Kerygma

Archive for the ‘Estudo Bíblico’ Category

Gênesis 1.1-2.3; Mateus 9.1-8; Mateus 16.13-21; João 1.1-18;
Apocalipse 19.11-16
Jesus de Nazaré recebeu mais títulos do que qualquer outra pessoa na História. Uma lista breve incluiria o seguinte:
Cristo; Senhor; Filho do Homem; Salvador; Filho de Davi; Grande Sumo Sacerdote; Filho de Deus; Alfa e Ômega; Mestre; Professor; Justiça; Profeta; Rosa de Sarom; Lírio dos Vales; Advogado; Leão de Judá; Cordeiro de Deus e Segundo Adão.Os principais títulos dados a Jesus são:

CRISTO. O título Cristo é usado com tanta frequência, referindo-se a Jesus, que as pessoas às vezes o confudem com seu segundo nome. Entretanto, não se trata de um nome, mas de um título que indica sua posição e sua obra como Messias. O termo Cristo vem da palavra grega Chistos usada para traduzir a palavra hebraica para Messias. Tanto Cristo quanto Messias significam “o Ungido”.

No Antigo Testamento, o conceito de Messias prometido, o qual seria singularmente ungido pelo Espírito Santo, era uma idéia complexa, com muitas interpretações. Os judeus não tinham todos a mesma idéia sobre o Messias.

Um conceito sobre o Messias era que ele seria um rei. Seria o Filho ungido de Davi, o Leão de Judá, o qual restauraria o reino caído de Davi. (Este aspecto excitava grandemente os judeus e avivava as chamas da esperança em um governo político que iria libertá-los da sujeição a Roma).

O Messias, porém, era também chamado o Servo de Deus, na verdade o Servo Sofredor mencionado na profecia de Isaías. Parecia praticamente impossível unir esses dois papéis numa só pessoa, embora obviamente fossem unidos em Jesus.

O Messias também seria um ser celestial (Filho do Homem) e teria uma relação única com o Deus Pai (Filho de Deus). Seria também profeta e sacerdote. Quanto mais percebemos o quanto o conceito do Messias era complexo, mais ficamos maravilhados com a maneira intrincada pela qual todos esses aspectos foram reunidos na pessoa e na obra de Jesus.

SENHOR. O segundo usado com maior frequência para Jesus no Novo Testamento é o título Senhor. Este título é de suprema importância para o entendimento do perfil de Jesus no Novo Testamento. O termo senhor é usado de três maneiras distintas no Novo Testamento. A primeira é uma forma comum de tratamento, semelhante ao nosso uso de “senhor”. O segundo uso refere-se ao dono de escravos, ou “amo”. Aqui é aplicado num sentido figurado a Jesus. Ele é o nosso Dono. O terceiro é o uso imperial. Refere-se àquele que é soberano.

No século I, os imperadores romanos exigiam um juramento de lealdade por parte dos súditos, por meio do qual exigia-se que repetissem a fórmula:”César é Senhor”. Os cristãos eram torturados por se recusarem a concordar com isso. Em vez disso, proclamaram o primeiro credo cristão: “Cristo é o Senhor”. Chamar Jesus de “Senhor” era radical não só do ponto de vista dos romanos, mas especialmente do ponto de vista dos judeus, pois era o título dado ao próprio Deus no Antigo Testamento. O título Senhor foi concedido a Jesus por Deus o Pai. É o “nome que está acima de todo nome”, sobre o qual Paulo fala em Filipenses 2.9.

FILHO DO HOMEM. Este é um dos mais fascinantes títulos dados a Jesus e talvez o que é mais frequentemente mal-interpretado. Devido ao fato de que a Igreja confessa a dupla natureza de Jesus, que ele é verdadeiramente homem e verdadeiramente Deus, e porque a Bíblia descreve Jesus como Filho do Homem e Filho de Deus, é tentador concluir que Filho do Homem refere-se à humanidade de Jesus e Filho de Deus refere-se à sua divindade. Esse, entretanto, não é exatamente o caso. Embora o título, Filho do Homem, inclua um elemento de humanidade, sua referência primária é à natureza divina de Jesus. O título, Filho de Deus, também inclui uma referência à divindade, mas sua ênfase primária é sobre a obediência de Jesus como filho.

Este título, Filho do Homem, tem ainda mais importância quando compreendemos que, embora esteja em terceiro lugar (bem embaixo na lista), em termos de frequência de uso no Novo Testamento (atrás de Cristo e Senhor), está em primeiro lugar (com uma grande margem) nos títulos que Jesus usava para referir-se a si próprio. Filho do Homem é a designação mais favorita de Jesus para si mesmo.

A importância deste título é tirada da sua ligação com o uso que Daniel fez dele no Antigo Testamento (Dn 7). Ali, Filho do Homem claramente referia-se a um ser celestial que agia como um Juiz cósmico. Nos lábios de Jesus o título não é um exercício de falsa humildade, mas uma ousada reivindicação de autoridade divina. Jesus alegou, por exemplo, que o Filho do Homem tinha autoridade para perdoar pecados (Mc 2.10), uma prerrogativa divina, e era Senhor do sábado (Mc 2.28).

LOGOS. Nenhum título de Jesus despertou mais intenso interesse filosófico e teológico nos primeiros três séculos do que o títulos Logos. O Logos era central no desenvolvimento da Cristologia da Igreja Primitiva. O prólogo do Evangelho de João é crucial para este entendimento cristológico do Logos. João escreve: “No princípio era o Verbo (Logos), e o Verbo (Logos) estava com Deus, e o Verbo (Logos) era Deus” (Jo 1.1).

Nesta passagem notável, o Logos é tanto distinto de Deus (“estava com Deus”), quanto identificado com Deus (“era Deus). Este paradoxo teve grande influência no desenvolvimento da doutrina da Trindade, em que o Logos é visto como a Segunda Pessoa da Trindade. Ele difere em pessoa do Pai, mas é um em essência com o Pai.

É fácil de entender por que os filósofos cristãos foram atraídos pelo conceito do Logos como um título de Jesus. Embora o termo possa ser traduzido simplesmente como “palavra”, ele tinha um histórico de utilização como termo técnico na filosofia o qual deu ao Logos um significado muito rico. Os antigos gregos preocupavam-se com o sentido do universo e por isso se engajaram numa busca pela “realidade suprema” (metafísica). Eles buscavam o fator unificador ou o poder que traria a ordem e a harmonia na amplamente diversificada esfera da criação (cosmologia). Os filósofos procuravam por uma nous (mente) à qual (ou a quem) poderiam atribuir a ordem de todas as coisas. A essa realidade suprema unificadora os gregos deram o nome de Logos. Ela proporcionaria a coerência ou a “lógica” da realidade. O conceito foi usado por Heráclito e posteriormente pela filosofia Estóica, na qual era usada como uma lei cósmica e abstrata.

Embora desta maneira o termo fizesse parte da bagagem da filosofia grega anterior ao Cristianismo, o uso bíblico do Logos vai muito além do uso grego. Em Gênesis 1.3 e seguintes, a Bíblia diz: “Disse Deus… e assim se fez”. Desta maneira, foi por meio da Palavra de Deus que a criação veio à existência. O que distancia o conceito do Logos da filosofia grega, de maneira mais significativa, contudo, é que o Logos do Novo Testamento é pessoal – a Palavra é uma pessoa divina e tornou-se um homem, o qual viveu e morreu em nosso mundo.

Esboço:

  1. Messias significa “ungido” e é usado como um título de Jesus indicando seu papel tanto como Rei como Servo Sofredor. Messias é o título usado com mais frequência referindo-se a Jesus.
  2. Senhor é o segundo título usado com mais frequência para Jesus e refere-se à sua autoridade suprema como Soberano do universo.
  3. Filho do Homem é o título que o próprio Jesus usava com mais frequência referindo-se a si mesmo. Este título refere-se primariamente ao papel de Jesus como Juiz de todo o cosmos.
  4. O título Logos tem uma rica herança tanto da cultura grega como da judaica. Jesus é o Logos – o Criador do universo, a realidade suprema por trás dele e aquele que está constantemente sustentando-o.

Bibliografia: Verdades Essenciais da Fé Cristã de R. C. Sproul/ Editora Cultura Cristã

Textos: Salmo 110; Isaías 42.1-4; Lucas 1.26-38; Atos 3.17-26; Hebreus 5.5-6

Uma das grandes contribuições para o entendimento dos cristãos sobre a obra de Cristo é a exposição de João Calvino dos três ofícios de Cristo como Profeta, Sacerdote e Rei (Institutas, II, XV). Como Profeta de Deus por excelência, Jesus era tanto o objeto quanto o agente da profecia. Sua pessoa e sua obra são os pontos focais da profecia do Antigo Testamento, enquanto ele próprio é um profeta. Nas declarações proféticas do próprio Jesus, o Reino de Deus e o seu papel dentro desse Reino vindouro são os temas principais. A atividade principal de um profeta era declarar a Palavra de Deus. Jesus não só declarou a Palavra de Deus, mas ele é a própria Palavra de Deus. Jesus foi o supremo profeta de Deus, sendo a Palavra de Deus na carne.

O profeta do Antigo Testamento era um tipo de mediador entre Deus e o povo de Israel. Ele falavra ao povo da parte de Deus. O sacerdote falava com Deus em favor do povo. Jesus também desempenhou o papel do grande Sumo Sacerdote. Os sacerdotes do Antigo Testamento ofereciam sacrifícios regularmente, mas Jesus ofereceu um sacrifício de valor eterno, uma vez por todas. A oferta de Jesus ao Pai foi o sacrifício de si mesmo. Ele era tanto a oferta quanto o ofertante.

Enquanto no Antigo Testamento as funções medianeiras de profeta, sacerdote e rei eram ocupadas separadamente por indivíduos, todas as três funções foram ocupadas supremamente na única pessoa de Jesus. Jesus cumpriu a profecia messiânica do Salmo 110. Ele é o descendente e Senhor de Davi. É o Sacerdote que também é o Rei. O Cordeiro que foi morto é também o Leão de Judá. Para obter plena compreensão da obra de Cristo não devemos vê-lo simplesmente como profeta, ou como sacerdote, ou como rei. Todos os três ofícios são perfeitamente desempenhados por ele.

Esboço:

  1. Jesus é o cumprimento da profecia do Antigo Testamento e ele próprio é profeta.
  2. Jesus era tanto Sacerdote como o sacrifício. Como Sacerdote, ele se ofereceu como o sacrifício perfeito pelo pecado.
  3. Jesus é o ungido Rei de todos os reis e Senhor de todos os senhores.

Publicado por: Pr. Alexandre R. de Souza
Bibliografia: Verdades Essenciais da Fé Cristã de R. C. Sproul/ Editora Cultura Cristã

Romanos 8.33-34; 1 Timóteo 2.5; Hebreus 7.20-25; Hebreus 9.11-12

Um mediador é um intermediário. É aquele que fica entre duas ou mais pessoas ou grupos em disputa e tenta promover sua reconciliação. Em termos bíblicos, os seres humanos são descritos como vivendo em inimizade contra Deus. Nós nos rebelamos, nos revoltamos e nos recusamos obedecer à Lei de Deus. Como resultado, a ira de Deus permanece sobre nós. Para que esta situação catastrófica seja mudada ou remediada, é necessário que nos reconciliemos com Deus.

Para efetuar nossa reconciliação, Deus o Pai designou e enviou seu Filho para ser nosso Mediador. Cristo traz a nós nada menos que a majestade divina do próprio Deus – ele é o Deus encarnado. Para isso, ele tomou para si uma natureza humana e voluntariamente submeteu-se às exigências de Deus.

Cristo não iniciou a reconciliação tentando persuadir o Pai a deixar de lado sua ira. Pelo contrário, no conselho eterno da Deidade houve completa concordância entre o Pai e o Filho de que este deveria vir como nosso Mediador. Nenhum anjo poderia representar Deus adequadamente em relação a nós; somente o próprio Deus poderia fazê-lo.

Na encarnação, o Filho tomou para si a natureza humana a fim de efetuar a redenção da descendência caída de Adão. Por meio da sua perfeita obediência, Cristo satisfez as exigências da lei de Deus e mereceu a vida eterna para nós. Por sua submissão à morte expiatória na cruz, ele satisfez as exigências da ira de Deus contra nós. Positiva e negativamente Cristo satisfez os requerimentos divinos para a reconciliação. Estabeleceu para nós uma nova aliança com Deus por meio do seu sangue e continua a interceder por nós diariamente como nosso Sumo Sacerdote.

Um mediador eficiente é aquele capaz de gerar a paz entre as partes em conflito ou inimizadas. Este foi o papel que Jesus desempenhou como nosso perfeito Mediador. Paulo declarou que temos paz com Deus através da obra de Cristo de reconciliação: “Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo” (Rm 5.1).

A obra medianeira de Cristo é superior a de todos os outros mediadores. Moisés foi o mediador da antiga aliança. Serviu como intermediário de Deus, dando a lei aos israelitas. Jesus, porém, é superior a Moisés. O autor de Hebreus declara: “Jesus, todavia, tem sido considerado digno de tanto maior glória do que Moisés, quanto maior honra do que a casa tem aquele que a estabeleceu. Pois toda casa é estabelecida por alguém, mas aquele que estabeleceu todas as coisas é Deus. E Moisés era fiel, em toda a casa de Deus, como servo, para testemunho das coisas que haviam de ser anunciadas; Cristo, porém, como Filho, em sua casa; a qual casa somos nós, se guardarmos firme, até ao fim, a ousadia e a exultação da esperança” Hebreus 3.3-6

Esboço:

  1. Um mediador age para promover a paz entre a partes inimizadas.
  2. Cristo, como Deus-homem nos reconcilia com o Pai.
  3. Cristo e o Pai estão concordes, desde a eternidade, de que Cristo seria nosso mediador.
  4. A obra medianeira de Cristo é superior à dos profetas, dos anjos e de Moisés.

Publicado por: Pr. Alexandre R. de Souza
Bibliografia: Verdades Essenciais da Fé Cristã de R. C. Sproul/ Editora Cultura Cristã

“Eu sou o SENHOR, vosso Deus; portanto, vós vos consagrareis e sereis santos,
porque eu sou santo…” (Lv 11.44).

Quando as Escrituras dizem que Deus, ou uma das Pessoas da Divindade, é “Santo” (como fazem com frequência: Lv 11.44-45; Js 24.19; 1 Sm 2.2; Sl 99.9; Is 6.3; 41.14,16,20; 57.15; Ez 39.7; Am 4.2; Jo 17.11; At 5.3-4,32; Ap 15.4), essa palavra signfica tudo a respeito de Deus que o separa de nós e o torna objeto de admiração, de adoração e de temor para nós. Essa palavra cobre todos os aspectos da grandeza transcendente e da perfeição moral de Deus e é característica de todos os seus atributos, apontando para a Divindade de Deus em todos os aspectos. A essência dessa verdade, contudo, é a pureza de Deus, que não pode tolerar qualquer forma de pecado (Hc 1.13), e chama os pecadores a humilhar-se constantemente em sua presença (Is 6.5).

Justiça – que significa agir retamente em todas as circunstâncias – é uma expressão da santidade de Deus. Ele mostra a sua justiça como Legislador e Juiz e, também, como Cumpridor de promessas e Perdoador de pecado. Sua lei moral, que exige do homem comportamento semelhante ao seu., é “santa e justa e boa” (Rm 7.12). Ele julga com justiça, de acordo com o merecimento verdadeiro (Gn 18.25; Sl 7.11; 96.13; At 17.31). Sua ira, sua hostilidade judicial ativa contra o pecado é totalmente justa em suas manifestações (Rm 2.5-16), e seus julgamentos particulares (punições retributivas) são gloriosos e louváveis (Ap 16.5,7; 19.1-14). Quando Deus cumpre o compromisso envolvido na sua Aliança e age para salvar o seu povo, isso é um ato de sua justiça (Is 51.5-6; 56.1; 63.1; 1 Jo 1.9). Quando Deus justifica os pecadores por meio da fé em Cristo, ele o faz com base na justiça feita – a punição dos nossos pecados na pessoa de Cristo, o nosso substituto. A forma tomada por sua misericórdia justificadora mostra que ele é inteira e totalmente justo (Rm 3.25-26), e nossa justificação aparece como judicialmente justificada.

Quando Joao diz que Deus é “luz” e nele absolutamente não trevas, a figura da luz afirma a pureza santa de Deus, o que torna impossível a comunhão entre ele e a impiedade obstinada e exige que a busca da santidade e da justiça seja uma preocupação central na vida do povo cristão (1 Jo 1.5-2.1; 2 Co 6.14-7.1; Hb 12.10-17). A convocação dos cristãos – na qualidade de regenerados e perdoados – para praticarem uma santidade que se assemelha à do próprio Deus e, desta forma, agradá-lo é constante no Novo Testamento, como, na verdade, foi também no Antigo Testamento (Dt 30.1-10; Ef 4.17 – 5.14; 1 Pe 1.13-22).

Bibliografia: Bíblia de Genebra

Lucas 24.50-53; Romanos 8.34; Romanos 14.9-10; Efésios 4.7,8; Hebreus 9.23-28

A importância da Ascensão é frequentemente ignorada na Igreja moderna. Temos celebrações especiais e feriados para comemorar o nascimento (natal), a morte (Sexta-feira da Paixão) e a ressurreição de Cristo (Domingo de Páscoa). A maioria das igrejas, entretanto, faz pouca ou nenhuma menção da Ascensão. No entanto, a Ascensão é um evento de profunda importância no processo da redenção. Marca o momento do ponto mais elevado da exaltação de Cristo antes do seu retorno ao céu. Foi na Ascensão que Cristo entrou na sua glória.

Jesus descreveu sua partida desta terra como sendo melhor para nós do que sua presença permanente. Quando anunciou sua partida pela primeira vez aos discípulos, eles ficaram tristes com a notícia. Contudo, mais tarde compreenderam a importância deste grande evento. Lucas nos registra a Ascensão:

“Ditas estas palavras, foi Jesus elevado às alturas, à vista deles, e uma nuvem o encobriu dos seus olhos. E, estando eles com os olhos fitos no céu, enquanto Jesus subia, eis que dois varões vestidos de branco se puseram ao lado deles e lhes disseram: Varões galileus, por que estais olhando para as alturas? Esse Jesus que dentre vós foi assunto ao céu virá do modo como o viste subir“. Atos 1.9-11

Notamos que Jesus partiu numa nuvem. Provavelmente esta seja uma referência à Shekinah, a nuvem da glória de Deus. A Shekinah excede qualquer nuvem comum em radiância. Representa a manifestação visível da glória radiante de Deus. Portanto, a forma como Jesus partiu de maneira alguma foi comum. Foi um momento de explendor extraordinário.

Ascender significa “subir” ou “elevar”. Entretanto, quando o termo, ascensão, é usado com relação a Cristo, tem um significado mais profundo, mais rico e mais específico. A ascensão de Jesus foi um evento único. Vai além de Enoque sendo levado diretamente para o céu ou a partida do profeta Elias numa carruagem de fogo.

A ascensão de Jesus refere-se à sua ida para um lugar especial, com um propósito especial. Ele foi para o Pai, para sentar-se à direita dele. Foi elevado para a sede de autoridade cósmica. Jesus subiu ao céu para sua coroação, sua confirmação como Rei dos reis.

Jesus também ascendeu para entrar no Santo dos Santos celestial a fim de continuar sua obra como nosso grande Sumo Sacerdote. No céu ele governa como Rei e intercede por nós como nosso Sumo Sacerdote. Desta sua posição de autoridade elevada, ele derramou seu Espírito sobre a Igreja. João Calvino observa:

“Sendo elevado ao céu, ele retirou sua presença corpórea da nossa vista; isso não quer dizer que cessou de estar com seus seguidores, os quais ainda são peregrinos sobre a terra, mas significa que pode governar tanto o céu como a Terra mais imediatamente pelo seu poder”. (II, XVI, 14)

Quando Jesus ascendeu ao céu para sua coroação como Rei dos reis, assentou-se à mão direita de Deus. A destra de Deus é a sede de autoridade. Desta posição Jesus governa, administra seu reino e preside como Juiz do céu e da terra.

A destra do Pai, Jesus está sentado como a Cabeça do seu Corpo, a Igreja. No entanto, nesta posição, sua autoridade e jurisdição de governo e administração estendem-se para além da esfera da sua Igreja e engloba o mundo todo. Embora a Igreja e o Estado sejam distintos dentro do domínio de Cristo, nunca são separados ou divorciados. Sua autoridade estende-se sobre ambos. Todos os governos do mundo devem prestar contas a ele e serão julgados por ele em sua função de Rei dos reis e Senhor dos senhores.

Todos no céu e na terra são chamados por Deus para reverenciarem a majestade de Jesus, para serem governados por sua mão, para darem-lhe a honra devida e submeterem-se ao seu poder. Finalmente, todos estarão diante dele, quando ele assentar-se para o julgamento final.

Jesus tem autoridade para derramar seu Espírito Santo sobre a Igreja. Entretanto, ele só derramou seu Espírito depois que se sentou à destra de Deus. O Espírito ministra em subordinação ao Pai e ao Filho, os quais juntos o enviaram para aplicar a obra de salvação que Cristo adquiriu para os crentes.

Sentado à mão direita de Deus, Jesus não só exerce seu papel como Rei dos reis, mas também desempenha a função de juiz cósmico. Ele é o juiz sobre todas as nações e todas as pessoas. Embora Jesus governe como nosso juiz, ele foi designado por Deus para ser também nosso advogado. Ele é nosso defensor. No julgamento final, o advogado nomeado para nos defender será o próprio juiz que preside. Uma amostra da intercessão de Jesus em favor dos santos pode ser vista no martírio de Estêvão:

“Estevão, cheio do Espírito Santo, fitou os olhos no céu e viu a glória de Deus e Jesus que esta à direita, e disse: Eis que vejo os céus abertos e o Filho do homem em pé à destra de Deus!” Atos 7.55-56

Esboço:

  1. A Ascenção recebe pouquíssima atenção na Igreja moderna;
  2. A Ascensão marca um ponto extremamente importante da exaltação de Cristo na história da redenção;
  3. Cristo partiu numa nuvem de glória;
  4. Cristo ascendeu a um lugar específico, com um propósito específico: sua coroação como Rei dos reis;
  5. Em sua ascenção, Cristo tomou posse de sua função como Sumo Sacerdote celeste e está sentado à destra de Deus, a sede de autoridade cósmica;
  6. Desta posição à direita de Deus, Jesus autorizou o derramamento do Espírito Santo no Dia de Pentecostes;
  7. Em sua posição de autoridade, Jesus é o juiz sobre todos;
  8. Jesus também serve como o Advogado ou defensor em favor do seu povo.

Publicado por: Pr. Alexandre R. de Souza
Bibliografia: Verdades Essenciais da Fé Cristã de R. C. Sproul/ Editora Cultura Cristã

No Cristianismo estão o verdadeiro culto e serviço do verdadeiro Deus, Criador e Redentor da humanidade. É uma religião que descansa sobre revelação: ninguém conheceria a verdade a respeito de Deus, nem seria capaz de relacionar-se com ele de um modo pessoal, se Deus não tivesse primeiro agido para fazer-se conhecido. Porém Deus fez-se conhecido, e os sessenta e seis livros da Bíblia – trinta e nove escritos antes da vinda de Cristo e vinte e sete depois de Cristo – são, juntos, o registro, a interpretação e a expressão de sua auto-revelação. Deus e santidade são os temas que dão unidade à Bíblia.
De certo ponto de vista, as Escrituras são o fiel testemunho que os piedosos deram a respeito do Deus que eles amavam e a quem serviam; de outro ponto de vista – pelo fato de terem sido redigidas por meio de um exercício singular de supervisão divina, chamada de “inspiração” – eles constituem o testemunho e o ensino do próprio Deus, em linguagem humana. A Igreja ja dá a esses escritos o nome de “Palavra de Deus”, porque a autoria e conteúdo deles são de origem divina.

A certeza decisiva de que as Escrituras procedem de Deus e de que todas elas consistem inteiramente de sua sabedoria e verdade nos vem de Jesus Cristo e seus apóstolos, que ensinaram em seu nome. Jesus, Deus encarnado, considerou sua Bíblia (o nosso Antigo Testamento) como instrução escrita de seu Pai Celestial, que ele, não menos do que outros, precisava obedecer (Mt 4.4,7,10; 5.17-20; 19.4-6; 26.31,52-54; Lc 4.16-21; 16.17; 18.31-33; 22.37; 24.25-27,45-47; Jo 10.35) e que ele veio cumprir (Mt 26.24 e Jo 5.46). Paulo descreveu o Antigo Testamento como totalmente inspirado ou “soprado por Deus” – produto do Espírito de Deus, como também o é toda a criação (Sl 33.6; Gn 1.2) – e escrito para nossa instrução (Rm 15.4; 1 Co 10.11; 2Tm 3.15-17). Em sua segunda carta, 1.21, e em sua primeira carta, 1.10-12, Pedro afirma a origem divina do ensino bíblico. O mesmo faz o autor da Carta aos Hebreus, por sua maneira de citar as Escrituras (Hb 1.5-13; 3.7; 4.3; 10.5-7, 15-17; cf. At 4.4.25; 28.25-27).

Visto que o ensino dos apóstolos a respeito de Cristo é, em si mesmo, verdade revelada em palavras ensinadas por Deus (1 Co 2.12-13), a Igreja considera que o Novo Testamento – registro do testemunho apostólico – completa as Escrituras. Durante o próprio período do Novo Testamento, Pedro se refere às cartas de Paulo como Escrituras (2 Pe 3.15-16), e Paulo, aparentemene, chama o Evangelho de Lucas de Escrituras (1 Tm 5.18; cf. Lc 10.7).

A idéia de orientações escritas vindas do próprio Deus como base para a vida piedosa remonta à inscrição dos Dez Mandamentos sobre tábuas de pedra e à ordem dada a Moisés a que escrevesse as leis de Deus e a história do que Deus fez com o seu povo (Êx 32.15-16; 34.1,27-28; Nm 33.2; Dt 31.9). Assimilar essas leis e viver por elas foi sempre central à verdadeira devoção tanto para os líderes de Israel como para o povo (Js 1.7-8; 2 Rs 17.13; 22.8-13; 1 Cr 22.12-13; Ne 8; Sl 119), e o princípio de que tudo deve ser governado pelas Escrituras passou para o Cristianismo.

Aquilo que a Escritura diz Deus diz; pois, de um modo só comparável ao mistério mais profundo da Encarnação, a Bíblia é tanto plenamente humana como plenamente divina. Assim, todo o seu múltiplo conteúdo – histórias, profecias, poemas, cânticos, escritos de sabedoria, sermões, estatísticas, cartas e tudo o mais – deve ser recebido como procedente de Deus, e tudo aquilo que os escritos bíblicos ensinam deve ser reverenciado como instruções autorizadas da parte de Deus. Os cristãos devem ser gratos a Deus pelo dom de sua Palavra escrita e conscienciosos ao basearem sua fé e sua vida inteira e exclusivamente nela.

Bibliografia: Bíblia de Genebra

Mateus 17.1-9; Marcos 13.24-27; Hebreus 1.1-3; Apocalipse 22.4-5

Temos a tendência de pensar em glória como algo a ser atingido através de vitórias extraordinárias num esporte, de realizações comerciais ou por meio da fama pessoal. Na Bíblia, porém, glória tem a ver com o brilho radiante que emana da trancedente majestade de Deus. Em momentos cruciais, o esplendor da divindade de Jesus irrompeu de dentro do manto de sua humanidade.

A glória de Cristo talvez nunca tenha se tornado tão evidete quanto na Transfiguração. A palavra grega para transfiguração é metamorphoomai, da qual se deriva nossa palavra metamorfose. Denota uma mudança de forma, como, por, exemplo, a transformação que ocorre quando uma crisálida se transforma numa borboleta. O prefixo trans significa literalmente “através de”. Na transfiguração, um limite ou barreira foi transporta. Podemos chamar de cruzar a linha entre o natural e o sobrenatural, entre o humano e o divino. A transfiguração cruzou a fronteira das dimensões e entrou na esfera de Deus.

Na Transfiguração, uma luz radiante brilhou de Jesus. Essa luz foi a manifestação visível de que a barreira tinha realmente sido transporta. Existem algumas similaridades entre esta manifestação de glória e o brilho no rosto de Moisés quando retornou do monte Sinai com os Dez mandamentos. As diferenças, contudo, são significativas. A face de Moisés brilhou com glória refletida. Cristo não refletiu simplesmente o brilho da glória divina, mas sua glória é o resplendor da glória divina. Neste sentido, sua glória claramente transcende a glória refletida no rosto de Moisés.

Cristo, portanto, não refletiu uma luz, mas ele mesmo era a fonte da luz. A Transfiguração era uma mostra do que os cristãos iriam experimentar na Nova Jerusalém. Em Apocalipse 21.23, João explica que a cidade celestial não terá necessidade do sol ou da lua para iluminá-la. A glória de Deus a iluminará. O cordeiro será sua luz. João escreve: “Contemplarão a sua face, e na sua fronte está o nome dele. Então, já não haverá noite, nem precisam eles de luz de candeia, nem da luz do sol, porque o Senhor Deus brilhará sobre eles, e reinarão pelos séculos dos séculos” (Ap 22.4-5).

Não deveríamos ficar surpresos pelo fato de a glória de Cristo ter brilhado na Transfiguração. A surpresa deveria ser pelo fato de que ele voluntariamente escondeu sua glória por amor dos seus filhos.

Esboço:

  1. A glória de Cristo se revelou na Transfiguração.
  2. A Transfiguração de Cristo foi uma mudança de forma e o transpor de natural para o sobrenatural.
  3. A glória de Cristo não é um simples reflexo da glória de Deus, mas a própria glória de Deus.

Publicado por: Pr. Alexandre R. de Souza
Bibliografia: Verdades Essenciais da Fé Cristã de R. C. Sproul/ Editora Cultura Cristã


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