Kerygma

A ALIANÇA DA GRAÇA DE DEUS

Posted on: Fevereiro 25, 2009

Ora, disse o SENHOR a Abrão: Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai e vai para a terra que te mostrarei; de ti farei uma grande nação, e te abençoarei, e te engrandecerei o nome. Sê tu uma bênção! Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; em ti serão benditas todas as famílias da terra
(Gênesis 12.1-3)

Nas Escrituras são acordos solenes, negociados ou impostos unilateralmente, que ligam as partes umas às outras em relações permanentes, definidas, com promessas específicas, com reivindicações e obrigações de ambos os lados (p. ex., a aliança do casamento, em Ml 2.14).

Quando Deus faz uma aliança com suas criaturas, só ele estabelece as condições, como mostra sua aliança com Noé e seus descendentes (Gn 9.9). Quando Adão e Eva fracassaram em obedecer os termos da aliança das obras (ver Gn 3.6 ), Deus não os destruiu, mas revelou a sua aliança da graça, prometendo-lhes um Salvador (Gn 3.15).

A aliança de Deus descansa sobre sua promessa, como fica claro da sua aliança com Abraão. Ele chamou Abraão para ir à terra que ele lhe daria e prometeu abençoá-lo e a todas as famílias da terra através dele (Gn 12.1-3). Abraão atendeu a chamada de Deus, porque creu na promessa de Deus; foi a sua fé na promessa de Deus que lhe foi creditada como justiça (Gn 15.6; Rm 4.18-22). A aliança de Deus com Israel, no Sinai, está na forma dos tratados de suserania do antigo Oriente Próximo. Estas são alianças impostas unilateralmente por um rei poderoso sobre um rei vassalo e um povo servo.

Ainda que a aliança do Sinai exigisse obediência às leis de Deus, sob a ameaça de maldição, ela era uma continuação da aliança da graça (Êx 3.15; Dt 7.7-8; 9.5-6). Deus deu os mandamentos a um povo que ele já havia redimido e reivindicado como seu (Êx 19.4; 20.2). A graciosa promessa da aliança de Deus foi posteriormente definida por meio de tipos e sombras da lei dada a Moisés. O fracasso dos israelitas em guardar a aliança de Deus mostrou a necessidade de uma nova aliança que assegurasse o poder para obedecer (Jr 31.31-34; 32.38-40; cf. Gn 17.7; Êx 6.7; 29.45-46; Lv 11.44-45; 26.12).

A aliança de Deus com Israel foi uma preparação para a vinda do próprio Deus, na pessoa do seu Filho, para cumprir todas as suas promessas e para dar substância às sombras apresentadas pelos tipos (Is 40.10; Ml 3.1; Jo 1.14; Hb 7-10). Jesus Cristo, o Mediador da nova aliança, ofereceu-se a si mesmo como o verdadeiro e definitivo sacrifício pelo pecado. Ele obedeceu à lei de modo perfeito e, como o segundo Adão (segundo representante da raça humana), ele se tornou o herdeiro – com todos os que pela fé se unem a ele – de todas as bênçãos relativas à aliança, paz e comunhão com Deus na sua criação renovada. Os arranjos temporários do Antigo Testamento para comunicar essas bênçãos tornaram-se obsoletos, quando se concretizou aquilo que eles prefiguravam.

Como a Carta aos Hebreus (caps. 7-10) explica, através de Cristo, Deus inaugurou uma melhor versão da sua úncia e eterna aliança com pecadores (Hb 13.20) – uma aliança melhor com melhores promessas (Hb 8.6), baseada num melhor sacrifício (Hb 9.23) oferecido por um melhor sumo sacerdote num melhor santuário (Hb 7.26-8.6,11,13). Essa melhor aliança garante uma esperança melhor do que aquela explicitada na versão anterior da aliança – glória com Deus numa “pátria superior, isto é, celetial” (Hb 11.16; cf. v. 40).

O cumprimento da velha aliança em Cristo abre a porta da fé aos gentios. A “semente de Abraão” – a comunidade com a qual a aliança foi feita – foi redefinida em Cristo, que é a Semente final e definitiva de Abraão (Gl 3.16). Os gentios e os judeus que se unem a Cristo pela fé tornam-se nele semente de Abraão (Gl 3.26-29), ao passo que ninguém, fora de Cristo, pode estar num relacionamento salvador de aliança com Deus (Rm 9.9-11; 11.13-14).

O objetivo da ação de Deus dentro da aliança é, como sempre foi, a reunião e a santificação do povo da aliança vindo de “todas as nações, tribos, povos e línguas” (Ap 7.9), que um dia habitarão a Nova Jerusalém, numa ordem mundial renovada (Ap 21.1-2). Aqui, o relacionamento da aliança encontrará a sua plena expressão – “Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com eles” (Ap 21.3; cf. Gn 17.7). Deus continua a moldar os eventos do mundo rumo a esse alvo.

A estrutura da aliança abrange toda a economia da graça soberana de Deus. O ministério celestial de Cristo continua a ser o de “Mediador da nova aliança” (Hb 12.24). A salvação é a salvação da aliança; regeneração, justificação, adoração e santificação são misericóridas da aliança; a eleição foi a escolha de Deus dos membros da comundiade da aliança, que é a Igreja. O Batismo e a Ceia do Senhor – que correspondem aos ritos da circuncisão e da Páscoa da antiga aliança e os substituem, são ordenanças da aliança. A lei de Deus é a lei da aliança, e observá-la é a mais verdadeira expressão de gratidão pela graça da aliança e de lealdade ao nosso Deus da aliança. A nossa aliança com Deus, em resposta à sua aliança conosco, deve ser o exercício devocional regular de todos os crentes, tanto em particular como na Mesa do Senhor. Uma compreensão da aliança da graça nos conduz através de todas as maravilhas do amor redentor de Deus e nos ajuda a apreciá-las.
Publicado por: Pr. Alexandre R. de Souza

Bibliografia: Bíblia de Genebra

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