Kerygma

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João 1.1-14; Gálatas 4.4; Filipenses 2.5-11; Hebreus 2.14-18; Hebreus 4.15

Uma das doutrinas mais vitais do Cristianismo histórico é que o Deus Filho tomou uma verdadeira natureza humana. O grande Concílio de Calcedônia, no ano 451 da era cristã, afirmou que Jesus é verdadeiramente homem e verdadeiramente Deus, e que suas duas naturezas são assim unidas, sem mistura, confusão, separação ou divisão, cada natureza retendo seus próprios atributos.

A humanidade real de Jesus tem sido atacada principalmente em dois aspectos. A igreja primitiva teve de lutar contra a heresia do docetismo, a qual ensinava que Jesus não tinha um corpo físico real ou uma verdadeira natureza humana. Essa doutrina argumentava que Jesus apenas “parecia” ter um corpo, mas na realidade ele era um espécie de ser fantasmagórico. Justamente contra isso, João declarou veementemente que aquele que negasse que Jesus realmente se manifestou na carne era do Anticristo.

A outra grande heresia que a Igreja rejeitou foi a heresia do monofisismo, a qual argumentava que Jesus não tinha duas naturezas, mas apenas uma. Essa natureza única não era totalmente divina nem totalmente humana, mas um misto de ambas. Essa natureza era chamada “teantrópica”. A heresia do monofisismo defende uma natureza deificada ou uma natureza divina humanizada.

Formas sutis de monofisismo têm ameaçado a Igreja em todas as gerações. A tendência segue na direção de permitir que a natureza humana seja engolfada pela natureza divina de tal maneira que as limitações reais da humanidade de Jesus são removidas.

Temos de distinguir entre as duas naturezas de Jesus sem separá-las. Quando Jesus demonstrava fome, por exemplo, vemos isso como uma manifestação da natureza humana, não da divina. O que se diz sobre a natureza divina ou da natureza humana pode ser afirmado com relação à pessoa. Na cruz, por exemplo, Cristo, o Deus-homem, morreu. Isso, entretanto, não quer dizer que Deus morreu na cruz. Embora as duas naturezas permanecessem unidas depois da ascensão de Cristo, ainda temos de distinguir as natuarezas, considerando o modo como ele está presente conosco. Entretanto, em sua natureza divina, Cristo nunca está ausente de nós.

A humanidade de Cristo é como a nossa. Ele tornou-se homem “por nossa causa”. Ele entrou em nossa situação para agir como nosso Redentor. Tornou-se nosso substituto, tomando sobre si nossos pecados, a fim de sofrer em nosso lugar. Ele também tornou-se nosso campeão, cumprindo a Lei de Deus em nosso favor.

Na redenção, existe uma dupla mudança. Nossos pecados são atribuídos a Jesus. Sua justiça é atribuída a nós. Ele recebe o castigo merecido pela nossa humanidade imperfeita, enquanto nós recebemos a bênção devida à sua humanidade perfeita. Em sua humanidade, Jesus tinha as mesmas limitações comuns a todos os seres humanos, exceto que ele era sem pecado. Em sua natureza humana, ele não era onisciente. Seu conhecimento, embora fosse acurado e exato, não era infinito. Havia coisas que ele não sabia, como por exemplo, o dia e a hora de sua volta à Terra. É claro que em sua natureza divina ele é onisciente e seu conhecimento é ilimitado.

Como ser humano, Jesus estava restrito pelo tempo e espaço. Como todo ser humano, ele não podia estar em mais de um lugar ao mesmo tempo. Ele suava. Sentia fome. Chorava. Sofria dores. Ele era mortal, capaz de sofrer a morte. Em todos esses aspectos Jesus era como nós.

Esboço:

  1. Jesus tinha uma verdadeira natureza humana que estava perfeitamente unida à sua natureza divina.
  2. O docetismo dizia que Jesus não tinha um corpo físico real.
  3. A heresia do monofisismo envolve a deificação da natureza humana, de modo que a humanidade de Jesus é eclipsada pela sua divindade.
  4. A humanidade de Cristo é a base da sua identificação conosco.
  5. Jesus tomou nossos pecados sobre si e partilha conosco sua justiça.
  6. A natureza humana de Jesus tinha as limitações mormais do ser humano, exceto que ele era sem pecado.

Publicado por: Pr. Alexandre R. de Souza
Bibliografia: Verdades Essenciais da Fé Cristã de R. C. Sproul/ Editora Cultura Cristã

Gênesis 17.12

O batismo de crianças, filhos de crentes (prática às vezes denominada pedobatismo), na convicção de que essa prática está de acordo com a vontade revelada de Deus, tem sido a prática histórica de muitas igrejaS. Contudo, a comunidade batista em todo o mundo – que inclui notáveis pensadores Reformados – discorda dessa prática.

Os batistas insistem em que a filiação a uma igreja local é só para aqueles que publicamente declaram sua fé pessoal. O argumento frequentemente inclui a alegação de que Cristo instituiu o batismo primeiramente como uma profissão pública de fé e de que essa profissão é parte da definição de batismo, resultando disso que o batismo infantil, na verdade, não é realmente batismo. Com base nisso, as igrejas batistas rebatizam as pessoas que professam a fé, mesmo que já tenham sido batizadas na infância, pois, do ponto de vista dos batistas, essas pessoas nunca foram batizadas. A teologia histórica Reformada contesta o ponto de vista de que somente o batismo de crentes adultos é verdadeiro batismo e rejeita a exclusão de filhos de crentes da comunidade visível da fé. Essas diferenças relacionadas com a natureza da Igreja visível constituem o pano de fundo de todas as discussões sobre o batismo infantil.

A prática do batismo infantil não é nem prescrita nem proibida no Novo Testamento, nem é explicitamente ilustrada (ainda que alguns defendam que a referência ao batismo de alguém com toda a sua casa provavelmente inclua batismos de crianças e recém-nascidos). Mais precisamente, o argumento bíblico para o batismo das crianças dos crentes se apóia no paralelo entre a circuncisão, do Antigo Testamento, e o batismo, do Novo Testamento, como sinais e selos da aliança da graça (Gn 17.11; Rm 4.11; Cl 2.11-12), e na alegação de que o princípio da solidariedade familiar na comunidade da aliança (a Igreja como é agora chamada) não foi afetado pela transição da “velha” para a “nova” forma da aliança de Deus, realizada pela vinda de Cristo. As crianças dos crentes gozam do status de filhos da aliança e, portanto, devem ser batizadas, do mesmo modo que os filhos meninos dos judeus eram anteriormente circuncidados. O precedente do Antigo Testamento exige essa prática, e não há instruções divinas revogando esse princípio.

Posterior evidência de que o princípio da solidariedade familiar continua no período do Novo Testamento é encontrada em 1 Co 7.14, onde Paulo nota que mesmo os filhos de casais em que apenas um cônjuge é cristão são, do ponto de vista dos relacionamentos e da aliança, sntos (isto é, separados para Deus junto com a mãe ou pai cristão). Assim, o princípio de solidariedade entre pais e filhos ainda permanece, como também Pedro declara no seu sermão, no dia do Pentecostes (At 2.29). E, se as crianças são consideradas membros da comunidade visível da aliança junto com seus pais, é apropriado dar-lhes esse sinal. A justeza dessa prática é demonstrada pelo fato de, quando a circuncisão era o sinal de status de aliança e sinal da inclusão na comunidade, Deus haver ordenado que ela fosse aplicada aos meninos (Gn 17.9-14).

Contra esses argumentos, os batistas alegam, primeiro, que a circuncisão era, primariamente, um sinal da identidade étnica dos judeus e, por isso, um paralelo entre a circuncisão e o Batismo cristão não é correto; em segundo lugar, alegam que, sob a nova aliança, a exigência da fé pessoal antes do Batismo é absoluta; em terceiro lugar, alegam que as práticas não reconhecidas e não aprovadas explicitamente nas Escrituras não devem ser adotadas na vida da Igreja.

Certamente, todo membro adulto da Igreja deve professar a fé pessoalmente diante da Igreja. As comunidades que batizam crianças providenciam para que isso ocorra na confirmação ou algo equivalente. A educação cristã de crianças batistas e de crianças batizadas na infância é semelhante: são dedicadas a Deus na infância, ou pelo batismo, ou mediante rito de consagração; são orientadas a viverem para o Senhor e conduzidas ao ponto de fazerem sua pública profissão de fé, pela confirmação ou pelo batismo. Depois disso, desfrutarão do status de plenos comungantes. O debate que se trava não é sobre a educação cristã das crianças, mas sobre a maneira de Deus definir a Igreja.

Diz-se, às vezes, que o batismo infantil leva a uma falsa presunção de que o rito, por si mesmo, garante a salvação da criança. Na ausência de instruções bíblicas sobre o significado do Batismo, essa infeliz conclusão é possível. Deve-se lembrar, no entanto, que uma tal má compreensão é igualmente possível no caso de batismo de adulto crente (Rm 6.3).

Publicado por: Pr. Alexandre R. de Souza
Bibliografia: Bíblia de Genebra

DISCIPULADO – ESTUDO Nº 5
O CORPO DE CRISTO

Uma das figuras mais usadas no Novo Testamento para a igreja é que ela é o corpo de Cristo. A igreja ocupa um lugar fundamental no plano de Deus. Quando falamos de igreja, não estamos nos referindo ao prédio (este serve apenas de abrigo) feito de tijolos, madeira ou outra coisa qualquer. Igreja refere-se a pessoas, povo de Deus. Toda pessoa nascida de novo deve participar ativamente de uma igreja.

1. O QUE É IGREJA?
1.1. Literalmente a palavra igreja significa aqueles que Deus em Cristo chama “para fora” do mundo.
1.2. É a comunidade espiritual formada de todos os cristãos verdadeiros – Hebreus 12:22-23.
1.3. É também uma comunidade local formada de pessoas regeneradas por Cristo I Co 1:2; Ef 1:1.
1.4. É o corpo de Cristo presente no mundo – I Co 12:12-27 e Col 1:24.
1.5. Outros símbolos usados para a igreja que revelam a sua natureza:
a) Edifício – Ef 2:19-22
b) Casa – Hb 3:6; I Pe 2:5
c) Lavoura – I Co 3:9

2. CARACTERÍSTICAS DA IGREJA
Os seguintes fatos caracterizam a igreja do Novo Testamento:
2.1. Reconhecimento de Cristo como a cabaeça do corpo – Ef 1:22.
2.2. Pregação de Cristo como Salvador e Senhor – I Co 2:1-2; I Pe 2:9.
2.3. Os seus membros vivem em comunhão e amor – João 13:34-35.
2.4. Há crescimento em qualidade (santificação) e em quantidade (conversões) I Pe 2:1-5.
a) As pessoas já regeneradas vão crescendo;
b) enquanto isso, outras pedras vivas são acrescentadas ao edifício.
2.5. Ensino da Bíblia – Col 1:28 e Atos 20:27.
A Bíblia é a única autoridade e norma de conduta. Tradições, outros livros “revelados”, visões, não entram em cogitação.
2.6. Perseverança em oração – Atos 2:42.
2.7. Prática do serviço mútuo entre seus membros – Gálatas 6:2 e Filipenses 2:3-4.
2.8. Louvor a Deus – Atos 2:47.
2.9. Tem uma visão mundial na obra de evangelização – Atos 1:8.
2.10. Está preocupada em fazer discípulos de Cristo – Mt 28:18-20 e II Timóteo 2:2.
2.11. É uma igreja alegre e que atrai outras pessoas – Atos 2:47.

3. POR QUE A IGREJA É NECESSÁRIA
3.1. Ela foi criada pelo próprio Deus – Mt 16:18
Antes da fundação do mundo ela já tinha sido planejada por Deus – Ef 1:4.
3.2. Ela tem objetivos a serem alcançados aqui neste mundo:
a) Apresentar Jesus às pessoas ( a sua missão de sal e luz ) – Col 1:28.
b) Levar pessoas à maturidade em Cristo – Colossenses 1:28.
c) Glorificar a Deus – Ef 1:11-12.
3.3. É através de igreja que podemos colocar em prática o que foi mencionado no item “CARACTERÍSTICA DA IGREJA”.

4. POR QUE DEVEMOS PERTENCER À IGREJA?
4.1. Pelas razões explicadas acima.
4.2. Um membro do corpo não tem vida independente – Ef 4:16
4.3. É o meio estabelecido por Deus para o nosso crescimento – Hebreus 10:24-25; Ef 4:15.

5. COMO PODEMOS PERTENCER À IGREJA?
5.1. Somos batizados no corpo de Cristo pelo Espírito Santo quando nos arrependemos e entregamos a nossa vida a Cristo – I Coríntios 12:13.
5.2. É necessário que tenhamos convicção da salvação pela fé em Cristo – Atos 2:41 e I Jo 5:12.
5.3. Através do batismos nos identificamos com Cristo e com seu corpo, a igreja.
a) O batismo é ordem de Jesus – Mt 28:18-20.
b) Simboliza o fim de uma vida e o início de outra – Romanos 6:4-5 e II Co 5:17.
c) Identifica a pessoa com Cristo e com a Sua igreja – Atos 2:38.

Observação: Cristo deixou duas ordenanças para a Sua igreja: batismo e ceia do Senhor. Pelo batismo, como ato de obediência, o cristão declara publicamente a sua fé. Ao participar da Ceia, ele se recorda do sofrimento e morte de Cristo pelos seus pecados, bem como declara que está em comunhão com Ele e anuncia a Sua segunda vinda.

CONCLUSÃO

Pelas razões expostas acima, não deixemos de participar ativamente da vida da igreja ( Hebreus 10:25).
PARA ESTUDO E MEDITAÇÃO
1. Para você, igreja
( ) é o prédio
( ) são as pessoas
( ) são ambas as coisas

( Confira sua resposta com os seguintes textos: I Co 3:9 e Hebreus 3:6)
2. Em I Pedro 2:9, as expressões: raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, referem-se à igreja. Qual é o propósito de tudo isso?
3. De acordo com Mateus 28:18-20, o alvo da igreja – embora o termo igreja não apareça no texto – é fazer discípulo de Cristo. Como nós podemos fazer discípulos de Cristo?
4. As cartas do Novo Testamento foram, em sua maioria, escritas a igrejas. Leia atenciosamente I Tessalonicenses 5 e descubra pelo menos 10 ordens que devem ser obedecidas pelos membros do corpo de Cristo e como elas podem ser colocadas em prática.
ORDENS – COMO COLOCÁ-LAS EM PRÁTICA

PARA MEMORIZAR
Rogo-vos pois, eu, o prisioneiro no Senhor, que andeis de modo digno da vocação
a que fostes chamados. Com toda humildade e mansidão, com longanimidade,
suportando-vos uns aos outros em amor, Esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz” (Efésios 4:1-3).

PARA PRATICAR

1. Procure envolver-se ativamente na tarefa de fazer discípulos de Cristo.
2. Pense em meios práticos de desenvolver a comunhão com seus irmãos em Cristo. Lembre-se que a igreja é a família de Deus; é o povo de Deus. Isso significa que não podemos viver a vida cristã sozinhos.

LEITURA
1. Efésios 4:1-16 2. I Coríntios 12:12-31

PARA LEMBRAR

1. Como está o seu contato com as pessoas de sua lista de oração?
2. Recorde todos os versículos que você já decorou até agora.
Publicado por: Pr. Alexandre R. de Souza
Bibliografia: Apostila de discipulado IEPSUM

TEOLOGIAS” DA TEOLOGIA DA IGREJA HOJE

Pois vai chegar o tempo em que as pessoas não vão dar atenção ao verdadeiro ensinamento, mas seguirão os
seus próprios desejos …

(2 Timóteo 4.3).

A “TEOLOGIA DO ABRACADABRA” – Há, hoje, uma forte tendência de se entender o poder de Deus, como sendo algo semelhante às artes mágicas humanas. Em conseqüência disso, muitos passam a imaginar receberem benção de Deus como num passe de mágica.

Esta crença se caracteriza por se imaginar palavras-chaves ou objetos encantados que liberam o poder de Deus automaticamente. Deus é visto por muitos, como sendo um gênio da lâmpada, e a vida cristã é reivindicar ao gênio o cumprimento dos nossos desejos.

Tudo acontece num passe de mágica – só falta à varinha mágica, mas em compensação, tem trombeta, milho ungido, vassoura sagrada que varre demônios, rosa ungida, água milagrosa, sabonete que purifica, descarrego etc.

A “TEOLOGIA DE ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS” – Outro forte marca da teologia da igreja hoje, é a chamada Teologia da Prosperidade, que afirma que, quem tem fé, é rico e sadio.

Jesus morreu na cruz do calvário, para sermos economicamente estáveis. Um cântico muito cantado por nós ilustra bem isso: “Tudo que Jesus conquistou na cruz, é direito nosso e nossa herança”.

Existe até a “corrente da vida regalada”, onde se pede a Deus riquezas, como as de Salomão. Assim, o paraíso é, na terra, uma vida sem problemas, sem enfermidades, com carro “0 Km” na garagem … que maravilha!

A “TEOLOGIA DO SUPER-HOMEM” – Outra tendência, é de se tomar certos nomes, como se fossem gurus da fé; são vistos como semideuses.

A prova disso, é que nem os títulos são suficientes para designá-los.
Pastor ou reverendo não servem mais; agora são apóstolos, e daí é um passo para se pleitear o de Messias.
Estamos numa era de supervalorização do homem, do antropocentrismo, e não faltam, ao nosso redor, os animadores de auditórios, os leiloeiros de bênçãos, que acabam virando, ao invés de mártires da fé, ídolos.
A “TEOLOGIA DA ONDA” – Está é outra tendência forte em nossos dias: a dos modismos evangélicos.
De repente, surge algo novo, e passa a ser a sensação do momento. Acontece num lugar, e vira regra para atestar a presença de Deus.

De onda em onda, nosso povo segue em busca de novidades, nem sempre preocupado com o que é bíblico, mas sim com o que é novo. Como por ex., a teologia do sopro, do tombo, dos urros do “espíritos” etc.
A “TEOLOGIA DO AQUI E AGORA” – Se por algum tempo, no passado, a igreja esteve projetando suas esperanças no futuro, agora tem se tornado imediatista e pragmáticas.
A formula para atrair os pecadores, é dizer não o que Deus fará ou nós dará em uma vida porvir, e sim, dizer o que pode ser feito hoje, aqui e agora. Se, no passado, a igreja tirou o pé da terra, agora tem tirado a cabeça do céu e, em nome desse imediatismo, tem levado as pessoas a estarem mais interessadas em servir-se de Deus, do que servir a Deus.

Por isso se faz necessário questionarmos bíblicamente tudo aquilo que vem sendo dito, para não incorrermos nas armadilhas de satanás. Que Deus nos dê discernimento!

Pr. Alexandre R. de Souza

A Igreja de Deus existe e está presente no mundo. O Senhor Jesus falou dela, quando disse aos discípulos que “edificaria Sua igreja” (Mateus 16.13-20). Os Reformadores se preocuparam em entender e definir a Igreja. Essa preocupação se encontra refletida nas confissões de fé adotada pelas Igrejas após a Reforma protestante. Podemos definir a Igreja como sendo a comunhão de todos os que foram chamados por Deus, mediante a Sua Palavra, e que recebem a Cristo como Salvador e Senhor, que conhecem e adoram a Deus Pai, Filho e Espírito Santo, em verdade, e que participam pela fé dos benefícios gratuitos oferecidos por Cristo. A Igreja é una, ou seja, só existe uma. Ao mesmo tempo, ela é universal, está espalhada pelo mundo todo, e têm pessoas de todas as tribos, povos, e raças (Apocalipse 7.9-10). Isto não quer dizer que a Igreja é do tamanho do mundo. Existe uma diferença radical entre a Igreja e o mundo. A Igreja está no mundo, mas não é dele. A Igreja de Deus sempre existiu e sempre existirá. Deus sempre teve e terá um povo para Si, para o adorar em espírito e em verdade.
A Igreja de Deus, porém, atravessou duas fases históricas distintas. No período antes de Cristo ela estava em geral resumida à nação de Israel, e funcionava com rituais, símbolos e ordenanças determinadas por Deus, como figuras e tipos de Cristo. Com a vinda de Cristo, estas cerimônias foram abolidas, e agora adoramos a Deus de forma mais simples. Porém, é a mesma Igreja no Velho e no Novo Testamentos. Antes de Cristo, os crentes do Antigo Testamento se salvaram pela fé no Messias que haveria de vir. Depois de Cristo, somos salvos pela fé no Messias que já veio.

A Igreja de Deus, mesmo sendo una e indivisível, existe agora em duas partes. A Igreja militante, composta dos crentes vivos neste mundo, que ainda estão lutando contra a carne, o pecado, o mundo e Satanás. E a Igreja triunfante, composta daqueles fiéis que, tendo vencido a luta, já partiram deste mundo, e hoje desfrutam do triunfo na presença de Deus (Hebreus 12.22-23). Estas duas partes da Igreja de Deus se unirão na Vinda do Senhor Jesus, quando houver a ressurreição dos mortos, e nosso encontro com o Senhor, para com Ele ficarmos para sempre, e com nossos irmãos de todas as épocas e de todas as partes do mundo (1 Tessalonicenses 4.16-18).

A Igreja militante se expressa aqui neste mundo por meio de igrejas particulares. São a organização e estruturação local dos fiéis que se reúnem num mesmo lugar regularmente, para cultuar a Deus, serem instruídos em Sua Palavra e celebrar os sacramentos. As igrejas organizadas têm membros a elas afiliados, direção e liderança espiritual e administrativa, promovem cultos de adoração, celebram os sacramentos, anunciam o Evangelho e praticam boas obras.

Elas têm um aspecto estrutural e organizacional, mas jamais devem ser consideradas como um clube ou uma empresa. Estas igrejas locais podem ser mais ou menos puras, dependendo de quão pura é a pregação do Evangelho que ocorre ali, a celebração correta dos sacramentos e o exercício da disciplina entre seus membros.

É tarefa de cada igreja particular reformar-se continuamente à luz da Palavra de Deus, procurando cada vez mais se aproximar do ideal bíblico. São os princípios que são imutáveis, não as formas organizacionais e externas. Deve manter comunhão com igrejas evangélicas irmãs — afinal, ela não é única neste mundo! Deve zelar pela pureza da pregação, da celebração dos sacramentos e pela vida espiritual e moral de seus membros. Que Deus nos dê graça para podermos fazer tudo isto!

publicado por: Pr. Alexandre R. de Souza

Texto escrito por: Rev. Augustus Nicodemus Lopes em 30.03.2004, diponivél no seguinte endereço – http://www.ipb.org.br/educacao/

Um apóstolo exercia uma função especial na igreja do Novo Testamento. O termo “apóstolo”, era mais que um mensageiro. Ele era comissionado com a autoridade para falar e para representar aquele que o havia enviado.
O principal apóstolo no N.T. é o próprio Jesus. Foi enviado pelo Pai e falou com a autoridade investida nele pelo Pai. Semelhantemente, os apóstolos foram chamados e comissionados diretamente por Cristo e falavam com sua autoridade.
No N.T., doze discípulos foram comissionados como apóstolos. Depois da morte de Judas, a Igreja preencheu a vaga escolhendo Matias (At 1.21-26). A este número Jesus adicionou o apóstolo Paulo, como o apóstolo especial aos gentios. O apóstolo Paulo foi assunto de muito debate, porque ele não preenchia todos os requisitos apostólicos determinados no livro de Atos.

Os critérios para o apostolado incluíam:

Ter sido testemunha ocular das obras, da vida, da morte e da ressurreição do Senhor Jesus (At 1.16-26; Jo 15.27);

Ser chamado e comissionado diretamente por Cristo (Mt 10.1-4; Mc 3.13-19; Lc 6.12-16). Paulo não fora discípulo antes; não fora testemunha ocular da sua Ressurreição, mas apesar de tudo isso, foi chamado para a função pelo próprio Cristo (At 26.12-18; I Co 9.1; Gl 1.1). Seu chamado foi confirmado pelos outros apóstolos (At 15.22-26; Gl 2.7-9), cujo apostolado não foi questionado e foi autenticado pelos milagres que Deus operou por meio dele;

Obras miraculosas e um ministério especial autenticavam a validade do oficio apostólico (Mt 10.1; At 5.15-16; At 14.8-10; At 16.18; At 19.11-12;At 20.9-10);

Portanto, devido à sua natureza e caráter, esse “ofício apostólico” não pode ser transferido. A noção de “sucessão apostólica” é um dogma humano, e não uma doutrina do N.T. Entretanto, em sentido secundário, outros têm sido e podem ser chamados de “apóstolos”. Que Paulo considerou Tiago (não o filho de Zebedeu), o irmão de Jesus um apóstolo, fica explícito por sua afirmação “Não vi nenhum outro apóstolo, mas somente Tiago, o irmão do Senhor” (Gl 1.19). Lucas defende a apostolicidade de Paulo e Barnabé (At 14.4,14). É importante enfatizarmos – não temos mais apóstolos no mundo; eles cessaram. Não existe mais gente que senta no lugar de Cristo e fala com sua autoridade, autoridade essa que Jesus legou aos 12, e depois a Paulo. Na perspectiva de falar em nome de Cristo como se fosse o próprio Cristo, com sua autoridade total, então não há mais apóstolos. No entanto, o dom de apóstolo extrapola essa perspectiva e penetra outras dimensões da vida. São essas outras perspectivas que ainda hoje podem ser encontradas na vida das pessoas. Vale atentar á extensão do dom apostólico no N.T., para lá da comunidade dos 12 apóstolos, ou de Paulo. Podemos constatar isso quando Barnabé é chamado de apóstolo junto com Paulo (At 14.1,4,14), conforme já dissemos; também havia alguns com título apostólico e que não dignificavam tal honra (2 Co 11.5,13). O fato é que, na mente da Igreja Primitiva, conseguia-se perfeitamente fazer divisão entre os doze – os que falavam com a autoridade decisória do Senhor Jesus e outros que tinham ministérios apostólicos, como parece ser também o caso de Andrônico e Júnias[1] (Rm.16.7).

Podemos concluir asseverando o seguinte:

O ofício apostólico não pode ser transferido. Não existe sucessão apostólica, isso simplesmente é invenção humana;
Não há base Bíblia para alguém transferir para si a autoridade apostólica na perspectiva como se fosse o próprio Cristo, com sua autoridade total. Os apóstolos sim possuíam essa autoridade;
Que o ministério apostólico era reconhecido pela igreja do Novo Testamento é verdadeiro, isso não podemos negar, pois outros receberam essa designação.
Pode alguém reivindicar o título de apóstolo nos dias atuais? de forma nenhuma! O oficio deixou de existir. O dom pode sim manifestar-se, mas isso não nos dá o direito de sair por ai intitulando-se “apóstolos de Cristo”.

NOTAS:

  • [1] O versículo é bastante discutido entre os comentaristas:
    Não é possível determinar através do original se o segundo nome é feminino ou masculino. Eram judeus e companheiros de Paulo na prisão. Crentes antes de Paulo eram contados entre os apóstolos (Bíblia Shedd, p.1604).
  • Sproul diz que os primeiros comentadores compreendiam que esses dois eram marido e mulher. Eram judeus como Paulo e se tinham convertido a Cristo antes do próprio Paulo. Tudo indica, que tinham estado na prisão por algum tempo com Paulo e tinham servido com distinção com enviados especiais (“apóstolos”) das igrejas (Bíblia de Genebra p.1343).
  • Alguns mencionam que há possibilidade de Júnia ser Júnias, ou seja, um homem. O fato de que a Bíblia de Jerusalém traz o texto como citado acima (Júnia) é bem significativo, uma vez que a Igreja Católica Romana esteja tão hesitante em reconhecer a ordenação feminina (Bíblia de Jerusalém p.2144).
  • Ainda que Paulo não tivesse por costume dar demasiada importância a consangüinidade, ou a outros privilégios físicos, não obstante, em razão de sua relação com Júnias e Andrônico poder contribuir de alguma forma para que se tornassem melhor conhecidos dos romanos, ele não omite fazer esta recomendação (Calvino, Com. de Romanos p.514).
  • Entre os comentários mais antigos que afirmam que se trata mesmo de uma mulher está o de Crisóstomo que, na sua Homilia nº XXXI, fala com entusiasmo de Júnia e Andrônico. “(….) são notáveis entre os Apóstolos” na verdade, só o fato de serem apóstolos é uma grande coisa. Mas, estar entre aqueles que são notáveis por causa das suas obras, das suas realizações. Oh! Que grande devoção desta mulher, que é tida como digna do nome de apóstola (….)” (Reilly, 1997, p.43).
  • John Stott diz o seguinte: “(…) O lugar proeminente ocupado pelas mulheres no círculo de amigos de Paulo demonstra que ele definitivamente não era o machista calvinista que geralmente se imagina. E quem sabe isso até esclareça um pouco mais a incômoda questão do ministério das mulheres? Como nós já vimos, dentre as mulheres que Paulo saúda quatro “trabalharam arduamente” no serviço do Senhor. Priscila foi uma das “colaboradoras” de Paulo, Júnia era uma missionária bem conhecida, e Febe deve ter sido uma diaconisa (…)” (Com. de Romanos p.477).

Mensagem publicada por: Pr. Alexandre Rodrigues de Souza contato: alexandrersouza@yahoo.com.br


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