Kerygma

Archive for the ‘História da Igreja’ Category

Gênesis 1.1-2.3; Mateus 9.1-8; Mateus 16.13-21; João 1.1-18;
Apocalipse 19.11-16
Jesus de Nazaré recebeu mais títulos do que qualquer outra pessoa na História. Uma lista breve incluiria o seguinte:
Cristo; Senhor; Filho do Homem; Salvador; Filho de Davi; Grande Sumo Sacerdote; Filho de Deus; Alfa e Ômega; Mestre; Professor; Justiça; Profeta; Rosa de Sarom; Lírio dos Vales; Advogado; Leão de Judá; Cordeiro de Deus e Segundo Adão.Os principais títulos dados a Jesus são:

CRISTO. O título Cristo é usado com tanta frequência, referindo-se a Jesus, que as pessoas às vezes o confudem com seu segundo nome. Entretanto, não se trata de um nome, mas de um título que indica sua posição e sua obra como Messias. O termo Cristo vem da palavra grega Chistos usada para traduzir a palavra hebraica para Messias. Tanto Cristo quanto Messias significam “o Ungido”.

No Antigo Testamento, o conceito de Messias prometido, o qual seria singularmente ungido pelo Espírito Santo, era uma idéia complexa, com muitas interpretações. Os judeus não tinham todos a mesma idéia sobre o Messias.

Um conceito sobre o Messias era que ele seria um rei. Seria o Filho ungido de Davi, o Leão de Judá, o qual restauraria o reino caído de Davi. (Este aspecto excitava grandemente os judeus e avivava as chamas da esperança em um governo político que iria libertá-los da sujeição a Roma).

O Messias, porém, era também chamado o Servo de Deus, na verdade o Servo Sofredor mencionado na profecia de Isaías. Parecia praticamente impossível unir esses dois papéis numa só pessoa, embora obviamente fossem unidos em Jesus.

O Messias também seria um ser celestial (Filho do Homem) e teria uma relação única com o Deus Pai (Filho de Deus). Seria também profeta e sacerdote. Quanto mais percebemos o quanto o conceito do Messias era complexo, mais ficamos maravilhados com a maneira intrincada pela qual todos esses aspectos foram reunidos na pessoa e na obra de Jesus.

SENHOR. O segundo usado com maior frequência para Jesus no Novo Testamento é o título Senhor. Este título é de suprema importância para o entendimento do perfil de Jesus no Novo Testamento. O termo senhor é usado de três maneiras distintas no Novo Testamento. A primeira é uma forma comum de tratamento, semelhante ao nosso uso de “senhor”. O segundo uso refere-se ao dono de escravos, ou “amo”. Aqui é aplicado num sentido figurado a Jesus. Ele é o nosso Dono. O terceiro é o uso imperial. Refere-se àquele que é soberano.

No século I, os imperadores romanos exigiam um juramento de lealdade por parte dos súditos, por meio do qual exigia-se que repetissem a fórmula:”César é Senhor”. Os cristãos eram torturados por se recusarem a concordar com isso. Em vez disso, proclamaram o primeiro credo cristão: “Cristo é o Senhor”. Chamar Jesus de “Senhor” era radical não só do ponto de vista dos romanos, mas especialmente do ponto de vista dos judeus, pois era o título dado ao próprio Deus no Antigo Testamento. O título Senhor foi concedido a Jesus por Deus o Pai. É o “nome que está acima de todo nome”, sobre o qual Paulo fala em Filipenses 2.9.

FILHO DO HOMEM. Este é um dos mais fascinantes títulos dados a Jesus e talvez o que é mais frequentemente mal-interpretado. Devido ao fato de que a Igreja confessa a dupla natureza de Jesus, que ele é verdadeiramente homem e verdadeiramente Deus, e porque a Bíblia descreve Jesus como Filho do Homem e Filho de Deus, é tentador concluir que Filho do Homem refere-se à humanidade de Jesus e Filho de Deus refere-se à sua divindade. Esse, entretanto, não é exatamente o caso. Embora o título, Filho do Homem, inclua um elemento de humanidade, sua referência primária é à natureza divina de Jesus. O título, Filho de Deus, também inclui uma referência à divindade, mas sua ênfase primária é sobre a obediência de Jesus como filho.

Este título, Filho do Homem, tem ainda mais importância quando compreendemos que, embora esteja em terceiro lugar (bem embaixo na lista), em termos de frequência de uso no Novo Testamento (atrás de Cristo e Senhor), está em primeiro lugar (com uma grande margem) nos títulos que Jesus usava para referir-se a si próprio. Filho do Homem é a designação mais favorita de Jesus para si mesmo.

A importância deste título é tirada da sua ligação com o uso que Daniel fez dele no Antigo Testamento (Dn 7). Ali, Filho do Homem claramente referia-se a um ser celestial que agia como um Juiz cósmico. Nos lábios de Jesus o título não é um exercício de falsa humildade, mas uma ousada reivindicação de autoridade divina. Jesus alegou, por exemplo, que o Filho do Homem tinha autoridade para perdoar pecados (Mc 2.10), uma prerrogativa divina, e era Senhor do sábado (Mc 2.28).

LOGOS. Nenhum título de Jesus despertou mais intenso interesse filosófico e teológico nos primeiros três séculos do que o títulos Logos. O Logos era central no desenvolvimento da Cristologia da Igreja Primitiva. O prólogo do Evangelho de João é crucial para este entendimento cristológico do Logos. João escreve: “No princípio era o Verbo (Logos), e o Verbo (Logos) estava com Deus, e o Verbo (Logos) era Deus” (Jo 1.1).

Nesta passagem notável, o Logos é tanto distinto de Deus (“estava com Deus”), quanto identificado com Deus (“era Deus). Este paradoxo teve grande influência no desenvolvimento da doutrina da Trindade, em que o Logos é visto como a Segunda Pessoa da Trindade. Ele difere em pessoa do Pai, mas é um em essência com o Pai.

É fácil de entender por que os filósofos cristãos foram atraídos pelo conceito do Logos como um título de Jesus. Embora o termo possa ser traduzido simplesmente como “palavra”, ele tinha um histórico de utilização como termo técnico na filosofia o qual deu ao Logos um significado muito rico. Os antigos gregos preocupavam-se com o sentido do universo e por isso se engajaram numa busca pela “realidade suprema” (metafísica). Eles buscavam o fator unificador ou o poder que traria a ordem e a harmonia na amplamente diversificada esfera da criação (cosmologia). Os filósofos procuravam por uma nous (mente) à qual (ou a quem) poderiam atribuir a ordem de todas as coisas. A essa realidade suprema unificadora os gregos deram o nome de Logos. Ela proporcionaria a coerência ou a “lógica” da realidade. O conceito foi usado por Heráclito e posteriormente pela filosofia Estóica, na qual era usada como uma lei cósmica e abstrata.

Embora desta maneira o termo fizesse parte da bagagem da filosofia grega anterior ao Cristianismo, o uso bíblico do Logos vai muito além do uso grego. Em Gênesis 1.3 e seguintes, a Bíblia diz: “Disse Deus… e assim se fez”. Desta maneira, foi por meio da Palavra de Deus que a criação veio à existência. O que distancia o conceito do Logos da filosofia grega, de maneira mais significativa, contudo, é que o Logos do Novo Testamento é pessoal – a Palavra é uma pessoa divina e tornou-se um homem, o qual viveu e morreu em nosso mundo.

Esboço:

  1. Messias significa “ungido” e é usado como um título de Jesus indicando seu papel tanto como Rei como Servo Sofredor. Messias é o título usado com mais frequência referindo-se a Jesus.
  2. Senhor é o segundo título usado com mais frequência para Jesus e refere-se à sua autoridade suprema como Soberano do universo.
  3. Filho do Homem é o título que o próprio Jesus usava com mais frequência referindo-se a si mesmo. Este título refere-se primariamente ao papel de Jesus como Juiz de todo o cosmos.
  4. O título Logos tem uma rica herança tanto da cultura grega como da judaica. Jesus é o Logos – o Criador do universo, a realidade suprema por trás dele e aquele que está constantemente sustentando-o.

Bibliografia: Verdades Essenciais da Fé Cristã de R. C. Sproul/ Editora Cultura Cristã

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DE JERUSALÉM AO BRASIL

Parte V



A Chegada do Evangelho ao Brasil



Os seguidores de Lutero e Calvino se espalharam imediatamente por toda a Europa. Dentro de poucos anos França, Países Baixos, Escócia e Inglaterra foram alcançados pelos pregadores do evangelho. A seguir os pregadores vieram para o continente americano. E assim o evangelho chegou também ao Brasil. A primeira tentativa de implantação da igreja evangélica em nosso país foi feita pelos franceses, que invadiram o Rio de Janeiro em 1557. Eles pretendiam fundar aqui uma colônia cujo nome seria França Antártica. O grupo era composto por católicos e huguenotes (nome dos presbiterianos franceses). A colônia devia caracterizar-se pela tolerância religiosa. Três pastores acompanhavam o grupo, com o objetivo de dar assistência religiosa aos colonos e pregar o evangelho aos nativos. A invasão fracassou e eles foram expulsos em 1567.



Uma segunda tentativa foi feita com os holandeses, que invadiram o nordeste de nosso país. Em 1624 uma esquadra holandesa chegou a Salvador, na Bahia, onde ficou até março de 1625. Expulsos da Bahia, os holandeses se organizaram e invadiram Pernambuco em 1630. Em 1654 eles foram definitivamente expulsos de nosso país, e as igrejas evangélicas que eles haviam implantado no nordeste desapareceram.



Apartir de 1808, com a abertura dos portos decretada por Dom João VI, começaram a chegar os imigrantes. Esse processo de imigração se intensificou a partir de 1850. Muitos desses imigrantes eram evangélicos, e vinham acompanhados de pastores para dar-lhes assistência religiosa. Mas o catolicismo era a religião oficial, e qualquer outra religião era proibida. Por isso, os pastores estavam proibidos de pregar aos brasileiros.



Em 1840 Dom Pedro II iniciou o seu reinado. O imperador era bastante liberal e assim houve uma abertura para a vinda de missionários para pregar aos brasileiros. O primeiro a chegar foi Robert R. Kalley, escocês, médico missionário. Ele chegou em 1855, procedente da Ilha da Madeira, onde havia enfrentado tremenda perseguição. A seguir chegou Ashbel Greem Simonton, missionário presbiteriano.



Simonton chegou ao Rio de Janeiro no dia 12 de agosto de 1859. Tinha apenas 26 anos de idade. Era formado pelo Seminário de Princeton e ordenado pastor pelo Presbitério de Carlisle. Embora tivesse estudado português em Nova York, Simonton não tinha domínio de nossa língua suficiente para pregar aos brasileiros. Por isso, enquanto aprendia melhor o português, ele se dedicava ao trabalho de evangelização dos estrangeiros que aqui residiam ou que por aqui passavam.



No dia 22 de abril de 1860, Simonton dirigiu o primeiro trabalho em português. Era uma escola dominical. A assistência total somava cinco pessoas: três crianças e duas moças. Dois anos depois, recebia os dois primeiros membros: um norte-americano e um português. Simonton faleceu em São Paulo, no dia 8 de dezembro de 1867. Mas o trabalho de evangelização e organização de igrejas continuou.



Os missionários metodistas chegaram em 1878; e os batistas em 1882. Felizmente, hoje a igreja evangélica está presente em todas as partes de nosso país.





CONCLUSÃO



“Edificarei a minha igreja” – disse Jesus – “e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16.18). Homens fraudulentos e a influência do mundo pagão desviaram a igreja dos ensinos de Jesus. Mas sempre existiram servos fiéis, que não se conformavam com o erro e clamavam por um reforma. Lutero deu início ao movimento vitorioso. Outros continuaram seu trabalho. E assim surgiu a igreja evangélica.

Cada igreja cristã é um lado visível da invisível Igreja de Cristo. Uma igreja local é uma organização eclesiástica. Como organização, ela necessita de princípios e normas para se conduzir. Mas a igreja é mais do que uma simples organização. Ela é um organismo. É o corpo de Cristo. “Ora vós sois corpo de Cristo; e, individualmente, membros desse corpo” (1 Co 12.27).

Jesus Cristo é a cabeça do corpo, da igreja. Por isso cada membro, como parte desse corpo, deve ser obediente ao Senhor Jesus Cristo.

Publicado por: Pr. Alexandre R. de Souza

Bibliografia: Fundamentos da Fé Cristã/Adão Carlos Nascimento/Editoa SOCEP

DE JERUSALÉM AO BRASIL
Parte IV

João Calvino (1509-1564)

O homem responsável pela sistematização doutrinária e pela expansão do protestantismo reformado foi João Calvino. O “pai do protestantismo reformado” é Zwínglio. Mas o homem que moldou o pensamento reformado foi João Calvino.

João Calvino nasceu em Noyon, Picardia, França, no dia 10 de julho de 1509. Seu pai, Geraldo Calvino, era advogado e secretário do bispado de Noyon. Sua mãe, Jeanne le Franc, faleceu quando ele tinha três anos de idade.

A família Calvino tinha amizade com pessoas importantes. E a convivência com essas famílias levou João Calvino a aprender as maneiras polidas da elite daquela época.

Geraldo Calvino usou o seu prestígio junto ao bispado para conseguir a nomeação de seus filhos para cargos eclesiásticos, conforme os costumes daquela época. Antes de completar doze anos, João Calvino foi nomeado capelão de Lá Gesine, próximo de Noyon. Não era padre, mas seu pai pagava um padre para fazer o trabalho de capelania e guardava os lucros para o filho. Mais tarde essa capelania foi trocada por outra mais rendosa.

Em agosto de 1523, logo depois de ter completado 14 anos, João Calvino ingressou na Universidade de Paris. Ali ocmpletou seus estudos de pré-graduação no começo de 1528. A seguir foi para a Universidade de Orléans onde formou-se em Direito.

Em maio de 1531 faleceu Geraldo Calvino. E João, que estudara Direito para satisfazer o pai, resolveu tornar-se pequisador no campo de literatura e filosofia. Para isto, matriculou-se no Colégio da França, instituição humanista fundada pelo rei Francisco I. Estudou Grego, Latim e Hebraico. Tornou-se profundo conhecedor dessas línguas.

Em 1532 João Calvino lançou o seu primeiro livro: Comentários ao Tratado de Sêneca sobre a Clemência. Os intelectuais elogiaram muito a obra. Era um trabalho de grande erudição. Mas o público ignorou o lançamento – poucos compraram o livro.

João Calvino converteu-se a Jesus Cristo entre abril de 1532 e o início de 1534. Não se sabe detalhes da sua experiência. Mas a partir daí Deus passou a ocupar o primeiro lugar em sua vida.

No dia 1º de novembro de 1533 Nicolau Cop, amigo de Calvino, tomou posse como reitor da Universidade de Paris. O seu discurso de posse falava em reformas, usando linguagem semelhante às idéias de Lutero. E o comentário geral era que o discurso tinha sido escrito por Calvino. O rei Francisco I resolveu agir contra os luteranos. Calvino e Nicolau Cop foram obrigados a fugir de Paris.

No dia 4 de maio de 1534 Calvino compareceu ao palácio do bispo de Noyon, a fim de renunciar ao cargo de capelão. Foi preso, embora por um período curto. Libertado logo depois, achou melhor fugir do país. E no final de 1535 chegava a Basiléia cidade protestante, onde se sentiu seguro.

Em março de 1536 Calvino publicou a sua mais importante obra – Instituição da religião Cristã. O prefácio da obra era uma carta dirigida ao rei da França, Francisco I, defendendo a posição protestante. Mas a Instituição era apenas uma apresentação ordenada e sistemática da doutrina e da vida cristã. A edição definitiva só foi publicada em 1559.

A Instituição da Religião Cristã, conhecida como Institutas de Calvino, é a mais completa e importante obra produzida no período da Reforma.

Em Julho de 1536 Calvino chegou a Genebra. A cidade tinha se declarado oficialmente protestante no dia 21 de maio daquele ano. E Guilherme Farel lutava para reorganizar a vida religiosa da cidade.

Calvino estava hospedado em uma pensão, quando Farel soube que ele estava na cidade. Foi ao seu encontro e o convenceu a permanecer ali para ajudá-lo na reorganização da cidade.

Calvino era bem jovem – tinha apenas 27 anos. A publicação das Institutas fizera dele um dos mais importantes líderes da Reforma na França. Mas o seu início em Genebra foi muito modesto. Inicialmente ele era apenas um preletor de Bíblia. Um ano depois foi nomeado pregador. Mas enquanto isso elaborava as normas que pretendia implantar e fazer de Genebra uma comunidade modelo.

João Calvino teve muitos adversários e opositores em Genebra. À medida que ele ia apresentando as normas que pretendia implantar na cidade, a fim de torná-la uma comunidade modelo, a oposição ia crescendo. Finalmente a oposição venceu as eleições. E no dia 23 de abril de 1538, Calvino e Farel foram banidos de Genebra.

Calvino foi para Estrasburgo, onde pastoreou uma igreja constituída de refugiados franceses. Ali viveu os dias mais felizes de sua vida. Casou-se. A escolhida se chamava Idelette de Bure. Era holandesa. E viúva.

Genebra, enquanto isso, passava por várias mudanças. Os adversários de Calvino foram derrotados. E, no dia 13 de setembro de 1541, ele entrava novamente em Genebra. Voltava por insitência de seus amigos. Voltava fortalecido. E, enfim, pôde reorganizar a vida religiosa da cidade.

Calvino introduziu o estudo do seu catecismo, o uso de uma nova liturgia, um governo eclesiático presbiterial, disciplinou a vida civil, estabeleceu normas para o funcionamento do comércio e fez de Genebra uma cidade modelo.

No dia 29 de março de 1549 Idelette faleceu. Mas Calvino continuou o seu trabalho. Pesquisava, escrevia comentários bíblicos e tratados teológicos, administrava, pastoreava, incentivava.

Em 1559 fundou a Academia Genebrina – a Universidade de Genebra. Jovens de vários países vieram estudar ali e levaram a semente do evangelho na volta à sua terra. Esses jovens se espalharam pela França, Países Baixos, Inglaterra, Escócia, Alemanha e Itália.

João Calvino faleceu em Genebra, no dia 27 de maio de 1564. Mas a sua obra permaneceu viva.


Publicado por: Pr. Alexandre R. de Souza
Bibliografia: Fundamentos da Fé Cristã/Adão Carlos Nascimento/Editoa SOCEP

DE JERUSALÉM AO BRASIL
Parte III



Úlrico Zwínglio (1484-1531)



Paralela á reforma de Lutero, surgiu na Suíça um reformador chamado Úlrico Zwínglio.Era mais novo do que Lutero apenas 50 dias, mas tinha formação e idéias diferentes do reformador alemão.



Úlrico Zwínglio nasceu na Suíça, no dia 1 de Janeiro de 1484.Seu pai era magistrado provincial.Sua família tinha uma boa posição social e financeira, o que lhe permitiu estudar em importantes escolas da época.Estudou na Universidade de Viena, de Basiléia e de Berna.Graduou-se Bacharel e Artes, em 1504, e Mestre dois anos depois.

Em 1506 Zwínglio tornou-se padre, embora o seu interesse pela religião fosse mais intelectual do que espiritual.



Em 1520 Zwíngnlio passou por uma profunda experiência espiritual, causada pela morte de um irmão querido.Dois anos depois iniciou um trabalho de pregação de evangelho, baseando-se tão somente na Escritura Sagrada.O Papa Adriano V1 proibiu-o de pregar poucos meses depois, o governo de Zurique, na Suíça, resolveu apoiar Zwínglio e ordenou que ele continuasse pregando.



Em 1525 Zwínglio casou-se com uma viúva chamada Ana Reinhard. Nesse mesmo ano Zurique tornou-se, oficialmente, protestante. Outros cantões (estados) suíças também aderira ao protestantismo.As divergências entre estes cantões e os que permaneceram fiéis a Roma iam-se aprofundando.

Em 1531 estourou a guerra entre os cantõe católicos e os protestantes. Zwínglio, homem de gênio forte, também foi para o campo de batalha, onde morreu no dia 11 de Outubro de 1531.



Zwínglio morreu, mas o movimento iniciado por ele não morreu. Outros líderes deram continuidade ao seu trabalho. Suas idéias foram reestudadas e aperfeiçoadas.



As igrejas que surgiram como resultado do movimento iniciado por Zwínglio são chamadas de igrejas reformadas em alguns países, e igrejas presbiterianas em outros.



Dentre os líderes que levaram avante o movimento iniciado por Zwínglio destacam-se Guilherme Farel e João Calvino
.



Guilherme Farel (1489-1565)



Guilherme Farel nasceu em Gap, província francesa do Delfinado, no ano de 1489. Os seus biógrafo o descrevem como um pregador valente e ousado. Embora sua família fosse aristocrática, ele era rude e tosco. Sua eloqüência era como uma tempestade.



Farel converteu-se em Paris. O homem que o levou a Jesus Cristo era seu professor na Universidade e se chamava Jacques LeFévre. Parece que Farel inicialmente não pretendia deixar a Igreja Católica, pois em 1521 ele iniciou um trabalho de pregação sob a proteção do bispo de Meaux Guilherme Briçonnet. Mas logo depois foi proibido de pregar e expulso da França, acusado de estar divulgando idéias protestantes.



Em 1524 estava em Basiléia fazendo as suas pregações. Mas a sua impetuosidade o levou a ser expulso da cidade.



Em 1526 Farel iniciou o seu trabalho de pregação na Suíça de fala francesa. Ligou -se aos seguidores de Zwínglio. Conseguiu implantar o protestantismo em cantões (estados) suíços. E em 1532 entrou em Genebra pela primeira vez. Sua pregação causou tumulto na cidade. Teve que se retirar… Mas voltou logo depois. E no dia 21 de maio de 1536, a Assembléia Geral declarou a cidade oficialmente protestante.



Mas Genebra aceitava o protestantismo mais por razões políticas que espirituais. E agora Farel tinha grande tarefa pela frente: reorganizar a vida religiosa de cidade.



Guilherme Farel era um homem telhado para conquistar uma cidade para o protestantismo. Mas perdia se completamente no trabalho que vinha a seguir. Não sabia planejar, nem organizar, nem liderar, nem pastorear. Mas, felizmente, conhecia suas limitações e convidou João Calvino para reorganizar a vida religiosa de Genebra.



No dia 23 de abril de 1538, Farel e Calvino foram expulsos da cidade. Calvino foi para Estrasburgo, onde pastoreou uma igreja formada por refugiados franceses. Farel foi para Neuchâtel, uma cidade que havia sido conquistada por ele para o Evangelho. Calvino voltou para Genebra em 1541. Farel permaneceu em Neuchâtel, onde faleceu em 1565, com 76 anos de idade.

Publicado por: Pr. Alexandre R. de Souza

Bibliografia: Fundamentos da Fé Cristã/Adão Carlos Nascimento/Editoa SOCEP

DE JERUSALÉM AO BRASIL
Parte II

A REFORMA PROTESTANTE

A partir do ano 1300, o mundo ocidental experimentou um sentimento crescente de nacionalismo. Os povos não queriam sujeitar-se a Roma. Aspiravam ver surgir uma igreja nacional. Esse clima favoreceu o surgimento dos Precursores da Reforma. Eram homens cultos, de vida exemplar, que tinham prazer na leitura e na exposição da Bíblia Sagrada. São chamados precursores porque antecederam aos reformadores e, principalmente, porque não conseguiram superar o legalismo religioso – não descobriram a graça salvadora. Queriam fazer alguma coisa para alcançar a salvação, quando a Bíblia declara: “Pela graça sois salvos, mediante a fé: e isto não vem de vós, é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie” (Ef 2.8-9).

Os principais precursores da Reforma foram: João Wyclif (1328?-1384), professor na Universidade de Oxford, na Inglaterra; João Huss (1373?-1415), professor na Universidade de Praga, que foi queimado por causa de sua fé; e Girolano Savonarola (1452-1498), monge dominicano, que foi enforcado e queimado por ordem do papa Alexandre VI, em Florença, na Itália.

Além dos movimentos liderados pelos Precursores da Reforma, ocorreram outras tentativas de reformar a igreja, mas sem êxito. No século XVI a situação era bastante propícia a uma reforma da igreja. A Europa estava no limiar de uma nova época política e social. Gutemberg revolucionara o processo de impressão de livro; Colombo descobrira a América… E o descontentamento com a igreja persistia. Tudo isso preparava o terreno para a reforma. E Lutero foi o homem que Deus levantou para desencadear o movimento que resultou na Reforma Religiosa do Século XVI.

MARTINHO LUTERO (1483-1546)

Martinho Lutero nasceu no dia 10 de novembro de 1483. Sua família era pobre e ele lutou com muita dificuldade para estudar. Preparava-se para ingressar no curso de Direito, quando resolveu tornar-se monge. Entrou para o mosteiro agostiniano de Erfurt, em 1505, antes de completar 22 anos de idade. Dois anos depois foi ordenado sacerdote. No ano seguinte foi para Wittenberg preparar-se para ser professor na recém-criada universidade daquela cidade. Foi lá que Lutero dedicou-se ao estudo das Escrituras. E ao estudar a Epístola aos Romanos, descobriu que “O justo viverá por fé” (Rm 1.17). Ele já havia feito tudo que a igreja indicava para alcançar a paz com Deus. Mas sua situação interior só piorava. Ao descobrir a graça redentora, entregou-se a Jesus Cristo, pela fé, e encontrou a paz e a segurança de salvação.

No dia 31 de outubro de 1517, Martinho Lutero afixou, na porta da capela de Wittenberg, as suas 95 teses. Era o início da Reforma. Lutero tentou reformar a Igreja, mas Roma não quis se reformar. Antes o perseguiu violentamente. Em 1521 ele foi excomungado. Neste mesmo ano teve que se esconder durante 10 meses no castelo de Warburbo, perto de Eisenach, para não ser morto. Depois voltou para Wittenberg, de onde comandou a expansão do movimento de reforma. Lutero faleceu em Eislebem, no dia 18 de fevereiro em 1546.

Publicado por: Pr. Alexandre R. de Souza
Bibliografia: Fundamentos da Fé Cristã/Adão Carlos Nascimento/Editoa SOCEP

DE JERUSALÉM AO BRASIL
Parte I
Atos 20.17-32

A Igreja de Cristo é invisível, não pode ser discernida pelos olhos físicos porque é essencialmente espiritual. O seu rol de membros é o livro da vida (Lc 10.20; Ap 20.15; 21.27). Mas a Igreja de Cristo tem, também, um lado visível, que são as comunidades de crentes, as igrejas locais, organizadas e compostas pelos servos de Jesus Cristo. “Justamente como a alma humana se adapta a um corpo e se expressa por meio do corpo, assim a igreja invisível, que consiste, não de almas, mas de seres humanos que têm alma e corpo, assume necessariamente forma visível numa organização externa, por meio da qual se expressa”.
A igreja visível foi fundada pelos apóstolos e se ramificou em vários grupos.

A IGREJA PRIMITIVA

Historicamente a igreja cristã nasceu no dia de Pentecostes. A princípio ela era considerada apenas uma seita do judaísmo (At 24.14; 28.22). Mas, com o passar do tempo, adquiriu identidade própria.

Os cristãos foram violentamente perseguidos pelos judeus e pelos romanos. A perseguição, contudo, ajudava a igreja. Os crentes tornavam-se mais ousados, e os falsos cristãos não suportavam a pressão e saíam. Assim a igreja ia, ao mesmo tempo, se fortalecendo e se purificando.

No século IV cessaram as perseguições. No ano 313, Constantino e Licínio, concorrentes ao trono imperial, se encontraram e assinaram o Edito de Milão, concedendo plena liberdade ao cristianismo. Em 323 Constantino finalmente derrotou Licínio, tornando-se o único governante do mundo romano. Com seu tino político sentiu a necessidade de unificar o Império. “Havia uma só lei, um só imperador e uma única cidadania para todos os homens livres. Era necessário que houvesse também uma só religião”. E o cristianismo passou a ter proteção do Império Romano.

A partir daí, a igreja cristã passou a receber um grande número de adesões. Muitas pessoas, sem a verdadeira conversão, entraram para a igreja. A atuação de tais pessoas influência do mundo pagão levaram a igreja a adotar doutrinas e práticas que se chocam brutalmente com os ensinos bíblicos. Eis alguns exemplos: no ano 375 foi instituído o culto aos santos; no ano 431, instituiu-se o culto a Maria, a partir do Concílio de Éfeso, cidade em que pontificava a grande Diana dos Efésios, divindade feminina pagã; em 503 surgiu a doutrina do purgatório; em 783 foi adotada a adoração de imagens e relíquias; em 1090, inventou-se o rosário; em 1229 foi proibida a leitura da Bíblia. Há muitas outras inovações que seria longo mencionar aqui.

Algumas pessoas afirmam que a igreja organizada pelos apóstolos é a Igreja Católica Romana. Quanto a isto devemos esclarecer o seguinte:

  • A igreja dos apóstolos não adotou nenhum nome específico. Ela é chamada no Novo Testamento simplesmente de Igreja. Historicamente ela é denominada Igreja Primitiva, por ter sido a primeira.
  • O sistema de governo e a organização da Igreja Primitiva, suas doutrinas e sua liturgia, eram bem diferentes do que é praticado pela Igreja Católica Romana.
  • A verdade é que a Igreja Católica Romana surgiu das transformações ocorridas na Igreja Primitiva. Transformações que, lamentavelmente, só afastaram a igreja dos ensinos de Jesus Cristo.

As heresias mencionadas, aliadas à corrupção e imoralidade do clero, levaram a igreja a perder suas principais características de igreja cristã. Mas ainda existiam pessoas sinceras, tementes a Deus, que clamavam por uma reforma.

Publicado por: Pr. Alexandre R. de Souza
Bibliografia: Fundamentos da Fé Cristã/Adão Carlos Nascimento/Editoa SOCEP

joão 1.1-18; Colossenses 1.15-19; Hebreus 1.1-14
A referência bíblica a Jesus como “o unigênito do Pai” (Jo 1.14) tem provocado grandes controvérsias na história da Igreja. Devido ao fato de Jesus ser chamado também de “o primogênito de toda a criação” (Cl 1.15), tem-se argumentado que a Bíblia ensina que ele não é divino, e, sim, uma criatura exaltada.

As Testemunhas de Jeová e os Mórmons negam a divindade de Cristo apelando para esses conceitos. É principalmente devido a essa negação da divindade de Cristo que esses grupos são considerados como seitas e não como denominações cristãs.

A divindade de Cristo tornou-se uma questão crucial no século IV, quando o herege Ário negou a Trindade. O principal argumento dele contra a divindade de Cristo antecipou os argumentos atuais das Testemunhas de Jeová e dos Mórmons. Ário foi condenado como herege no Concílio de Nicéia no ano 325 d.C.

Ário alegava que a palavra grega traduzida por “unigênito” significa “acontecer”, “tornar-se”, ou “começar a ser”. Aquilo que é gerado deve ter um início no tempo. Tem de ser finito com relação ao tempo, que é um sinal da condição de criatura. Ser o “primogênito de toda a criação” pressupõe o nível supremo da condição de criatura, uma categoria mais que os anjos, mas não vai além do nível de criatura. Adorar uma criatura é praticar idolatria. Nenhum anjo, nem qualquer outra criatura é digna de adoração. Ário via a atribuição de divindade a Jesus Cristo como uma blasfêmia e rejeição do monoteísmo bíblico. Para Ário, Deus deve ser considerado como “um”, tanto no ser como em pessoa.

O Credo de Nicéia reflete a resposta da Igreja à heresia ariana. Confessa que Jesus era “gerado, não criado”. Nesta fórmula simples a Igreja demonstrava zelo em se proteger contra a idéia de interpretar o termo unigênito significando ou implicando uma condição de criatura.

Alguns historiadores têm falhado em relação ao Concílio de Nicéia, engajando-se na defesa especial ou no exercício de ginástica mental ao fugirem do signifcado claro e simples da palavra grega, unigênito, e da frase “primogênito de toda a criação”. A Igreja, porém, não fugiu arbitrariamente do significado simples desses termos. Havia bases justificáveis para proteger o termo unigênito com o qualificativo “não criado”.

Primeiro, a Igreja estava procurando entender esses termos no contexto total do ensino bíblico concernente à natureza de Cristo. Convencida de que o Novo Testamento claramente atribui divindade a Cristo, a Igreja se pôs contra lançar uma parte das Escrituras contra outra.

Segundo, embora o Novo Testamento fosse escrito na língua grega, a maioria das formas de pensamentos e conceitos está saturada de significados hebraicos. Os conceitos hebraicos são expressos por meio do veículo da língua grega. Este fato soa como uma advertência contra a interpretação muito literal com base nas difíceis nuanças do grego clássico. Assim como João usa o termo logos para referir-se a Jesus, seria um erro saturar esse termo exclusivamente com as idéias gregas associadas ao uso da palavra.

Terceiro, o termo unigênito é usado numa forma modificada no Novo Testamento. Em João 1.14 Jesus é referido como “o unigênito do Pai”. Em algumas traduções, em João 1.18 ele é chamado novamente de o “Filho unigênito”. Existem evidências significativas nos manuscritos que sugerem que o original grego dizia “o Deus unigênito”. Tivesse esse texto sido aceito, acabaria o debate. Entretanto, se tratarmos o texto como redigido “o Filho unigênito”, ainda teremos um modificador crucial. Jesus é chamado o único gerado (gr., monogenais). O prefixo mono no grego é mais forte do que a palavra único em nosso idioma. Jesus é absolutamente singular em sua genitural. Ele é o único gerado. Ninguém ou nenhum outro é gerado no sentido como Jesus o foi. O fato de a Igreja falar sobre Jesus como o eterno unigênito é uma tentativa de fazer justiça a isso. O Filho procede eternamente do Pai, não como criatura, mas como a Segunda Pessoa da Trindade.

O livro de Hebreus, que também refere-se a Jesus como sendo “gerado” (Hb 1.5), talvez seja a epístola que nos fornece a mais elevada Cristologia encontrada no Novo Testamento. O único livro que rivaliza com Hebreus nesse aspecto é o Evangelho de João. É João quem claramente chama Jesus de “Deus”. Também é João quem fala de Cristo como o “unigênito”.

Finalmente, a frase “primogênito de toda criação” deve ser entendida à luz do contexto da cultura judaica do século I. Deste ponto de vista, podemos ver que o termo primogênito refere-se à condição exaltada de Cristo como o herdeiro do Pai. Assim como o filho primogênito geralmente recebia a herança patriarcal, assim Jesus, como o divino Filho, recebe o reino do Pai como sua herança.

Esboço:

  1. O fato de Jesus ser chamado “o unigênito do Pai” e de “primogênito de toda a criação” tem criado controvérsias na história da Igreja quanto à sua divindade.
  2. Testemunhas de Jeová e os Mórmons usam tais passagens para negar a divindade de Cristo.
  3. O Credo de Nicéia claramente expressa que Jesus era “gerado, não criado”. Essa distinção cuidadosa era um reflexo da afirmação do Novo Testamento da divindade de Cristo.
  4. Jesus é chamado “o unigênito” do Pai. Jesus é o único gerado do Pai, não como criatura, mas como o eterno Filho de Deus, a Segunda Pessoa da Trindade.
  5. O termo primogênito deve ser entendido à luz do contexto do judaísmo do século I. Jesus é o “primogênito de toda a criação” no sentido em que ele é o herdeiro de tudo aquilo que pertence ao Pai.

Publicado por: Pr. Alexandre R. de Souza
Bibliografia: Verdades Essenciais da Fé Cristã de R. C. Sproul/ Editora Cultura Cristã


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