Kerygma

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Autor: A conclusão de que Moisés escreveu Levítico procede do caráter interno do próprio Levítico e do Pentateuco como um todo, além de referências do Antigo e Novo Testamento que apontam Moisés como autor do Pentateuco. Para uma discussão mais completa das questões relativas à autoria mosaica, ver “Introdução ao Pentateuco”

Data e Ocasião: Levítico relata, do início ao fim, as palavras de Deus a Moisés e ao seu irmão Arão, mas jamais informa quando e como essas palavras foram escritas. A data exata em que Levítico foi escrito permanece um tanto incerta, embora tenha ocorrido, sem dúvida, durante a peregrinação no deserto antes da morte de Moisés (c. 1406 a.C.). A maioria dos exegetas críticos situa a redação de Levítico na era pós-exílica (em torno do século VI a.C.), muitos séculos depois de Moisés. No entanto, esta opinião é improvável porque o conteúdo de Levítico não se ajusta a este período tardio: o culto do segundo templo difere de modo significativo do que é apresentado em Levítico. Além disso, Levítico é pressuposto ou citado em livros mais antigos, tais como Deuteronômio, Amós e, de forma mais evidente, Ezequiel. Outros argumentos contra a origem de Levítico na época de Moisés também não são convicentes. O livro reflete os ideais de culto e santidade que eram aceitos em Israel desde o tempo de Moisés até a queda de Jerusalém em 587/86 a.C.

Características e Temas: Nenhum outro livro no Antigo Testamento representa um desafio maior ao leitor moderno do que Levítico, sendo necessário um pouco de imaginação para visualizar o quadro das cerimônias e dos rituais que formam o grosso do livro. Contudo, é importante procurar compreender os rituais de Levítico por duas razões. Primeiro, porque os rituais conservam, expressam e ensinam as idéias e os valores mais caros de uma sociedade. Analisando as cerimônias descritas em Levítico, podemos descobrir o que era mais importante aos israelitas do Antigo Testamento. Em segundo lugar, as mesmas idéias aqui presentes são fundamentais para os escritores do Novo Testamento. Em especial, os conceitos de pecado, sacrifício e expiação encontrados em Levítico são usados no Novo Testamento para interpretar a morte de Cristo.

É exatamente a centralidade dos rituais de Levíticos para o pensamento do Antigo Testamento que faz com que eles sejam, muitas vezes, obscuros para nós, já que os escritores não precisavam explicá-los aos seus contemporâneos. Todo israelita sabia porque um sacrifício específico era oferecido em uma determinada ocasião e o que certo gesto significava. Para nós, porém, os mínimos detalhes no texto precisam ser tomados em consideração para compreendermos tais assuntos, e um leitura perspicaz por entre as linhas, às vezes, se faz necessária.

Levítico é parte da lei da aliança dada no Sinai. As idéias expressas em toda a aliança sinaítica, inclusive a graça soberana de Deus em escolher Israel e as suas exigências morais, são aqui pressupostas. Alguns temas são especialmente proeminentes em Levítico. Primeiro, Deus está presente com o seu povo. Segundo, porque Deus é santo, o seu povo também deve ser santo (11.45). Uma vez que o homem é pecador, ele não pode habitar com o Deus santo. O contato entre o pecador e a santidade divina pode resultar em morte. Daí ser de máxima importância a expiação pelo pecado através da oferta de sacrifício. Esses temas podem ser descritos como segue:

1. A Presença Divina: Cada ato de culto é realizado “para o Senhor” (p. ex. 1.2), que habita com o seu povo na tenda da congregação. Porque Deus está presente no Santo dos Santos, a entrada ali é vedada a todos, com exceção do sumo sacerdote uma vez por ano, no Dia da Expiação (16.17). Embora a presença de Deus seja normalmente invisível, ele pode manifestar a sua glória em ocasiões especiais como, por exemplo, na ordenação dos sacerdotes (9.23-24). A maior das dádivas de Deus é que ele condescendeu em habitar com o seu povo.

2. Santidade: O propósito de Levítico está resumido em 11.45 “Portanto, vós sereis santos, porque eu sou santo“. O homem deve ser como Deus em seu caráter. Isso implica em imitar a Deus na vida diária. A santidade de Deus envolve a sua existência como a fonte da vida perfeita nas suas dimensões física, espiritual e moral. Animais oferecidos a Deus em sacrifício precisam ser livres de manchas (1.3) e os sacerdotes, que representam Deus diante do homem e o homem diante de Deus, não podem ter defeitos físicos (21.17-23). Aqueles que sofrem de fluxos, especialmente hemorragia, ou que estão afetados com doenças que desfiguram a pele são vedados do culto até que sejam curados (12-15). A saúde física é entendida como um símbolo da perfeição da vida divina. Mas santidade é também uma questão interior relativa a atitudes que se manifestam em conduta moral. O tema da santidade é enfatizado especialmente nos caps. 17-25, os quais estão preocupados principalmente com conduta ética pessoal, resumida em 19.18, “amarás o teu próximo como a ti mesmo”.

3. Expiação através do Sacrifício: Uma vez que o homem falhou em viver de acordo com as exigências justas de Deus, um meio de expiação tornou-se essencial para que tanto as suas faltas morais como as suas imperfeições físicas pudessem ser perdoadas. Para esse fim, Levítico oferece descrições extensivas e pormenorizadas do sistema sacrificial (caps. 1-7), do papel dos sacerdotes (caps 8-10; 21-22) e das grandes festas nacionais (caps 16; 23; 25) encontradas no Antigo Testamento. Essas grandes cerimônias foram instituídas para tornar possível a coexistência do Deus santo com o seu povo pecador.

Por meio dos símbolos e ritos que descreve, Levítico desenha um quadro do caráter de Deus, o qual é pressuposto e aprofundado no Novo Testamento. Levítico ensina que Deus é a fonte da vida perfeita, que ele ama o seu povo e que deseja habitar entre eles. Temos nisso uma antevisão da Encarnação, quando “o Verbo se fe carne e habitou entre nós” (Jo 1.14). Levítico também revela claramente a pecaminosidade do homem: nem bem os filhos de Arão tinham sido ordenados quando então profanaram o seu cargo e morreram em uma demonstração atemorizante do julgamento divino (cap.10). Os que sofrem de doenças de pele ou hemorragias, bem como aqueles que são culpados de pecados morais graves, são excluídos do culto porque as suas imperfeições são incompatíveis com um Deus santo e perfeito (caps. 12-15). Os símbolos de Levítico ensinam a universalidade do pecado humano, uma doutrina endossada por Jesus (Mc 7.21-23) e Paulo (Rm 3.23). Preso entre a santidade divina e a pecaminosidade humana, a maior necessidade do ser humano é a expiação. É aqui que Levítico mais tem a ensinar aos cristãos, pois as suas idéias são retomadas e desenvolvidas pelo Novo Testamento na descrição da morte expiatória de Cristo. Ele é o Cordeiro sacrificial perfeito, que atira o pecado do mundo (Jo 1.29). A sua morte é o resgate em favor de muitos (Mc 10.45). O seu sangue purifica-nos de todo pecado (1 Jo 1.7). Acima de tudo, Jesus é perfeito Sumo Sacerdote, que não entra em tabernáculo terreno uma vez por ano no Dia da Expiação (cap. 16), mas sim, que subiu ao tabernáculo celestial para sempre, não porque ofereceu um simples cordeiro pelos pecados do seu povo, mas deu a sua própria vida (Hb 9.10). O rompimento do véu no templo, quando Jesus foi crucificado, foi uma demonstração visível de que a sua morte abriu o caminho a Deus para todos os crentes (Mt 27.51; Hb 10.19-20). Além do mais, Levítico restringe a salvação à comunidade da antiga aliança. As leis quando ao alimento (cap. 11) e a proibição de misturas (19.19), recordavam aos judeus a sua situação ímpar. Mas o Novo Testamento abre o reino a todas as nações e ab-roga as leis alimentares (Mc 7.14-23; At 10), enquanto, ao mesmo tempo, insiste na separação da igreja em relação ao mundo (Jo 17.16; 2 Co 6.14-7.1). É enquanto o sofredor do Antigo Testamento tinha que esperar até que Deus o curasse (cap. 14), nos evangelhos, Deus, em Cristo, aproximou-se e curou tanto os leprosos como os que sofriam de hemorragias (Lc 8.43-48; 17.12-19). O Deus de Levítico, cujo caráter essencial é apresentado como vida santa, é apresentado nos evangelhos como estando presente em Cristo e em sua obra redentora.

O nome Levítico vem de Leviticus, a forma latina do título grego do livro, e significa “a prespeito dos levitas“. Os levitas eram a tribo de Israel da qual procediam os sacerdotes; eles eram responsáveis pela manutenção do local e das práticas de culto de Israel. O título é pertinente, porque o livro trata basicamente do culto e das condições necessárias para o culto. No entanto, o livro não se destinava somente aos sacerdotes ou levitas, mas também aos israelitas leigos, ensinando-lhes como oferecer sacrifícios como oferecer sacríficios e como vir à presença de Deus no culto. Levítico fala para a humanidade em todas as épocas, lembrando-nos da gravidade de nosso pecado, mas também apontando-nos o sacrifício daquele cujo sangue é muito mais efetivo do que o sangue de touros e cordeiros.

Bibliografia: Bíblia de Genebra

Autor: No Novo Testamento, Jesus chama Êxodo de “o livro de Moisés” (Mc 12.26; cf. 7.10) e não há razões imperativas para a rejeição da autoria mosaica do livro. O título do livro “Êxodo”, deriva-se da palavra grega exodos (Lc 9.31), que significa “saída” ou “partida”. O livro recebe o seu nome a partir do evento central da saída do Egito, registrada nos primeiros quinze capítulos da obra.
Data e Ocasião: Assumindo a autoria mosaica de Êxodo, devemos datar o livro após o acontecimento do êxodo (c. 1450-1440 a.C.) e antes da morte de Moisés, próxima a 1406 a.C. De acordo com a datação abaixo, o nascimento de Moisés teria ocorrido durante o reinado de Tutmés I. Hatsepsute, a rainha viúva de Tutmés II, usou títulos masculinos e até mesmo uma barba quando reinou a partir de 1504-1483 a.C. Talvez fosse ela então o Faraó que já havia falecido quando Moisés retornou de Midiã ao Egito.

Êxodo prossegue com o relato do cumprimento da promessa de Deus a Abraão no sentido de abençoá-lo e dele fazer uma grande nação (Gn 12.2). O livro começa com a descida de Israel ao Egito (1.1-7), o que, em conexão com Gn 46.8-27, vincula o livro às narrativas de Gênesis. A obra termina com Israel no Sinai onde o tabernáculo é concluído. Os acontecimentos registrados no livro podem ser situados no seu contexto histórico, como veremos.

A ascensão de José ao poder (1.5), vincula-se melhor às condições favoráveis para a família de Jacó criadas pelo domínio do Egito pelos hicsos, que também eram semitas (c. 1700-1550 a.C.). A referência em 1.8 a um novo rei “que não conheceu José” refere-se, provavelmente, à expulsão dos hicsos pelo fundador da décima oitava dinastia, Ahmose I (1570-1546 a.C.). Datando o Êxodo em torno de 1450-1440 a.C. (Dificuldades de Interpretação, abaixo), o Faraó da opressão provavelmente foi Tutmés I (1526-1512 a.C.), enquanto o Faraó do Êxodo teria sido Tutmés III (1504-1450 a.C.) ou Amenotepe II (1450-1425 a.C.). Esta datação permitiria uma possível identificação dos imigrantes israelitas com os habiru, um grupo mencionado nas cartas de Tell el-Amarna (correspondência entre o Egito e os seus vassalos siro-palestinos durante o século XIV a.C.). Os habiru eram uma classe social ou ocupacional comumente atestada em textos a partir de 2000 a.C. Eles tornaram-se párias políticos na Palestina (Gn 14.13).

A preservação por escrito das palavras da aliança de Deus tem importância central para a teologia de Êxodo. Deus não apenas verbaliza as suas palavras ao seu povo reunido no Sinai. Ele também lhes dá os seus Dez Mandamentos por escrito, “escritas pelo dedo de Deus” em tábuas de pedras (31.18; cf. 32.15-16; 34.1,28). Os termos da aliança foram apresentados de forma mais detalhada pelo assim chamado “Livro da Aliança” (20.22-23.19), as palavras de Deus registradas por Moisés, o mediador da aliança de Deus (24.4, 7; 34.27).

A aliança do Sinai (19.1-20.21; cap. 24), assemelha-se, tanto na forma como no conteúdo, à forma dos tratados entre estados do segundo milênio a.C., especialmente os tratados entre os estados hititas. Esses tratados incluíam um preâmbulo (20.2), estipulações (20.3-17), ratificação (24.1-11), além de bênçãos e maldições. Uma cópia do tratado era muitas vezes guardada nos santuários e ambas as partes (p. ex., as duas tábuas de 31.18). Igualmente a semelhança do conteúdo das leis casuísticas dos caps. 21-23 em relação aos códigos do antigo Oriente Próximo (particularmente o Código de Hamurábi da Babilônia, em torno de 1750 a.C.) tem sido frequentemente observada.

Dificuldades de Interpretação: A data e a rota do Êxodo têm sido tópicos de considerável debate. A cronologia bíblica data o acontecimento do êxodo em 480 anos antes do reino de Salomão (1 Rs 6.1). Isto colocaria o evento próximo a 1440 a. C. Esta data é coerente com Jz 11.26, que declara haver decorrido trezentos anos desde a entrada de Israel em Canaã. A data próxima de 1440 a. C. é também apoiado por 12.40-41, onde a duração da permanência de Israel no Egito é de 430 anos. O Faraó do Êxodo seria então Tutmés III ou Amenotepe II.

Os defensores duma data bem mais tardia apelam para o nome “Ramsés” (ou “Ramessés”, Gn 47.11) como uma das cidades-celeiros construídas com o trabalho israelita (1.11). Ramsés II (1304-1236 a.C.) é considerado o Faraó do Êxodo, e a data aproximada é fixada em 1270 a.C. Afirma-se que essa interpretação é mais coerente com a arqueologia das cidades destruídas na Palestina e com a ausência de um assentamento mais antigo na Transjordânia ( a região oriental do rio Jordão e do mar Morto). Contudo, descobertas mais recentes na Transjordânia e uma nova avaliação da destruição de Jericó têm enfraquecido o argumento em favor de uma data tardia.

A rota do Êxodo começou em Ramessés. A sua localização exata é objeto de considerável debate, embora a moderna Qantir seja a localidade mais provável (Tel el-Dabá). Dali, os hebreus peregrinaram para o sul até Sucote (13.20). Aqui, aparentemente sem condições de continuar em frente, os hebreus desviaram-se para o norte (14.2). Três lugares são mencionados: Baal-Zefom, Migdol e Pi-Hairote. Baal-Zefom é associada com Tafnes, às margens do lago Menzaleh, um dos lagos de água salgada entre o Mediterrâneo e o Golfo de Suez. Havia três possíveis rotas de fuga para os israelitas. O “caminho da terra dos filisteus” (13.17), ligava o Egito a Canaã através de uma rota litorânea bastante fortificada. Um segundo itinerário, o caminho de Sur, começava próximo ao Wadi Tumilat, na região do Delta, indo em direção a Cades-Barnéia, e dali para Canaã. A muralha de Sur na fronteira do Egito pode ter sido um obstáculo real a essa alternativa. Ao conduzir o povo em direção sul, para a região da península do Sinai, o Senhor não somente os trouxe para a montanha que havia indicado a Moisés, mas também os afastou de possíveis contatos com os egípcios. O livramento através do mar pode ter acontecido numa extensão sul do lago Menzaleh.

A península do Sinai é um triângulo de terra medindo aproximadamente 240 Km de leste a oeste no extremo norte e 420 Km ao longo dos outros dois lados. Dois braços do mar Vermelho, os golfos de Suez e de Ácaba, são os seus limites longitudinais. Os hebreus dirigiram-se ao sul ao longo da costa ocidental do Sinai. As águas amargas de Mara (15.22-25) são, normalmente, identificadas com Ain Hawarah (em torno de 70 Km ao sul da extremidade do golfo de Suez), porém Ain Musa pode ser a localidade correta. Elim, com as suas diversas fontes e árvores, tem sido identificada com Wadi Gharandel, o acampamento junto ao mar Vermelho (Nm 33.10), cerca de 11 Km ao sul de Ain Hawarah. O deserto de Sim seria melhor identificado com Debet er-Ramleh, uma planície arenosa ao longo do limite do planalto do Sinai. Se a localização tradicional do Monte Sinai como o atual Jebel Musa estiver correta, Israel teria então se afastado da costa por um série de vales até o Jebel Musa, viajando através do deserto de Refidim, onde eles lutaram contra os Amalequitas (17.8-16). Refidim foi o último local de acampamento no deserto do Sinai antes de chegarem à montanha sagrada. Depois, prosseguiram até o Monte Siani (Cap. 19), onde receberam a lei.

Características e Temas: Diversos temas importantes destacam-se em Êxodo. Primeiro, o livro conta como o Senhor libertou Israel do Egito para cumprir a sua aliança com os pais. Um segundo elemento importante do livro é a revelação da aliança no Sinai, que especificou os termos do relacionamento entre o Deus santo e o seu povo. O terceiro tema deriva dos dois primeiros e é sua consumação: trata-se do restabelecimento da morada de Deus com o ser humano. Cada um desses temas envolve um triunfo da graça divina: Deus resgatou o seu povo de forma poderosa da escravidão no Egito, revelou-se de forma estrondosa no Sinai, e manifestou a sua graciosa condescendência ao habitar no tabernáculo em meio ao seu povo pecador. O desdobramento desses temas também revela a santidade e a graça do Senhor na sua lei da aliança e no simbolismo cerimonial da vida e do culto de Israel.

Crucial para a narrativa é o papel de Moisés como o mediador entre Deus e o homem. Como servo escolhido de Deus, Moisés é o mediador do juízo contra o Egito e aquele por meio de quem Deus liberta Israel. Através de Moisés, Deus dá a sua revelação no Sinai. Como um pastor, Moisés também guia o povo através do deserto até a Terra Prometida. Ele intercede em favor do povo e, por meio dele, Deus provê alimento e água. Mas o papel de Moisés na história da redenção aponta diretamente para Cristo, o Mediador da nova aliança (Dt 18.15). A revelação que Moisés recebe do nome de Deus que é grande “em misericórdia e fidelidade” (34.6), justifica a construção do tabernáculo, porém esta descrição do Senhor aponta para a frente, para a vinda do verdadeiro tabernáculo, o Cristo encarnado, o grande Servo do Senhor (Jo 1.14,17; Hb3.1-6)

A lei de Deus revela a sua natureza santa e requer santidade do povo entre o qual Deus irá habitar. As regulamentações cerimoniais para a vida e culto de Israel (caps. 25-31; 35-40), assinalam a separação de Israel como povo em cujo meio Deus vive e governa, demonstrando o seu reino perante as nações.

Além da descrição dos acontecimentos históricos por meio dos quais Israel foi libertado para tornar-se o povo de Deus, Êxodo também traz uma grande ilustração da obra salvífica de Deus através da história. O Deus salvador redime o seu povo escolhido dos poderes do mal, julga esses poderes e reivindica o seu povo como o seu primogênito, uma nação santa de sacerdotes em meio a qual ele habita pelo seu Espírito. O padrão da vitória divina sobre os inimigos, seguido pelo estabelecimento do lugar da habitação divina,é repetido na primeira e segunda vindas de Cristos (p. ex. Ef 2.14-22 e Ap 20.11-22.5).

O simbolismo encontrado em Êxodo torna-se realidade na nova aliança (Jr 31.31-34; Cl 2.17; Hb 10.1). O sngue aspergido do sacrifício de animais é agora substituído pelo sngue de Cristo (24.8; Mt 26.27-28; Hb 12.24; 1 Pe 1.2). A substituição simbólica do cordeiro da Páscoa é cumprida em Cristo, o Cordeiro de Deus, o nosso sacrifício pascal (Jo 1.29; 1 Co 5.7). O seu “êxodo” em Jerusalém (Lc 9.31), realiza a salvação do verdadeiro povo de Deus. O povo de Deus da nova aliança é unido a Jesus Cristo, em quem os gentios tornam-se o povo de Deus, membros da comunidade de Israel e concidadãos dos santos do Antigo Testamento (19.5-6; Ef 2.11-19). O significado pleno da descrição de Israel no Êxodo pode agora, pois, ser aplicado às igrejas dos gentios (1 Pe 2.9-10).

Bibliografia: Bíblia de Genebra


I. Prólogo: Criação dos céus e da terra (1.1-2.3)
II. O relato dos céus e da terra (2.4-4.26)
A. Adão e Eva sob teste no paraíso (2.4-25)
B. A queda e suas consequências (cap.3)
C. A escalada do pecado na linhagem de Caim (4.1-24)
D. Um remanescente piedoso (4.25-26)

III. O relato de Adão (5.1-6.8)
A. Sete e a linhagem da aliança (cap.5)
B. A escalada do pecado antes do dilúvio (6.1-8)

IV. O relato de Noé (6.9-9.29)
A. Preparo para o dilúvio (6.9-7.10)
B. Dilúvio e salvação (7.11-8.19)
C. Aliança de Deus para não destruir a terra (8.20-9.17)
D. Profecias relativas aos filhos de Noé (9.18-29)

V. O relato de Sem, Cam e Jafé (10.1-11.9)
A. Quadro das nações (cap. 10)
B. Escalada do mal na Babilônia (11.1-9)

VI. O relato de Sem (11.10-26)
VII. O relato de Terá (11.27-25.11)
A. Genealogia (11.27-32)
B. A aliança abraâmica: sua terra e povo (12.1-22.19)
1. Migração para a Terra Prometida (12.1-22.19)
2. Livramento do Egito (12.10-20)
3. Ló é separado da terra (cap. 13)
4. Vitória sobre os Reis orientais (cap. 14)
5. A aliança de Deus é ratificada (cap. 15)
6. Agar e Ismael são rejeitados (cap. 16)
7. A aliança de Deus é confirmada (cap. 17)
8. O filho de Sara é anunciado (18.1-15)
9. Ló é resgatado de Sodoma (18.16-19.38)
10. Proteção dos filisteus (cap. 20)
11. Nascimento de Isaque e bênção na terra (cap. 21)
12. Juramento de Deus de abençoar o mundo através da descendência de Abraão (22.1-19)

C. A transição para Isaque (22.20-25.11)
1. Família de Rebeca (22.20-24)
2. Morte de Sara (cap. 23)
3. Casamento de Isaque com Rebeca (cap. 24)
4. Isaque como único herdeiro (25.1-6)
5. Morte de Abraão (25.7-11)

VIII. O relato de Ismael (25.12-18)
IX. O relato de Isaque (25.19-35.29)
A. Rivalidade na família (25.19-34)
B. Bênção da aliança sobre Isaque (cap. 26)
C. Jacó rouba a bênção de Esaú (27.1-40)
D. Bênção da aliança sobre Jacó e o seu exílio (27.41-32.32)
1. Jacó enviado a Labão (27.41-28.9)
2. O encontro com o anjo em Betel (28.10-22)
3. Conflito com Labão (29.1-30)
4. Nascimento dos pais das doze tribos (29.31-30.24)
5. Jacó prospera e foge de Labão (30.25-31.55)
6. O encontro com anjos em Maanaim e Peniel (cap. 32)
E. Reconciliação de Esaú com Jacó (33.1-17)
F. Transição para Jacó: itinerário e mortes desde Siquém até Manre (33.18-35.29)

X. O relato de Esaú (36.1-37.1)
XI. O relato de Jacó (37.2-50.26)
A. José e o sonho de governo (37.2-11)
B. Os pecados da família de Jacó (37.12-38.30)
C. A ascensão de José ao governo sobre o Egito (caps. 39-41)
D. O ardil de José e a reconciliação da família da aliança (caps. 39-41)
E. Tramsição. para o Êxodo (caps. 56-50)
1. Migração para o Egito (caps. 46.1-27)
2 Preservação em Gósem (46.47.31)
3. Bênção de Jacó sobre as doze tribos (48.1-50.14)
4. A morte de Jacó e o sepultamento em Canaã (49.29-50.14)
5. A morte de José no Egito com a promessa de Canaã (50.15-26)

Publicado por: Pr. Alexandre R. de Souza
Bibliografia: Bíblia de Genebra

Autor: Uma vez que este livro anônimo integra o Pentateuco unificado, não é possível estabelecer a sua autoria e data à parte da composição daquele “Livro em Cinco Volumes” (“Introdução ao Pentateuco”). As evidências relacionadas ao Gênesis propriamente dito, contudo, sugerem que, como o restante do Pentateuco, Moisés deu ao livro a sua substância essencial e editores posteriores o suplementaram, tudo pela inspiração do Espírito Santo.
Seria arbitrário excluir Gênesis do testemunho do Novo Testamento que afirma ser Moisés (século XV a.C.) o autor do Pentateuco. Mais especificamente, nosso Senhor disse “pelo motivo de que Moisés vos deu a circuncisão” (Jo 7.22; At.15.1), a qual é mencionada somente em Gn 17. Não surpreende que o fundador da teocracia de Israel tenha lançado este fundamento magistral da lei. A narrativa histórica de Gênesis estabeleceu os fundamentos teológicos e éticos da Tora: o relacionamento ímpar de Israel com Deus mediante a aliança (Dt 9.5) e as suas leis singulares (a lei do sábado). Além do mais, desde que os mitos da criação são básicos nas religiões pagãs, é natural que Moisés tivesse incluído um relato da criação em oposição aos mitos pagãos. Este relato constitui-se, ainda, ainda, em alicerce para a lei mediada por Moisés.
O testemunho da própria Bíblia a favor da autoria mosaica é apoiado por informações extrabíblicas. Os onze primeiros capítulos do Gênesis têm muitos paralelos e diferenças propositais com os mitos do antigo Oriente Próximo anteriores à época de Moisés e conhecidos por ele (os relatos da criação mesopotâmicos tais como Enuma Elish e os relatos do dilúvio tais como os encontrados na Epopéia de Atrahasis e na décima primeira tábua da Epopéia de Gilgamesh). Os nomes e os costumes nas narrativas dos patriarcas (caps. 12-50) refletem acuradamente a era em que viveram, sugerindo um autor antigo que dispunha de documentos confiáveis. Os textos de Ebla (século XXIV a.C.) mencionam Ebrium, que pode ser o mesmo Héber de Gn 10.21, e os textos de Mari (século XVIII a.C.) atestam a existência de nomes como Abraão, Jacó e amorreu. A prática de conceder um direito de primogenitura (isto é, de privilégios adicionais para o filho mais velho, 25.5-6, 32-34; 39.3-4; 43.33; 49.3) era difundida no Antigo Oriente Próximo. A venda de uma herança (25.29-34) é documentada em diferentes períodos nesta era. A adoção de um escravo pelo seu senhor (15.1-3) é encontrada em uma carta de Larsa, na antiga Babilônia, e a adoração de Efraim e Manasses por seu avô (48.5) pode ser comparada com uma adoção semelhante de um neto em Ugarit (século XIV a.C.). A doação de uma escrava como parte de um dote e a sua apresentação ao marido pela mulher infértil (16.1-6; 30.1-3) são mencionadas nas leis de Hamurábi (c. 1750 a.C.). Esses e outros fatos semelhantes corroboram a confiabilidade histórica da narrativa de Gênesis.

Data e Ocasião: Considerando as evidências bíblicas e extrabíblicas que relacionam Gênesis e o seu conteúdo a Moisés e a sua era, podemos concluir razoavelmente que o livro remonta ao século XV a.C. Indubitavelmente, por exemplo, desde que Davi (c. 1000 a.C.) compôs o relato da criação de Gn 1 em música (Sl 8), requer-se uma data de composição no segundo milênio para Gn 1. Os leitores devem observar, porém, que embora ocasionalmente apareçam no texto palavras conhecidas somente a partir da metade do segundo milênio, a gramática do Pentateuco foi ocasionalmente atualizada, assim como alguns como alguns nomes de lugares (14.14). Também a lista de reis em 36.31-43 foi aparentemente acrescentada após a época de Saul.
O propósito de Gênesis, a exemplo da sua autoria e data, não pode ser examinado senão com relação ao seu lugar dentro do Pentateuco como um todo (“Introdução ao Pentateuco”). O Pentateuco é uma combinação ímpar de história e lei, uma história que explica as origens de suas leis. Por exemplo, as narrativas de Gênesis explicam o rito da circuncisão (17.9-14), a proibição de comer o músculo ciático (32.32) e a observância do sábado (2.2-3). Ainda mais importante, a sua narrativa apresenta a eleição de Israel por Deus para um relacionamento único mediante a aliança com Deus, a fim de abençoar o mundo caído. Esse relacionamento pactual consiste na promessa feita por Deus aos patriarcas de fazer da sua descendência eleita uma grande nação e no compromisso da nação escolhida em obedecer-lhe para, assim, tornar-se uma luz para os gentios. Gênesis narra as origens dessa nação redentora, retrocedendo aos primórdios da humanidade e do mundo e, assim, do conflito entre o reino de Deus e o reino de Satanás, no qual esta nação haveria de desempenhar um papel crucial.
O título hebraico, conforme o antigo costume de designar os livros pela (s) sua (s) palavra (s), é bereshith, “no princípio”. O título grego, baseado no conteúdo do livro, é gênesis, “origem”. Os dois títulos são apropriados, uma vez que o tema do livro é a origem da história.

Dificuldades de Interpretação: A tensão entre Gênesis e a ciência moderna sobre as origens do universo e dos seres vivos é, em grande parte, resolvida quando se reconhece que ambas as partes falam a partir de perspectivas diferentes. Gênesis preocupasse com quem criou e por quê, não com o como e quando. A ciência não pode responder àquelas questões e Gênesis, em grande parte, mantém silêncio quanto a estas (1.2,5-6,11).
Por cerca de um século, os estudiosos adeptos da “hipótese documentária” têm declarado que Gênesis é uma composição de documentos conflitantes: J (de Javé, “o Senhor”), E (de Elohim, “Deus”), D (de Deuteronomista) e P (de escritor sacerdotal). Muito embora esse esquema ainda seja amplamente aceito, poucos ainda acreditam que esses documentos possam ser usados para reconstruir a história de Israel, uma vez que todos os supostos documentos contêm o que se considera serem matérias “antigas” e “recentes”. Em outras palavras, os quatro alegados documentos de fato compartilham elementos e características que supunha-se pertencerem a apenas uma dessas fontes hipotéticas (p. ex. J contém matéria que supostamente seria encontrada somente em E). É certo que, na composição dos documentos no antigo Oriente Próximo, era comum a combinação de documentos escritos mais antigos, e é provável que o próprio Moisés tenha feito uso delas. Além do mais, muitos estudiosos hoje questionam os critérios usados para identificar essas supostas fontes e enfatizam, ao contrário, a unidade do texto tal como o temos. Por exemplo, o relato do dilúvio, antes apontado como um exemplo clássico da hipótese documentária, é visto hoje como portador de excepcional integridade (6.9-9.29).

Características e Temas: Pelo estudo da estrutura literária de Gênesis, destacam-se os aspectos que seguem. Após o prólogo, Gênesis divide-se em dez partes, cujo início é caracterizado pela fórmula: “Esta é a genealogia (ou história) de”. Esse título é seguido por uma genealogia da pessoa referida na fórmula ou por episódios envolvendo os seus descendentes mais notáveis. Os primeiros três relatos pertencem ao mundo pré-diluviano e os sete últimos ao período posterior ao dilúvio. Os três primeiros relatos formam um paralelo com o quarto, quinto e sexto relatos: a) narrativas sobre o desenvolvimento universal da humanidade na criação e na recriação após o dilúvio (relatos um e quatro, respectivamente); b) genealogia das linhagens da redenção a partir de Sete e Sem (relatos dois e cinco); e c) as narrativas sobre as alianças com Noé e Abraão (relatos três e seis). Os dois pares finais de narrativas expandem a linhagem abraâmica, contrastando os seus filhos rejeitados, Ismael e Esaú (relatos sete e nove), com as histórias sobre os descendentes eleitos, Isaque e Jacó, respectivamente (relatos oito e dez).
A chave para compreensão das narrativas é, geralmente, oferecida em uma revelação que serve de abertura às mesmas: por exemplo, a promessa a Abraão (12.1-3), o sinal pré-natal da rivalidade entre Jacó e Esaú (25.22-23), e os sonhos de José (37.1-11). Uma seção de transição encontra-se ao final dos relatos (p. ex., 4.25-26; 6.1-8; 9.18-29; 11.10-26).
A seção que conclui a última narrativa contém fortes vínculos com o Livro de Êxodo, terminando com um juramento que José obteve dos seus irmãos de que, quando Deus viesse em seu socorro e os reconduzisse a Canaã, levariam consigo o seu corpo embalsamado (50.24-25; Ex 13.19).
O enfoque do livro nas origens de Israel desdobra-se diante de questões que afetam o mundo. Moisés nos diz que, antes que Deus elegesse os patriarcas, os pais de Israel (caps. 12-50), a humanidade afirmou a sua independência de Deus buscando o conhecimento do bem e do mal à parte de Deus e em desafio ao seu mandamento (caps. 2;3). Os seres humanos comprovaram a depravação pela religiosidade de fachada, fratricídio e vingança irrestrita (Caim, cap 4); pela tirania, haréns e os contínuos maus desígnios (os reis pré-diluvinos, 6.1-8); e por erguerem um anti-reino contra o próprio Deus (Ninrode e a torre infame, 10.8-12; 11.1-9). O veredito de Deus de Deus sobre a humanidade permanece: “é mau o desígnio íntimo do homem desde a sua mocidade” (8.21).
Certamente de forma tão maravilhosa e soberana como Deus transformou a escuridão e o vazio por ocasião da criação da terra (1-2) em um habitat glorioso para a humanidade e lhe trouxera descanso (1.3-2.3), assim também Deus soberanamente elegeu em Cristo o seu povo da aliança para derrotar a Satanás (3.15) e para abençoar o mundo depravado (12.1-3). Ele elegeu incondicionalmente os patriarcas, Abraão, Isaque e Jacó, e prometeu fazer da sua descendência eleita a nação destinada a abençoar a terra, uma promessa que acarretava em uma semente, terra e rei eternos (12.1-3,7; 13.14-17; 17.1-8; 26.2-6; 28.10-15). Antes de Jacó nascer e ter praticado o bem ou o mal, Deus o escolheu, e não a Esaú, o seu irmão gêmeo mais velho (25.21-23). Ele escolheu Jacó, apesar deste ter trapaceado o seu irmão, enganado o seu pai e blasfemado contra Deus (27). Deus usou até mesmo os delitos escandalosos de Judá contra Tamar, além do ousado ardil a que ela recorreu, para fazer continuar a linhagem messiânica (38). O Rei celeste demonstrou o seu governo glorioso preservando miraculosamente as matriarcas em haréns pagãos (12.10-20; cap. 20 ) e abrindo os seus ventres estéreis (17.15-22; 18.1-15; 21.1-7; 25.21; 29.31; 30.22). Ele não levou em conta os costumes e tradições quando escolheu o filho mais jovem (Jacó), não o mais velho (Esaú), para herdar benção (25.33). Profecias flagrantes e tipos sutis são testemunhos incontestáveis de que Deus dirige a história. Por exemplo, Noé profetizou a submissão de Canaã a Sem (9.24-26), e o grande êxodo liderado por Moisés foi prefigurado quando Deus libertou Abraão e Sara com riquezas da opressão do Egito (12.10-20).
Deus inclinou o coração dos seus eleitos a confiarem em suas promessas e a obedecerem aos seus mandamentos. Contra toda esperança, Abraão confiou que Deus lhe daria uma descendência incontável e o legislador diz que Deus lhe imputou isso como justiça (15.6). Confiantes nas firmes promessas de Deus, Abraão renunciou aos seus direitos sobre a terra (cap. 13) e Jacó, agora chamado “Israel” e apegando –se em Deus (cap. 22), devolveu simbolicamente o direito de primogenitura a Esaú (cap. 33). No começo da narrativa de José, Judá vendeu José como escravo (37.26-27), mas, no fim, o ex-mercador de escravos dispôs-se a tornar-se um escravo em lugar de seu irmão (44.33-34). Firmado na verdade de que o desígnio gracioso de Deus trouxera o bem a partir de pecados tão atrozes como o assassinato e o tráfico de escravos, José perdoou seus irmãos sem recriminação (45.4-8; 50.24).
O que começou em Gênesis cumpre-se em Cristo. A genealogia iniciada no cap. 5 prossegue no cap. 11 e termina com o nascimento de Jesus Cristo (Mt 1; Lc 3.23-27). Ele é, em última análise, o descendente prometido a Abraão (12.1-3; Gl 3.16). Os eleitos são abençoados nele porque somente ele, por sua obediência ativa e passiva, satisfez as exigências da Lei e morreu em lugar deles. Todos os que são batizados em Cristo e unidos com ele pela fé são descendentes de Abraão (Gl 3.26-29). As arrojadas profecias e as prefigurações sutis em Gênesis mostram que Deus está escrevendo uma história que conduz ao descanso em Cristo. No limiar da profecia bíblica, Noé predisse que os jafetitas encontrariam salvação através dos semitas, uma profecia que se cumpriu no Novo Testamento (9.27), e Deus mesmo proclamou que o descendente da mulher destruiria Satanás (3.15). Este descendente é Cristo e sua Igreja (Rm 16.20). A apresentação da noiva para Adão prefigura a apresentação da Igreja a Cristo (2.18-25; Ef 5.22-32); o sacerdócio de Melquisedeque é como o do Filho de Deus (14.18-20; Hb 7); e assim como o Israel redimido da escravidão no Egito encontrou descanso, subsistência e refúgio na Terra Prometida, a Igreja redimida do mundo amaldiçoado encontra a vida em Cristo (13.15). O paraíso perdido pelo primeiro Adão é restaurado pelo último Adão. Esta história sagrada, unificada assim de forma tão maravilhosa, certifica que o enfoque de Gênesis é Cristo.

Publicado por: Pr. Alexandre R. de Souza
Bibliografia: Bíblia de Genebra


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