Kerygma

Archive for the ‘Revelação’ Category

“Então, falou Deus todas estas palavras …”
(Êx 20.1)

Os seres humanos não foram criados autônomos (isto é, seres livres para seguirem sua própria lei), mas foram criados seres teônomos, ou seja, para estarem sujeitos à lei de Deus. Isso não constituía uma privação para o homem, porque Deus o criou de tal maneira que uma obediência agradecida poderia proporcionar-lhe a mais alta felicidade. Dever e prazer seriam coincidentes, como ocorreu com Jesus (Jo 4.34; cf. Sl 112.1; 119.14, 16, 47-48, 97-113, 127-128, 163-167). O coração humano decaído odeia a lei de Deus, tanto pelo fato de ser uma lei quanto por ela vir de Deus. Os que conhecem a Cristo, contudo, descobrem não só que amam a lei e querem guardá-la – tanto para agradarem a Deus e como gratidão pela graça (Rm 7.18-22; 12.1-2) – mas também que o Espírito Santo os conduz a um grau de obediência que nunca tiveram antes. (Rm 7.6; 8.4-6; Hb 10.16).

A lei moral de Deus está abundantemente exposta nas Escrituras, no Decálogo (Os Dez Mandamentos), em outros estatutos de Moisés, em sermões de profetas, no ensino de Jesus e nas cartas do Novo Testamento. A lei reflete o caráter de Deus e seu propósito para os seres humanos que criou. Deus ordena o comportamento que lhe agrade e proíbe aquilo que o ofende. Jesus resume a lei moral nos dois grandes mandamentos: o amor a Deus e o amor ao próximo (Mt 22.37-40). Ele diz que desses dois dependem todas as intruções morais do Antigo Testamento. O ensino moral de Cristo e de seus apóstolos é a velha lei aprofundada e reaplicada a novas circunstâncias, as da vida no Reino de Deus, onde o Salvador reina, e na era pós-pentecostes do Espírito, quando o povo de Deus é chamado a viver uma vida santificada no meio de um mundo hostil (Jo 17.6-19).

A lei bíblica é de várias espécies. As leis morais ordenam o comportamento pessoal e comunitário, que sempre são de nosso dever observar. As leis políticas do Antigo Testamento aplicavam princípios da lei moral à situação nacional de Israel, quando Israel era uma teocracia, como povo de Deus na terra. As leis do Antigo Testamento a respeito de purificação cerimonial, regime alimentar e sacrifícios eram estatutos temporários, com o objetivo de instruir o povo. Essas leis foram canceladas pelo Novo Testamento, porque o seu significado simbólico foi cumprido (Mt 15.20; Mc 7.15-19; At 10.9-16; Hb 10.1-14; 13.9-10).

A condição de leis morais, judiciais e rituais nos livros de Moisés comunicam a mensagem de que a vida sob a orientação de Deus não deve ser vista nem vivida em compartimentos, mas como uma unidade multifacetada. Comunicam também que a autoridade de Deus como legislador deu força igual a todo o código. Contudo, as leis eram de diferentes espécies e tinham diferentes propósitos. As leis políticas e cerimoniais tinham aplicação limitada, enquanto parece claro, tanto do contexto imediato quanto do ensino de Jesus, que a afirmação de Jesus a respeito da imutável força universal da lei se refere à lei moral como tal (Mt 5.17-19 cf. Lc 16.16-17).

Deus exige a total obediência de cada pessoa a todas as implicações de sua lei. Como diz o Catecismo Maior de Westminster, p.99: “A lei… obriga todos à plena conformidade do homem integral à retidão dela e à inteira obediência para sempare”; ” a lei é espiritual e, assim, se estende tanto ao entendimento, à vontade, às afeições e a todas as outras potências da alma, quanto às palavras, às obras e ao procedimento”. Em outras palavras, tanto os desejos quanto as ações devem ser retos. Jesus condena a hipocrisia que oculta a corrupção íntima com fingimentos exteriores (Mt 15.7-8; 23.25-28). Além disso, as decorrências da lei são parte de seu conteúdo: “onde um dever é ordenado, o pecado contrário é proibido; e, onde um pecado é proibido, o dever contrário é ordenado”.

Publicado por: Pr. Alexandre R. de Souza
Bibliografia: Bíblia de Genebra


Neemias 8.8; 2 Timóteo 2.15; 2 Timóteo 3.14-17; Hebreus 1.1-4; 2 Pedro 1.20-21

Dois dos grandes legados que recebemos da Reforma Protestante do século XVI, foram o princípio da interpretação pessoal da Bíblia e a sua trdução para a língua do povo. O próprio Lutero colocou em foco essas questões. Quando se apresentou diante da Dieta de Worms (um concílio no qual foi acusado de heresia por causa de seus ensinamentos) ele declarou:

A menos que eu seja convencido pela Escritura, minha consciência continuará cativa da Palavra de Deus – não aceito a autoridade de papas e concílios, porque se têm contraditado. Não posso nem quero retratar-me, porque ir contra a consciência não é certo nem seguro. Que Deus me ajude. Amém“.

A declaração de Lutero, e sua subsequente tradução da Bíblia para sua língua vernácula, tiveram dois efeitos. Primeiro, tirou da Igreja Católica Romana o direito exclusivo de interpretação. O povo não mais ficaria à mercê das doutrinas da igreja, tendo de aceitar as tradições ou ensino eclesiástico como tendo autoridade igual à da Palavra de Deus. Segundo, colocou a interpretação nas mãos do povo. Essa mudança foi mais problemática. Levou aos mesmos excessos sobre os quais a Igreja Romana estava envolvida – interpretações subjetivas do texto que levam ao afastamento da fé cristã histórica.

O subjetivismo tem sido o grande perigo da interpretação pessoal. O princípio da interpretação pessoal não significa que o povo de Deus tenha o direito de interpretar a Bíblia da maneira que bem entende. Juntamente com o “direito” de interpretar as Escrituras vem também a responsabilidade de interpretá-las corretamente. Os crentes têm liberdade de descobrir as verdades das Escrituras, mas não são livres para fabricar suas próprias verdades. São chamados para entender os sólidos princípios de interpretação e evitar os perigos do subjetivismo.

Portanto, buscar um entendimento objetivo das Escrituras de maneira nenhuma reduz a Bíblia a algo frio, abstrato e sem vida. O que estamos fazendo é buscar entender o que a Palavra diz em seu contexto antes de prosseguirmos para a tarefa igualmente necessária de aplicá-la à nossa vida. Uma declaração em particular pode ter numerosas aplicações pessoais possíveis, mas só pode ter um único significado correto. O direito de interpretar a Bíblia leva junto consigo a obrigação de interpretá-la com exatidão. A Bíblia não é um “nariz de cera” que pode ser moldado e assumir a forma desejada pelo intérprete.

Esboço:

  1. A Reforma Protestante deu à Igreja uma tradução da Bíblia na língua comum e a cada crente a responsabilidade de interpretar a Bíblia pessoalmente.
  2. A tradição da igreja, embora seja instrutiva como um guia, não tem autoridade igual à da Bíblia.
  3. A interpretação pessoal não equivale a uma licença para o subjetivismo.
  4. O princípio da interpretação pessoal não equivale a uma licença para o subjetivismo.
  5. O princípio da interpretação pessoal leva consigo a obrigação de buscar a interpretação correta da Bíblia.
  6. Embora cada texto bíblico tenha múltiplas aplicações, ele tem um único significado correto.

publicado por: Pr. Alexandre R. de Souza

Bibliografia: Verdades Essenciais da Fé Cristã de R. C. Sproul/ Editora Cultura Cristã

Textos: Atos 15.15-16; Efésios 4.11-16; 2 Pedro 1.16-21; 2 Pedro 3.14-18

Qualquer documento escrito, para poder ser compreendido, precisa ser interpretado. Com a Bíblia não é diferente, sobretudo, “A Bíblia é o seu próprio intérprete”. Esse princípio signifca que a Bíblia deve ser interpretada pela própria Bíblia. O que é obscuro em uma parte da Bíblia pode ser esclarecido em outra parte. Interpretar a Bíblia a pela Bíblia significa que não devemos colocar uma passagem contra outra. Cada texto deve ser entendido não somente à luz do seu contexto imediato, mas também à luz do contexto da Bíblia como um todo.

Além disso, entendido adequadamente, o único método legítimo e válido de interpretação da Bíblia é o da interpretação literal. Existe, contudo, muita confusão a respeito desse idéia de interpretação. Interpretação literal, estritamente falando, significa que devemos interpretar a Bíblia assim como está escrito. Um substantivo é interpretado como substantivo e um verbo, como um verbo. Quer dizer que todas as formas usadas na redação da Bíblia devem ser interpretadas de acordo com as regras normais que regem tais formas. Poesia deve ser tratada como poesia. Relatos históricos devem ser tratados como História. Parábolas como parábolas, hipérboles como hipérboles, e assim por diante.

Nesse aspecto, a Bíblia deve ser interpretada de acordo com as regras que governam a interpretação de qualquer outro livro. Em algumas de suas características, a Bíblia é diferente de qualquer outro livro. Em algumas de suas características, a Bíblia é diferente de qualquer outro livro que já foi escrito. Em termos de interpretação, entretanto, deve ser tratada como qualquer outro livro.

A Bíblia não deve ser interpretada de acordo com nossos próprios desejos e preconceitos. Devemos buscar entender o que ela de fato diz e nos guardarmos de forçar nossos próprios pontos de vista sobre ela. Este é o passatempo dos hereges: buscar base bíblica para doutrinas falsas que não têm base no texto. O próprio Satanás citou as Escrituras de maneira ilegítima, num esforço para seduzier Jesus Cristo a pecar (Mt 4.1-11).

A mensagem básica da Bíblia é simples e clara o suficiente para que até uma criança possa entender. Mesmo assim, o “alimento sólido” da Bíblia requer estudo e atenção cuidadosos para ser entendido adequadamente.

Existem alguns princípios de interpretação que são básicos para todo estudo saudável da Bíblia. Incluem o seguinte:

  • As narrativas devem ser interpretadas à luz das passagens de “ensino”. Por exemplo, a história de Abraão oferecendo Isaque no Monte Moriá pode sugerir que Deus não sabia que Abraão tinha uma fé genuína. As passagens didáticas da Bíblia, porém deixam claro que Deus é onisciente;
  • Aquilo que é implícito sempre deve ser interpretado à luz do que é explícito; nunca deve ser o contrário. Isto é, se um texto específico parece ter uma idéia ou lição implícita, não devemos aceitar a implicação como correta se for contrária a algo que é declarado explicitamente em outro lugar da Bíblia;
  • As leis da lógica governam a interpretação da Bíblia. Por exemplo, se sabemos que todos os gatos têm cauda, não podemos deduzier que alguns gatos não têm. Se é verdade que alguns gatos não têm cauda, então não pode ser verdade também que todos os gatos têm. Isso não é apenas uma questão de leis técnicas de inferência; é uma questão de senso comum. Mesmo assim, a grande maioria das interpretações equivocadas da Bíblia é causada por deduções ilegítimas extraídas da Bíblia.

Esboço:

  1. A Bíblia é sua própria intérprete.
  2. Devemos interpretar a Bíblia literalmente – assim como está escrito.
  3. A Bíblia deve ser interpretada como qualquer outro livro.
  4. Partes obscuras da Bíblia devem ser interpretadas pelas partes mais claras.
  5. O implícito deve ser interpretado à luz do explícito.
  6. As leis da lógica governam aquilo que pode ser racionalmente deduzido da Bíblia

Bibliografia: Verdades Essenciais da Fé Cristã de R. C. Sproul/ Editora Cultura Cristã

Textos: Êxodo 20.1-17; Salmos 115.3; Mateus 5.17-20; Romanos 7.7-25; Gálatas 3.23-29

Deus governa seu universo por meio de leis. A própria natureza opera sob seu governo providencial. As assim chamadas leis da natureza descrevem meramente a meneira normal de Deus estabelecer a ordem em seu universo. Essas “leis” são expressões da sua vontade soberana.

Deus não está sujeito a nenhuma lei fora de si mesmo. Não existe nenhuma regra cósmica independente a qual Deus seja obrigado a obedecer. Pelo contrário, Deus é a sua própria. Isso significa simplesmente que ele age de acordo com seu próprio caráter moral, o qual não só é moralmente perfeito, mas também é o padrão supremo da perfeição. Suas ações são perfeitas porque sua natureza é perfeita e ele sempre age de acordo com sua natureza. Portanto, Deus nunca é arbitrário, extravagante ou caprichoso. Ele sempre faz o que é certo.

Como criaturas de Deus, também se requer de nós que façamos o que é certo. Deus exige que vivamos segundo sua lei moral, a qual ele nos revelou na Bíblia. A lei de Deus é o padrão supremo de justiça e a norma suprema para se julgar o certo e o errado. Como nosso criador soberano, Deus tem autoridade para impor obrigações sobre nós, exigir nossa obediência e obrigar nossa consciência. Deus também tem o poder e o direito de punir a desobediência quando violamos sua lei.

Algumas leis na Bíblia são baseadas diretamente no caráter de Deus. Tais leis refletem os elementos transculturais e permanentes das relações divinas e humanas. Outras leis foram planejadas de acordo com condições temporárias da sociedade. Isso significa que algumas leis são absolutas e eternas, enquanto que outras podem ser anuladas por Deus por razões históricas, tais como as leis alimentares e cerimoniais de Israel. Somente o próprio Deus pode revogar tais leis. Os seres humanos em hipótese alguma têm a autoridade para anular as leis de Deus.

Não somos autônomos. Não podemos viver de acordo com nossas próprias leis. A condição moral da humanidade é de heteronomia: vivermos sujeitos à lei de outrem. A forma específica da heteronomia sob a qual vivemos é a teonomia, ou seja, a lei de Deus.

Esboço:
  1. Deus governa o universo por meio de leis.
  2. Deus tem a autoridade para impor obrigações sobre suas criaturas.
  3. Deus age de acordo com a lei do seu próprio caráter.
  4. Deus revela sua lei moral à nossa consciência e nas Escrituras.
  5. Somente Deus tem a autoridade para revogar suas leis.

publicado por: Pr. Alexandre R. de Souza

Bibliografia: Verdades Essenciais da Fé Cristã de R. C. Sproul/ Editora Cultura Cristã

Parte III
A REVELAÇÃO ESPECIAL E A BÍBLIA

Textos: Salmos 119; João 17.17; Tessalonicenses 2.13; 2 Timóteo 3.15-17; 2 Pedro 1.20-21

Quando foi tentado por Satanás no deserto, Jesus o repreendeu com as palavras: “Está escrito: Não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus” (Mt 4.4). Historicamente, a igreja tem feito ecoar o ensino de Jesus, afirmando que a Bíblia é a “voz de Deus”. Chamar a Bíblia de “a Palavra de Deus” não significa sugerir que ela foi escrita pela própria mão de Deus, ou que caiu do céu num pára-quedas. A própria Bíblia claramente chama a atenção para seus muitos autores humanos. Se a estudarmos cuidadosamente, percebemos que cada autor humano tem seu próprio estilo literário peculiar, seu próprio vocabulário, ênfase especial, perspectiva e outros aspectos.

A Bíblia é chamada de Palavra de Deus por causa da sua reivindicação, crida pela igreja, de que os escritores humanos não escreveram simplesmente suas próprias opiniões, mas que suas palavras foram inspiradas por Deus. Paulo escreve: “Toda Escritura é inspirada por Deus” (2 Tm 3.16).
A palavra inspiração é uma tradução da palavra grega que significa “sopro de Deus“. Quer dizer, Deus soprou a Bíblia. Assim como temos de expelir ar de nossa boca quando falamos, assim, em última análise, a Bíblia é Deus falando.

Embora a Bíblia tenha chegado a nós por intermédio das mãos de autores humanos, a fonte suprema das Escrituras é Deus. Por isso os profetas podiam dizer: “Assim diz o Senhor”. Por isso Jesus também podia dizer: “A tua palavra é a verdade” (Jo 17.17) e “a Escritura não pode falhar” (Jo 10.35).

A palavra inspiração também chama a atenção para o processo pelo qual o Espírito Santo superintendeu a produção da Bíblia. O Espírito guiou os autores humanos para que as palavras deles não fossem nada menos que a Palavra de Deus. Não sabemos como Deus superintendeu a redação original da Bíblia. Inspiração, entretanto, não significa que Deus ditou sua mensagem para aqueles que redigiram a Bíblia. Ao invés disso, o Espírito Santo comunicou as exatas palavras de Deus por intermédio dos escritores humanos.

Os cristãos afirmam a infalibilidade e a inerrância da Bíblia porque, em última análise, Deus é o seu autor. E porque Deus é incapaz de inspirar algo falso, sua palavra é totalmente verdadeira e digna de toda confiança. Qualquer literatura humana, elaborada pelos meios normais, está sujeita a erros. A Bíblia, porém, não é um projeto humano normal. Se a Bíblia foi inspirada por Deus e sua redação foi supervisionada por ele, então não pode ter erros.

Isso não significa que as traduções da Bíblia que temos hoje não estejam isentas de erro, mas que os manuscritos originais eram absolutamente corretos. Isso também não significa que cada declaração da Bíblia seja a expressão da verdade. O escritor do livro de Eclesiastes, por exemplo, declara que “no além para onde tu vais, não há obra, nem projetos, nem conhecimento, nem sabedoria alguma” (Ec 9.10). O escritor estava falando do ponto de vista do desespero humano e sabemos que esta declaração não expressa a verdade, de acordo com outros textos bíblicos. A Bíblia expressa a verdade até mesmo ao revelar a falsa argumentação de um homem desesperado.

Esboço:
  1. A inspiração é o processo por meio do qual Deus soprou sua palavra.
  2. Deus é a fonte suprema da Bíblia.
  3. Deus é o superintendente supremo da Bíblia.
  4. Somente os manuscritos originais da Bíblia eram isentos de erros.

publicado por: Pr. Alexandre R. de Souza

Bibliografia: Verdades Essenciais da Fé Cristã de R. C. Sproul/ Editora Cultura Cristã

Parte II
REVELAÇÃO DIVINA IMEDIATA E MEDIADA
Salmos 19.1-4; Atos 14.8-18; Atos 17.16-34; Romanos 1.18-23; Romanos 2.14-15

Na teologia bíblica podemos distinguir dois tipos de revelação geral: aquela que é comunicada por meio de um agente intermediário e aquela que é comunicada diretamente. Quando falamos de revelação geral mediada, nos referimos à revelação transmitida por meio de alguma coisa. Quando os céus revelam a Deus, tornam-se os mediadores, ou o meio pelo qual Deus manifesta sua glória. Neste sentido, todo o universo é um meio de revelação divina. A criação dá testemunho do seu Criador.

A Bíblia diz que toda terra está repleta da glória de Deus. Lamentavelmente, com frequêncis nós ignoramos essa glória que nos cerca. Estamos desatentos diante da maravilha que Deus nos proporciona em sua gloriosa criação. Estamos desligados e fora de contato. As idéias religiosas são inúteis se não expressam algo real.

A presença sublime de Deus está em toda a nossa volta. Ainda assim, muitas vezes estamos cegos e surdos para ela. Não compreendemos sua linguagem. Todos nós estamos em contato com a revelação divina, quando reconhecemos a glória de Deus na natureza. A natureza não é divina. A glória de Deus, entretanto, enche a natureza e é revelada nela e por meio dela.

Além de revelar sua glória indiretamente por meio da criação, Deus também se revela diretamente à mente humana. Essa é chamada revelação geral “imediada”.

Paulo fala da Lei de Deus escrita em nosso coração (Rm 2.12-16). Calvino sobre issso disse:
“Nós, inquestionavelmente, afirmamos que os homens têm em si mesmos certo senso da divindade; e isto, por um instinto natural. […] Deus mesmo dotou todos os homens com certo conhecimento de sua divindade, cuja memória ele constantemente renova e ocasionalmente amplia. (Institutas, II, 1, 43).

Todas as culturas atestam a presença de alguma atividade religiosa, confirmando a incrurável natureza religiosa da humanidade. Os seres humanos são religiosos no seu âmago. O caráter de tal religiosidade pode ser grosseiramente idólatra; mas até mesmo a idolatria, dá uma evidência desse conhecimento inato que pode ser distorcido, mas jamais destruído.

Lá bem no fundo da nossa alma nós sabemos que Deus existe e que nos deu suas Leis. Procuramos sufocar esse conhecimento a fim de escapar dos seus mandamentos. Por mais que nos esforcemos, porém, não podemos calar essa voz interior. Ela pode ser abafada, mas jamais ser destruída.

Esboço:

  1. A glória de Deus é evidente em toda a nossa volta. Ela é mediada pela criação de Deus
  2. Os seres humanos são religiosos por natureza;
  3. Deus implanta em todos os seres humanos um conhecimento inato de si mesmo. Isso se chama revelação geral imediata.

publicado por: Pr. Alexandre R. de Souza

Bibliografia: Verdades Essenciais da Fé Cristã de R. C. Sproul
Editora Cultura Cristã

Parte I
Salmo 19.1-14; Efésios 3.1-13; 2 Timóteo 3.14-17; Hebreus 1.1-4

Tudo o que sabemos sobre o Cristianismo nos foi revelado por Deus. Revelar significa “tirar o véu”. Tem a ver com remover a cobertura e descobrir algo que está encoberto.

Se queremos conhecer a Deus de verdade, temos de depender daquilo que ele revela sobre si mesmo em sua Palavra. A especulação fútil sobre Deus é mera tolice!

A Bíblia declara que Deus se revela de várias maneiras. Manifesta sua glória na natureza e por meio dela. Revelou-se nos tempos antigos por meio de sonhos e visões. As marcas da sua providência se manifestam nas páginas da História. Revela-se nas Escrituras inispiradas. O ponto mais alto da sua revelação é visualizado em Jesus Cristo, tornando-se ser humano

O autor da Carta aos Hebreus escreveu:
“Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo” (Hebreus 1.1-2).

Embora a Bíblia fale das “diversas maneiras” em que Deus se revela, distinguimos entre dois tipos de revelação – “a geral e a especial”.

Conteúdo geral
A revelação geral nos proporciona o conhecimento de que Deus existe. “O céus proclamam a glória de Deus”, dis o salmista. A glória de Deus é manifesta nas obras das suas mãos. Essa manifestação é tão clara e visível que nenhuma criatura pode deixar de percebê-la. Ela revela o poder eterno de Deus e sua divindade (Rm 1.18-23). A revelação na natureza, porém, não proporciona uma revelação plena de Deus, pois não nos fala sobre o Salvador que encoantramos na Bíblia.

Público geral

Nem todas as pessoas no mundo já leram a Bíblia ou ouviram a proclamação do Evangelho. A luz da natureza, porém, brilha sobre todos, em todos os lugares, em todo o tempo. A revelação geral de Deus acontece diariamente. Deus nunca fica sem um testemunho de si mesmo. O mundo visível é como um espelho que reflete a glória do seu Criador.

À luz da força da revelação geral, todo ser humano sabe que Deus existe. O ateísmo (grupo que
negam categoricamente a existência de Deus), envolve a negação total de algo que é reconhecido como verdadeiro. Por isso a Bíblia diz: “Diz o insensato no seu coração: não há Deus” (Sl 14.1).

Quando as Escrituras tratam tão severamente o ateu, chamando-o de “insensato”, elas estão fazendo um julgamento moral dele. Ser insensato, em termos bíblicos, não significa ter pouco entendimento ou falta de inteligência; é ser imoral. “Como o temor do Senhor é o princípio da sabedoria, assim a negação de Deus é o máximo da loucura”.

Semelhante, o agnóstico (grupo que afirmam ser impossível ao entendimento humano a compreensão e a comprovação dos fatos pertinentes a Deus), nega a validade da revelação geral. Não negam terminantemente a existência de Deus, pelo contrário, declaram que as evidências são insuficientes. À luz da clareza da revelação geral, entretanto, a posição do agnosticismo não é menos abominável para Deus do que a do ateísta.

Para qualquer pessoa, porém, cuja mente e coração estão abertos, a glória de Deus é maravilhosa de se ver – desde os bilhões de universos no firmamento, até as partículas subatômicas que formam a menor das moléculas. Que Deus incrível nós servimos!
Esboço
  1. O cristianismo é uma religião revelada.
  2. A revelação de Deus é uma auto-manifestação. Ele remove o véu que nos impede de conhecê-lo.
  3. Não podemos conhecer a Deus por meio de especulaçao.
  4. Deus se revelou de várias maneiras ao longo da História.
  5. A revelação geral é comunicada a todos os seres humanos.
  6. O ateísmo e o agnosticismo são baseados na negação daquilo que as pessoas sabem ser a verdade.
  7. A insensatez tem por fundamento a negação de Deus.
  8. A sabedoria tem por fundamento o temor de Deus.

publicado por: Pr. Alexandre R. de Souza

Bibliografia: Verdades Essenciais da Fé Cristã de R. C. Sproul/Editora Cultura Cristã


Sobre o Blog

"O propósito desta página é ajudar àqueles que amam a Deus e Sua Palavra, auxiliando todos os que estão envolvidos direto ou indiretamente em atividades ministeriais"

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