Kerygma

Archive for the ‘Providência de Deus’ Category

Ora, disse o SENHOR a Abrão: Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai e vai para a terra que te mostrarei; de ti farei uma grande nação, e te abençoarei, e te engrandecerei o nome. Sê tu uma bênção! Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; em ti serão benditas todas as famílias da terra
(Gênesis 12.1-3)

Nas Escrituras são acordos solenes, negociados ou impostos unilateralmente, que ligam as partes umas às outras em relações permanentes, definidas, com promessas específicas, com reivindicações e obrigações de ambos os lados (p. ex., a aliança do casamento, em Ml 2.14).

Quando Deus faz uma aliança com suas criaturas, só ele estabelece as condições, como mostra sua aliança com Noé e seus descendentes (Gn 9.9). Quando Adão e Eva fracassaram em obedecer os termos da aliança das obras (ver Gn 3.6 ), Deus não os destruiu, mas revelou a sua aliança da graça, prometendo-lhes um Salvador (Gn 3.15).

A aliança de Deus descansa sobre sua promessa, como fica claro da sua aliança com Abraão. Ele chamou Abraão para ir à terra que ele lhe daria e prometeu abençoá-lo e a todas as famílias da terra através dele (Gn 12.1-3). Abraão atendeu a chamada de Deus, porque creu na promessa de Deus; foi a sua fé na promessa de Deus que lhe foi creditada como justiça (Gn 15.6; Rm 4.18-22). A aliança de Deus com Israel, no Sinai, está na forma dos tratados de suserania do antigo Oriente Próximo. Estas são alianças impostas unilateralmente por um rei poderoso sobre um rei vassalo e um povo servo.

Ainda que a aliança do Sinai exigisse obediência às leis de Deus, sob a ameaça de maldição, ela era uma continuação da aliança da graça (Êx 3.15; Dt 7.7-8; 9.5-6). Deus deu os mandamentos a um povo que ele já havia redimido e reivindicado como seu (Êx 19.4; 20.2). A graciosa promessa da aliança de Deus foi posteriormente definida por meio de tipos e sombras da lei dada a Moisés. O fracasso dos israelitas em guardar a aliança de Deus mostrou a necessidade de uma nova aliança que assegurasse o poder para obedecer (Jr 31.31-34; 32.38-40; cf. Gn 17.7; Êx 6.7; 29.45-46; Lv 11.44-45; 26.12).

A aliança de Deus com Israel foi uma preparação para a vinda do próprio Deus, na pessoa do seu Filho, para cumprir todas as suas promessas e para dar substância às sombras apresentadas pelos tipos (Is 40.10; Ml 3.1; Jo 1.14; Hb 7-10). Jesus Cristo, o Mediador da nova aliança, ofereceu-se a si mesmo como o verdadeiro e definitivo sacrifício pelo pecado. Ele obedeceu à lei de modo perfeito e, como o segundo Adão (segundo representante da raça humana), ele se tornou o herdeiro – com todos os que pela fé se unem a ele – de todas as bênçãos relativas à aliança, paz e comunhão com Deus na sua criação renovada. Os arranjos temporários do Antigo Testamento para comunicar essas bênçãos tornaram-se obsoletos, quando se concretizou aquilo que eles prefiguravam.

Como a Carta aos Hebreus (caps. 7-10) explica, através de Cristo, Deus inaugurou uma melhor versão da sua úncia e eterna aliança com pecadores (Hb 13.20) – uma aliança melhor com melhores promessas (Hb 8.6), baseada num melhor sacrifício (Hb 9.23) oferecido por um melhor sumo sacerdote num melhor santuário (Hb 7.26-8.6,11,13). Essa melhor aliança garante uma esperança melhor do que aquela explicitada na versão anterior da aliança – glória com Deus numa “pátria superior, isto é, celetial” (Hb 11.16; cf. v. 40).

O cumprimento da velha aliança em Cristo abre a porta da fé aos gentios. A “semente de Abraão” – a comunidade com a qual a aliança foi feita – foi redefinida em Cristo, que é a Semente final e definitiva de Abraão (Gl 3.16). Os gentios e os judeus que se unem a Cristo pela fé tornam-se nele semente de Abraão (Gl 3.26-29), ao passo que ninguém, fora de Cristo, pode estar num relacionamento salvador de aliança com Deus (Rm 9.9-11; 11.13-14).

O objetivo da ação de Deus dentro da aliança é, como sempre foi, a reunião e a santificação do povo da aliança vindo de “todas as nações, tribos, povos e línguas” (Ap 7.9), que um dia habitarão a Nova Jerusalém, numa ordem mundial renovada (Ap 21.1-2). Aqui, o relacionamento da aliança encontrará a sua plena expressão – “Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com eles” (Ap 21.3; cf. Gn 17.7). Deus continua a moldar os eventos do mundo rumo a esse alvo.

A estrutura da aliança abrange toda a economia da graça soberana de Deus. O ministério celestial de Cristo continua a ser o de “Mediador da nova aliança” (Hb 12.24). A salvação é a salvação da aliança; regeneração, justificação, adoração e santificação são misericóridas da aliança; a eleição foi a escolha de Deus dos membros da comundiade da aliança, que é a Igreja. O Batismo e a Ceia do Senhor – que correspondem aos ritos da circuncisão e da Páscoa da antiga aliança e os substituem, são ordenanças da aliança. A lei de Deus é a lei da aliança, e observá-la é a mais verdadeira expressão de gratidão pela graça da aliança e de lealdade ao nosso Deus da aliança. A nossa aliança com Deus, em resposta à sua aliança conosco, deve ser o exercício devocional regular de todos os crentes, tanto em particular como na Mesa do Senhor. Uma compreensão da aliança da graça nos conduz através de todas as maravilhas do amor redentor de Deus e nos ajuda a apreciá-las.
Publicado por: Pr. Alexandre R. de Souza

Bibliografia: Bíblia de Genebra

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Gênesis 2.17; Romanos 3.20-26; Romanos 10.5-13; Gálatas 3.10-14

Quando Adão e Eva foram criados, entraram num relacionamento moral com Deus, seu Criador. Tinham a responsabilidade de obedecê-lo, sem nenhum direito inerente a recompensa ou bênção por tal obediência. Deus, entretanto, em seu amor, misericórdia e graça, voluntariamente entrou numa aliança com suas criaturas pela qual adicionou à sua lei uma promessa de bênção. Não se tratava de uma aliança entre paretes iguais, mas de uma aliança que descansava sobre a iniciativa de Deus e sua autoridade divina.

A aliança original entre Deus e a humanidade foi uma aliança de obras. Nesta aliança, Deus exigiu obediência perfeita e total ao seu governo. Prometeu vida eterna como bênção pela obediência, mas ameaçou a humanidade com a morte, caso desobedecessem sua lei. Todos os seres humanos, de Adão até nós, no tempo presente, inevitavelmente são membros dessa aliança. As pessoas podem recusar-se a obedecer ou até mesmo recusar-se a reconhecer a existência de tal aliança. A aliança das obras é a base da nossa necessidade de redenção (porque nós a violamos) e nossa esperança de redenção (porque Cristo cumpriu seus termos por nós).

Um único pecado já é suficiente para violar a aliança das obras e nos tornar devedores que não podem pagar a própria dívida para com Deus. O fato de que ainda tenhamos esperança de redenção, mesmo depois de pecar, ainda que seja um único pecado, é devido à graça de Deus e somente à graça de Deus.

As recompensas que receberemos de Deus no céu também são atos de graça. Representam Deus coroando seus próprios dons de graça. Se Adão tivesse obedecido a aliança divina das obras, ele teria alcançado o mérito que procede da virtude de cumprir os requisitos da aliança com Deus. Adão caiu em pecado e por isso Deus, em sua misericórdia, acrescentou uma nova aliança das obras. Essa pessoa foi Jesus. Sua ação, como segundo ou novo Adão, satisfez todos os termos da nossa aliança original com Deus. Seu mérito em alcançar isso está disponível a quem puser sua confiança nele.

Jesus é a primeira pessoa a entrar no céu por suas boas obras. Nós também entramos no céu pelas boas obras – as boas obras de Jesus. Elas se tornam “nossas” boas obras quando nós recebemos Cristo pela fé. Quando depositamos nossa fé em Cristo, Deus credita as boas obras dele em nossa conta. A aliança da graça cumpre a aliança das obras dele em nossa conta. A aliança da graça cumpre a aliança das obras porque Deus graciosamente aplica o mérito de Cristo em nossa conta. Desta meneira, pela graça satisfazemos os termos estabelecidos na aliança das obras.

Esboço:

  1. Deus entrou numa aliança de obras com Adão e Eva.
  2. Todo ser humano está inevitavelmente envolvido na aliança das obras.
  3. Todo ser humano é violador da aliança das obras.
  4. Jesus cumpriu a aliança das obras.
  5. A aliança da graça nos proporciona os méritos de Cristo, pelos quais os termos da aliança das obras são satisfeitos.

Publicado por: Pr. Alexandre R. de Souza
Bibliografia: Verdades Essenciais da Fé Cristã de R. C. Sproul/ Editora Cultura Cristã

Textos: Gênesis 15; Êxodo 20; Jeremias 31.31-34; Lucas 22.20; Hebreus 8; Hebreus 13.20-21
A estrutura básica do relacionamento que Deus estabeleceu com seu povo é a aliança. Uma aliança é geralmente entendida como um contrato. Embora certamente existam algumas similaridades entre alianças e contratos, existem também algumas diferenças muito importantes. Ambos são acordos obrigatórios. Contratos são feitos a partir de posições de barganha relativamente iguais e ambas as partes têm liberdade de não assinar. Semelhantemente, a aliança também é um acordo. Na Bíblia, porém, as alianças geralmente não são entre iguais. Antes, seguem o padrão comum do antigo Oriente Médio, dos tratados entre suseranos e vassalos. Os tratados entre suseranos e vassalos (como visto entre os reis hititas) eram firmados entre um rei vencedor e o vencido. Não havia negociação entre as partes.

O primerio elemento dessas alianças bíblicas é o preâmbulo, o qual relaciona as respectivas partes. Êxodo 20.2 começa com a frase: “Eu sou o Senhor teu Deus”. Deus é o suserano; o povo de Israel é o vassalo. O segundo elemento é o prólogo histórico. Esta seção relaciona o que o suserano (ou Senhor) fez para merecer a lealdade – como livrou os israelitas da escravidão do Egito. Em termos teológicos, está é a seção da graça.

Na seção seguinte, o Senhor relaciona o que ele requer daqueles sobre quem governa. Em Êxodo 20, são os Dez Mandamentos. Cada um dos mandamentos era considerado um compromisso moral sobre toda a comunidade da aliança.

A parte final desse tipo de aliança relaciona as bênçãos e as maldições. O Senhor faz uma lista dos benefícios que concederá aos vassalos se eles seguirem as estipulações da aliança. Um exemplo disso se encontra no quinto mandamento. Deus promete aos israelitas que seus dias seriam longos na Terra Prometida, se honrassem os pais. A aliança também apresenta maldições que sobreviriam se o povo não cumprisse com suas responsabilidades. Deus adverte Israel que não os considerava como inocentes se falhassem em honrar seu nome. Esse padrão básico fica evidente nas alianças de Deus com Adão, Noé, Abraão, Moisés e a aliança de Jesus Cristo com sua Igreja.

Nos tempos bíblicos, as alianças eram ratificadas com sangue. Era costume que ambas as partes que estavam entrando em aliança passassem entre as partes de um animal esquartejado, representando assim sua concordância com os termos da aliança (Jr 34.18). Temos um exemplo desse tipo de aliança em Gênesis 15.7-21. Nesse texto, Deus fez certas promessas a Abraão, as quais foram ratificadas por meio do sacrifício de animais, indicando por meio de um juramento solene que estava se comprometendo a cumprir a aliança.

A nova aliança, a alinça da graça, foi ratificada pelo derramamento do sangue de Cristo na cruz. No âmago desta aliança está a promessa divina de redenção. Deus não só prometeu redimir todo aquele que põe sua confiança em Cristo, mas selou e confirmou a promessa com o mais santo dos votos. Servimos e adoramos um Deus que se comprometeu para a nossa completa redenção.

Esboço:

Elementos de uma aliança:

  1. Preâmbulo: identifica o soberano.
  2. Prólogo histórico: recapitula a história do relacionamento entre as partes.
  3. Estipulações: relaciona as condições da aliança.
  4. Juramentos/Votos: as promessas que obrigam as partes aos termos.
  5. Sanções: as bênçãos e as madições (recompensas e punições) estipuladas para a obediência ou a violação da aliança.
  6. Ratificação: o selo da aliança por meio de sangue, isto é, o sacrifício de animais, e depois a morte de Cristo.

Publicado por: Pr. Alexandre R. de Souza
Bibliografia: Verdades Essenciais da Fé Cristã de R. C. Sproul/ Editora Cultura Cristã

Textos: Êxodo 4.1-9; 1 Reis 17.21-24; João 2.11; Hebreus 2.1-4

O termo milagre tende a ser usado levianamente hoje em dia. Um gol no futebol, uma situação em que se escapa “por um triz”, ou a beleza de um pôr-do-sol são rotineiramente chamados de milagres. Entretanto, a palavra milagre pode ser usada de três maneiras distintas:

1ª Milagres descrevem eventos comuns, mas que são impressionantes. Falamos sobre o nascimento de um bebê, por exemplo, como um milagre. Ao fazer isso, glorificamos a Deus pela complexidade e pela beleza da criação. Ficamos maravilhados diante da majestade do cosmos, quando Deus opera por intermédio dos meios secundários das leis naturais, as quais são também criação dele. Aqui o termo milagre refere-se às coisas comuns que apontam para uma causa incomum no poder de Deus.

2ª Milagres descrevem eventos que operam através de meios secundários num tempo e espaço. A segunda maneira em que podemos usar o termo milagre é similar à primeira. Frequentemente, nas Escrituras, lemos sobre Deus operando através dos meios secundários num tempo e lugar mais específicos. A estrada de Belém, por exemplo, talvez tivesse uma causa natural e científica. O extraordinário alinhamento de um grupo de estrelas, ou uma fase da lua poderiam explicar seu intenso brilho. Considerar essas possibilidades, entretanto, não torna o evento menos miraculoso. A luz espalhou seu brilho no momento do nascimento de Cristo. Mostrou o caminho de Belém aos magos. A estrela então era um milagre por ter ocorrido no tempo e no lugar certos. Tal milagre glorifica a Deus pela maneira como ele tece a tapeçaria da História de tal maneira que o evento ocorreu no momento exato, de uma maneira miraculosa.

3ªMilagres referem-se aos atos de Deus contrariando o que é natural. Este é o uso mais técnico do termo. Jesus transformando água em vinho ou ressuscitando Lázaro dentre os mortos são exemplos de Deus operando contra suas leis da natureza. Pode não haver nenhuma explicação natural para tais eventos. Servem para validar Cristo como o divino Filho de Deus.

A Bíblia utiliza várias palavras para definir o conceito contido na simples palavra milagre. A Bíblia fala de sinais, maravilhas e prodígios. Em seu senso mais restrito, ligamos milagre à palavra bíblica sinal. Milagres são chamados de sinais porque, como todos os sinais, eles apontam, para além de si mesmos, para algo mais significativo. Deus usou os milagres para provar ou atestar seus agentes de revelação divina (Hb 2.3-4). Deus deu poder a Moisés para realizar milagres a fim de demonstrar que o tinha enviado. Da mesma maneira, o Pai autenticou o ministério do Filho por meio dos sinais que ele operou.

Atualmente existem três perspectivas diferentes de milagre. A primeira é a visão cética que nega que os milagres possam ocorrer. A segunda visão argumenta que os milagres aconteceram nos tempos bíblicos e continuam a acontecer hoje. A terceira visão é a que os verdadeiros milagres aconteceram na Bíblia, mas que Deus cessou de operar milagres uma vez que a revelação foi estabelecida nas Escrituras. Essa visão sustenta que Deus ainda opera no mundo de maneira sobrenatural, mas não concede mais poderes de operar milagres a seres humanos.

Esboço:
  1. A Bíblia fala sobre sinais, prodígios e maravilhas.
  2. A Bíblia registra diferentes tipos de milagres.
  3. Todo milagre é um evento sobrenatural, mas nem todo evento sobrenatural constitui um milagre.

Publicado por: Pr. Alexandre R. de Souza
Bibliografia: Verdades Essenciais da Fé Cristã de R. C. Sproul/ Editora Cultura Cristã

Jó 38.1-41.34; Daniel 4.34-35; Atos 2.22-24; Romanos 11.33-36

O Significado fundamental da palavra providência é “ver antes ou com antecedência“, ou “prover algo para“. Com tais sentidos, a palavra fica longe de conseguir cobrir o profundo signifcado da doutrina da providência, a qual significa muito mais do que Deus ser um espectador dos eventos humanos. Contém muito mais do que uma mera referência à presciência de Deus.
A confissão de Fé de Westminster, feita no século XVII, definia providência da seguinte maneira:
Pela mui sábia providência, segundo a sua infalível presciência e o livre e imutável conselho de sua própria vontade, Deus, o grande Criador de todas as coisas, para o louvor da glória de sua sabedoria, poder, justiça, bondade e misericórdia, sustenta, dirige, dispõe e governa todas as criaturas, todas as ações delas e todas as coisas, desde a maior até à menor” (Cap.VI).
Aquilo que Deus cria, ele também sustenta. O universo não só depende de Deus para sua origem, mas depende dele também para continuar existindo. O universo não pode existir nem operar por seu próprio poder. Deus sustenta todas as coisas por seu poder. Nele nós vivemos, nos movemos e existimos.
O ponto central da doutrina da providência é a ênfase no governo de Deus sobre o universo. Ele governa sua criação com absoluta soberania e autoridade. Ele governa tudo aquilo que acontece, desde os maiores eventos até os menores. Nada jamais acontece além do âmbito do seu governo soberano e providencial. Ele faz a chuava cair e o sol brilhar. Levanta e derruba reinos. Ele conta os cabelos da nossa cabeça e os dias da nossa vida.
Existe uma diferença fundamental entre a providência de Deus e fortuna, destino ou sorte. A chave para esta diferença está no caráter pessoal de Deus. A fortuna é cega, enquanto Deus vê todas as coisas. O destino é impessoal enquanto Deus é nosso Pai. A sorte é muda enquanto Deus pode falar. Não existem forças cegas e impessoais operando na história humana. Tudo se passa por meio da mão invisível da providência de Deus.
Num universo governado por Deus não existem eventos casuais. De fato, não existe algo como acaso. O acaso não existe. Não passa de uma palavra que usamos para descrever possibilidades matemáticas, mas que não tem nenhum poder em si, porque não tem existência. O acaso não é uma entidade capaz de influenciar a realidade. Acaso não é algo real. Não é nada.
Outro aspecto da providência chama-se concorrência. Concorrência refere-se às ações conjuntas de Deus e seres humanos. Somos criaturas com vontade própria. Fazemos coisas acontecerem. Mesmo assim, o poder causal que exercemos é secundário. A soberba providência de Deus está acima e além das nossas ações. Ele opera sua vontade por meio das ações da vontade humana, sem violar a liberdade dessa vontade humana. O exemplo mais claro de concorrência encontrado nas Escrituras é o caso de José e seus irmãos. Apesar de os irmãos de José serem verdadeiramente culpados pela traição que fizeram contra ele, a providência de Deus estava operando até mesmo através do pecado deles. Jose disse aos irmãos: “Vós, na verdade, intentastes o mal contra mim; porém Deus o tornou em bem, para fazer, como vedes agora, que se conserve muita gente em vida” (Gn 50.20).
A providência redentora de Deus pode operar através das ações mais diabólicas. A pior ofensa que já foi cometida por um ser humano foi a traição de Jesus Cristo por Judas Iscariotes. Mesmo assim, a morte de Cristo não foi um acidente na História. Aconteceu de acordo com o conselho determinado por Deus. O ato de perversidade de Judas ajudou a promover a melhor coisa que já aconteceu na História, a Expiação. Não é fortuito quando nos referimos àquele dia histórico como sexta-feira “santa”.
Esboço:
  1. A providência inclui a obra de Deus em sustentar sua criação.
  2. A providência se refere principalmente ao governo de Deus sobre a criação.
  3. À luz da providência divina, não existem forças impessoais tais como fortuna, destino ou acaso.
  4. A providência inclui a concorrência, por meio da qual Deus opera sua vontade divina por intermédio da vontade de suas criaturas.

Publicado por: Pr. Alexandre R. de Souza

Bibliografia: Verdades Essenciais da Fé Cristã de R. C. Sproul/ Editora Cultura Cristã

Textos: Gênesis 1; Salmo 33.19; Salmo 104.24-26; Jeremias 10.1-16; Hebreus 11.3
Todas as coisas têm um início no tempo e no espaço. A casa onde moramos teve um início. As roupas que vestimos tiveram um início. Houve um tempo em que nossas casas, nossas roupas, carros, máquinas de lavar não existiam; nem nós mesmos existíamos. Essas coisas não eram. Nada pode ser mais óbvio.

Estamos cercados por coisas e pessoas que obviamente tiveram um início e por isso somos tentados a pular para a conclusão de que tudo teve um início. Tal conclusão, entretanto, seria um salto fatal no abismo do absurdo. Seria fatal para a religião. Também seria fatal para a ciência e para a razão.

Por quê? Não dissemos que todas as coisas no tempo e no espaço tiveram um início? Não seria o mesmo dizer simplesmente que tudo teve um início? De maneira alguma. Lógica e cientificamente é simplesmente impossível que todas as coisas tenham tido um início. Por quê? Se tudo o que existe um dia teve um início, então teria havido um tempo em que nada existia.
Pare por um momento e reflita. Tente imaginar a existência de nada. Absolutamente nada. Nem mesmo podemos conceber a existência de absolutamente nada. O próprio conceito é meramente a negação de alguma coisa.

Se já houve, porém, um tempo em que absolutamente nada existia, o que haveria agora? Certo. Nada! Se já houve um tempo em que não havia nada então, pela lógica irresistível essa situação deveria persistir e continuaria sempre a não existir nada. Não haveria nem mesmo o “sempre” durante o qual nada existiria.

Por que podemos estar certos, ou melhor, absolutamente certos de que se já houve um tempo em que não havia nada, então hoje deveria continuar não existindo nada? A resposta é espantosamente simples, a despeito do fato de que pessoas extremamente inteligentes às vezes tropeçam no óbvio. A resposta é simples porque você não pode obter algo a partir de nada. Uma lei absoluta da ciência e da lógica diz que “a partir do nada, nada procede”. O nada não pode produzir coisa alguma. Nada não pode rir, cantar, chorar, trabalhar, dançar ou respirar. O nada certamente não pode criar. O nada não pode fazer nada porque ele é nada. Ele não existe. O nada não tem nenhum poder porque não tem existência.

Para que alguma coisa procedesse do nada, teria de possuir o poder da autocriação. Teria de ser capaz de criar a si próprio ou trazer a si próprio à existência. Isso, porém, é um completo absurdo. Para que alguma coisa criasse ou produzisse a si própria teria de ser antes de existir. Entretanto, se algo já existe, não tem necessidade de ser criado. Para criar a si próprio, algo teria de ser e teria de não ser, existir e não existir ao mesmo tempo e no mesmo contexto. Isso é uma contradição. Essa idéia viola uma das mais fundamentais de todas as leis da razão e da ciência – a lei da não-contradição.

Se sabemos alguma coisa, então sabemos que, se as coisas existem hoje, então de alguma maneira, em algum lugar, algo não teve início. Sabemos de brilhantes pensadores, como Bertrand Russell, o qual em seu famoso debate com Frederick Copelston argumentou que o presente universo é o resultado de uma “série infinita de causas finitas”. Isso coloca uma série sucessiva de eventos, um causando o outro, operando retrospectivamente para sempre na eternidade. Essa idéia simplesmente dá uma dimensão infinita ao problema da autocriação. É um conceito fundamentalmente absurdo. O fato de que ele tenha sido proposto por sábios não o torna menos absurdo. É pior do que absurdo. Absurdos podem ser reais. Esse conceito, porém, pela lógica é impossível.

Russell pode negar a lei de que nada procede do nada, mas não pode refutá-la sem cometer suicídio mental. Sabemos (com base na lógica) que , se as coisas existem hoje, então deve ter havido algo que não teve início. A pergunta então é: o quê ou quem seria?
Muitos estudiosos sérios acreditam que a resposta para esse o quê é encontrada dentro do próprio universo. Argumentam (como Carl Sagan fez) que não é necessário ir acima ou além do universo para encontrar algo que não teve início e do qual todas as outras coisas procederam.
Quer dizer, não precisamos supor algo como “Deus” que é transcendente ao universo.

O universo, ou algo dentro dele pode fazer muito bem o trabalho por si mesmo.
Existe um erro sutil se movendo furtivamente no cenário apresentado acima. Esse erro tem a ver com o significado do termo transcendente. Na filosofia e na teologia, a idéia de transcendência significa que Deus está “acima e além” do universo, no sentido em que ele pertence a uma ordem mais elevada do que os outros seres. Geralmente nos referimos a Deus como o Ser supremo.

O que torna o Ser supremo diferente do ser humano? Note que ambos os conceitos têm uma palavra em comum – ser. Quando dizemos que Deus é o Ser supremo, queremos dizer que ele é um ser que difere em gênero dos outros seres comuns. Qual é exatamente essa diferença? Ele é chamado de supremo porque não tem início. Deus é supremo porque todos os outros seres lhe devem sua existência, e ele não deve sua existência a ninguém mais a não ser a si próprio. Ele é o Criador eterno. Todas as outras coisas são obra da sua criação.

Quando Carl Sagan e outros dizem que no universo – e não acima ou além dele – existe algo que não foi criado, estão meramente questionando de maneira evasiva sobre o endereço do Criador. Estão dizendo que aquilo que não foi criado vive aqui (dentro do universo) e não “lá fora” (acima ou transcendente ao universo). Mas essa idéia ainda requer um Ser supremo. Essa parte misteriosa do universo, do qual todas as coisas criadas procedem, ainda está acima e além de tudo na criação em termos de ser. Em outras palavras, ainda tem de existir um Ser transcendente.

Quanto mais pensamos nesse “Criador dentro do universo”, mais ele começa a soar como Deus. Ele cria tudo. Ele tem o poder de ser em si mesmo.
O que fica claro como cristal é que se algo existe agora, então tem de haver um Ser supremo do qual as outras coisas procedem. A primeira declaração da Bíblia é: “No princípio criou Deus o céu e a terra” (Gn 1.1). Esse texto é fundamental para todo o pensamento cristão. Não se trata apenas de uma declaração religiosa – é um conceito racionalmente necessário.

Esboço:

1. Tudo tem um início no tempo e no espaço.
2. Uma coisa não pode proceder do nada. O nada não pode produzir coisa alguma.
3. Se houve um tempo em que nada existia, então ndada deveria existir hoje.
4. Algo existe agora. Isso implica que existe algo que não teve início.
5. As coisas não podem criar a si próprios, porque teriam de existir antes de serem.
6. Se uma “parte” do universo não foi criada, então ela é superior ou transcendente às partes que tiveram início.
7. Um ser não criado é supremo (uma ordem mais elevada do que os seres criados), independentemente de onde ele vive.
8. Transcendência refere-se se ao nível do ser e não à localização geográfica.

publicado por: Pr. Alexandre R. de Souza

Bibliografia: Verdades Essenciais da Fé Cristã de R. C. Sproul/ Editora Cultura Cristã

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