de ser cuidadosos aqui e colocar a ênfase na palavra última. No plano terreno, as coisas que nos acontecem podem de fato ser ruins (devemos ter cuidado para não chamar o bem de mal ou o mal de bem). Enfrentamos aflições, miséria, injustiças e muitos outros males. Ainda assim, Deus em sua bondade transcende todas essas coisas e age nelas para o nosso bem. Para o cristão, no final, não existem tragédias. No final, a providência de Deus opera em todos esses males que estão próximos de nós para o nosso benefício.

Martinho Lutero entendeu esse aspecto da boa providência de Deus quando disse: “Se Deus me dissesse para comer o estrume de animais que fica nas ruas, eu não só comeria, como iria saber que aquilo era bom para mim”.

Esboço:

  1. As criaturas têm sombras projetadas pelas trevas do pecado.
  2. Não existe um lado sombrio em Deus.
  3. Deus não está isento de lei.
  4. Deus é lei para si mesmo.

publicado por: Pr. Alexandre R. de Souza

Bibliografia: Verdades Essenciais da Fé Cristã de R. C. Sproul/ Editora Cultura Cristã

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