Kerygma

I. Leis sobre o sacrifício (1-7)
A. Instruções para os leigos (1.1-6.7)
1. A oferta queimada (1)
2. A oferta de cereais (2)
3. O sacrifício pacífico(3)
4. A oferta pelo pecado (4.1-5.13)
5. A oferta pela culpa (5.14-6.7)
B. Instruções para os sacerdotes (6.8-7.38)
1. A oferta queimada (6.8-13)
2. A oferta de cereais (6.14-23)
3. A oferta pelo pecado (6.24-30)
4. A oferta pela culpa (7.1-10)
5. O sacrifício pacífico (7.11-36)
6. Sumário (7.37-38)

II. A instituição do sacerdócio (8-10)

A. A consagração de Arão e seus filhos (8)
B. Os primeiros sacrifícios de Arão (9)
C. O julgamento dos filhos de Arão (10)

III. A impureza e o seu tratamento (11-16)

A. Animais impuros (11)
B. Nascimento de uma criança (12)
C. Doenças da pele (13-14)
D. Os fluxos do corpo (15)
E. O Dia da Expiação (16)

IV. A prática da santidade (17-27)

A. Sacrifício e alimento (17)
B. A conduta sexual (18)
C. Princípios de bom relacionamento com o próximo (19)
D. Crimes sujeitos à pena capital (20)
E. Impedimentos dos sacerdotes (21)
F. Regras e respeito dos sacrifícios (22)
G. Festas religiosas (23)
H. As lâmpadas e os pães do tabernáculo (24.1-9)
I. A blasfêmia (24.10-23)
J. Os anos de descanso (25)
L. A bênção e a maldição (26)
M. Regras a respeito dos votos e dos dízimos (27)

Bibliografia: Bíblia de Genebra

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Lucas 24.50-53; Romanos 8.34; Romanos 14.9-10; Efésios 4.7,8; Hebreus 9.23-28

A importância da Ascensão é frequentemente ignorada na Igreja moderna. Temos celebrações especiais e feriados para comemorar o nascimento (natal), a morte (Sexta-feira da Paixão) e a ressurreição de Cristo (Domingo de Páscoa). A maioria das igrejas, entretanto, faz pouca ou nenhuma menção da Ascensão. No entanto, a Ascensão é um evento de profunda importância no processo da redenção. Marca o momento do ponto mais elevado da exaltação de Cristo antes do seu retorno ao céu. Foi na Ascensão que Cristo entrou na sua glória.

Jesus descreveu sua partida desta terra como sendo melhor para nós do que sua presença permanente. Quando anunciou sua partida pela primeira vez aos discípulos, eles ficaram tristes com a notícia. Contudo, mais tarde compreenderam a importância deste grande evento. Lucas nos registra a Ascensão:

“Ditas estas palavras, foi Jesus elevado às alturas, à vista deles, e uma nuvem o encobriu dos seus olhos. E, estando eles com os olhos fitos no céu, enquanto Jesus subia, eis que dois varões vestidos de branco se puseram ao lado deles e lhes disseram: Varões galileus, por que estais olhando para as alturas? Esse Jesus que dentre vós foi assunto ao céu virá do modo como o viste subir“. Atos 1.9-11

Notamos que Jesus partiu numa nuvem. Provavelmente esta seja uma referência à Shekinah, a nuvem da glória de Deus. A Shekinah excede qualquer nuvem comum em radiância. Representa a manifestação visível da glória radiante de Deus. Portanto, a forma como Jesus partiu de maneira alguma foi comum. Foi um momento de explendor extraordinário.

Ascender significa “subir” ou “elevar”. Entretanto, quando o termo, ascensão, é usado com relação a Cristo, tem um significado mais profundo, mais rico e mais específico. A ascensão de Jesus foi um evento único. Vai além de Enoque sendo levado diretamente para o céu ou a partida do profeta Elias numa carruagem de fogo.

A ascensão de Jesus refere-se à sua ida para um lugar especial, com um propósito especial. Ele foi para o Pai, para sentar-se à direita dele. Foi elevado para a sede de autoridade cósmica. Jesus subiu ao céu para sua coroação, sua confirmação como Rei dos reis.

Jesus também ascendeu para entrar no Santo dos Santos celestial a fim de continuar sua obra como nosso grande Sumo Sacerdote. No céu ele governa como Rei e intercede por nós como nosso Sumo Sacerdote. Desta sua posição de autoridade elevada, ele derramou seu Espírito sobre a Igreja. João Calvino observa:

“Sendo elevado ao céu, ele retirou sua presença corpórea da nossa vista; isso não quer dizer que cessou de estar com seus seguidores, os quais ainda são peregrinos sobre a terra, mas significa que pode governar tanto o céu como a Terra mais imediatamente pelo seu poder”. (II, XVI, 14)

Quando Jesus ascendeu ao céu para sua coroação como Rei dos reis, assentou-se à mão direita de Deus. A destra de Deus é a sede de autoridade. Desta posição Jesus governa, administra seu reino e preside como Juiz do céu e da terra.

A destra do Pai, Jesus está sentado como a Cabeça do seu Corpo, a Igreja. No entanto, nesta posição, sua autoridade e jurisdição de governo e administração estendem-se para além da esfera da sua Igreja e engloba o mundo todo. Embora a Igreja e o Estado sejam distintos dentro do domínio de Cristo, nunca são separados ou divorciados. Sua autoridade estende-se sobre ambos. Todos os governos do mundo devem prestar contas a ele e serão julgados por ele em sua função de Rei dos reis e Senhor dos senhores.

Todos no céu e na terra são chamados por Deus para reverenciarem a majestade de Jesus, para serem governados por sua mão, para darem-lhe a honra devida e submeterem-se ao seu poder. Finalmente, todos estarão diante dele, quando ele assentar-se para o julgamento final.

Jesus tem autoridade para derramar seu Espírito Santo sobre a Igreja. Entretanto, ele só derramou seu Espírito depois que se sentou à destra de Deus. O Espírito ministra em subordinação ao Pai e ao Filho, os quais juntos o enviaram para aplicar a obra de salvação que Cristo adquiriu para os crentes.

Sentado à mão direita de Deus, Jesus não só exerce seu papel como Rei dos reis, mas também desempenha a função de juiz cósmico. Ele é o juiz sobre todas as nações e todas as pessoas. Embora Jesus governe como nosso juiz, ele foi designado por Deus para ser também nosso advogado. Ele é nosso defensor. No julgamento final, o advogado nomeado para nos defender será o próprio juiz que preside. Uma amostra da intercessão de Jesus em favor dos santos pode ser vista no martírio de Estêvão:

“Estevão, cheio do Espírito Santo, fitou os olhos no céu e viu a glória de Deus e Jesus que esta à direita, e disse: Eis que vejo os céus abertos e o Filho do homem em pé à destra de Deus!” Atos 7.55-56

Esboço:

  1. A Ascenção recebe pouquíssima atenção na Igreja moderna;
  2. A Ascensão marca um ponto extremamente importante da exaltação de Cristo na história da redenção;
  3. Cristo partiu numa nuvem de glória;
  4. Cristo ascendeu a um lugar específico, com um propósito específico: sua coroação como Rei dos reis;
  5. Em sua ascenção, Cristo tomou posse de sua função como Sumo Sacerdote celeste e está sentado à destra de Deus, a sede de autoridade cósmica;
  6. Desta posição à direita de Deus, Jesus autorizou o derramamento do Espírito Santo no Dia de Pentecostes;
  7. Em sua posição de autoridade, Jesus é o juiz sobre todos;
  8. Jesus também serve como o Advogado ou defensor em favor do seu povo.

Publicado por: Pr. Alexandre R. de Souza
Bibliografia: Verdades Essenciais da Fé Cristã de R. C. Sproul/ Editora Cultura Cristã


I. Deus liberta o seu povo: o êxodo (1.1-15.21)
A. Deus lembra-se com fidelidade de Israel (1-2)
B. Deus chama Moisés para libertar Israel (3.1-4.26)
C. O Faraó rejeita a exigência de Deus (4.27-7.13)
D. O julgamento de Deus contra o Egito (7.14-10.29)
E. Deus livra Israel do Egito (11.1-13.16)
F. Deus salva Israel no mar Vermelho (13.17-15.21)
II. Deus guia o seu povo: a provação no deserto (15.22-18.27)
A. De Mara até Elim: Deus traz cura (15.22-27)
B. Deserto de Sim: Deus provê alimento (16)
C. Refidim: Deus provê água (17.1-7)
D. Refidim: Deus provê proteção (17.8-16)
E. A montanha de Deus: Deus provê organização (18)
III. Deus e Israel fazem aliança (19-24)
A. Os preparativos para a aliança (19)
B. Deus proclama a aliança (20-23)
C. Israel ratifica a aliança (24)
IV. Deus revela o modelo do tabernáculo e seu ministério (25-31)
A. O tabernáculo, os átrios e os utensílios (25-27)
B. O ministério sacerdotal (28-30)
C. Artesãos para a construção do tabernáculo (31.1-11)
D. O sinal da aliança e as tábuas (31.12-18)
V. Rebelião, julgamento e restauração de Israel (32.1-34.35)
A. Culto idólatra de Israel (32.1-6)
B. Israel é punido por idolatria (32.7-29)
C. Deus ameaça retirar a sua presença de Israel (32.30-34.9)
D. Deus renova a sua aliança (34.10-35)
VI. Os artesãos de Israel preparam o tabernáculo (35-39)
A. Israel é admoestado a lembrar o sábado (35.1-3)
B. Ofertas voluntárias para o tabernáculo (35.4-29)
C. Artífices são chamados para iniciar a obra (35.30-36.17)
D. As cortinas, as tábuas e o véu são feitos (36.8-38)
E. Os utensílios são confeccionados (37.1-38.8)
F. Faz-se o átrio da congregação (38.9-20)
G. Sumário: relatório do tesoureiro (38.21-31)
H. As vestes sacerdotais são tecidas (39.1-31)
I. A obra é concluída (39.32-43)
VII. Os artesãos de Israel levantam o tabernáculo (40)
A. Instruções para levantar o tabernáculo (40.1-16)
B. Moisés supervisiona a montagem do tabernáculo (40.17-33)
C. A glória de Deus enche o tabernáculo (40.34-38)

Bibliografia: Bíblia de Genebra

Autor: No Novo Testamento, Jesus chama Êxodo de “o livro de Moisés” (Mc 12.26; cf. 7.10) e não há razões imperativas para a rejeição da autoria mosaica do livro. O título do livro “Êxodo”, deriva-se da palavra grega exodos (Lc 9.31), que significa “saída” ou “partida”. O livro recebe o seu nome a partir do evento central da saída do Egito, registrada nos primeiros quinze capítulos da obra.
Data e Ocasião: Assumindo a autoria mosaica de Êxodo, devemos datar o livro após o acontecimento do êxodo (c. 1450-1440 a.C.) e antes da morte de Moisés, próxima a 1406 a.C. De acordo com a datação abaixo, o nascimento de Moisés teria ocorrido durante o reinado de Tutmés I. Hatsepsute, a rainha viúva de Tutmés II, usou títulos masculinos e até mesmo uma barba quando reinou a partir de 1504-1483 a.C. Talvez fosse ela então o Faraó que já havia falecido quando Moisés retornou de Midiã ao Egito.

Êxodo prossegue com o relato do cumprimento da promessa de Deus a Abraão no sentido de abençoá-lo e dele fazer uma grande nação (Gn 12.2). O livro começa com a descida de Israel ao Egito (1.1-7), o que, em conexão com Gn 46.8-27, vincula o livro às narrativas de Gênesis. A obra termina com Israel no Sinai onde o tabernáculo é concluído. Os acontecimentos registrados no livro podem ser situados no seu contexto histórico, como veremos.

A ascensão de José ao poder (1.5), vincula-se melhor às condições favoráveis para a família de Jacó criadas pelo domínio do Egito pelos hicsos, que também eram semitas (c. 1700-1550 a.C.). A referência em 1.8 a um novo rei “que não conheceu José” refere-se, provavelmente, à expulsão dos hicsos pelo fundador da décima oitava dinastia, Ahmose I (1570-1546 a.C.). Datando o Êxodo em torno de 1450-1440 a.C. (Dificuldades de Interpretação, abaixo), o Faraó da opressão provavelmente foi Tutmés I (1526-1512 a.C.), enquanto o Faraó do Êxodo teria sido Tutmés III (1504-1450 a.C.) ou Amenotepe II (1450-1425 a.C.). Esta datação permitiria uma possível identificação dos imigrantes israelitas com os habiru, um grupo mencionado nas cartas de Tell el-Amarna (correspondência entre o Egito e os seus vassalos siro-palestinos durante o século XIV a.C.). Os habiru eram uma classe social ou ocupacional comumente atestada em textos a partir de 2000 a.C. Eles tornaram-se párias políticos na Palestina (Gn 14.13).

A preservação por escrito das palavras da aliança de Deus tem importância central para a teologia de Êxodo. Deus não apenas verbaliza as suas palavras ao seu povo reunido no Sinai. Ele também lhes dá os seus Dez Mandamentos por escrito, “escritas pelo dedo de Deus” em tábuas de pedras (31.18; cf. 32.15-16; 34.1,28). Os termos da aliança foram apresentados de forma mais detalhada pelo assim chamado “Livro da Aliança” (20.22-23.19), as palavras de Deus registradas por Moisés, o mediador da aliança de Deus (24.4, 7; 34.27).

A aliança do Sinai (19.1-20.21; cap. 24), assemelha-se, tanto na forma como no conteúdo, à forma dos tratados entre estados do segundo milênio a.C., especialmente os tratados entre os estados hititas. Esses tratados incluíam um preâmbulo (20.2), estipulações (20.3-17), ratificação (24.1-11), além de bênçãos e maldições. Uma cópia do tratado era muitas vezes guardada nos santuários e ambas as partes (p. ex., as duas tábuas de 31.18). Igualmente a semelhança do conteúdo das leis casuísticas dos caps. 21-23 em relação aos códigos do antigo Oriente Próximo (particularmente o Código de Hamurábi da Babilônia, em torno de 1750 a.C.) tem sido frequentemente observada.

Dificuldades de Interpretação: A data e a rota do Êxodo têm sido tópicos de considerável debate. A cronologia bíblica data o acontecimento do êxodo em 480 anos antes do reino de Salomão (1 Rs 6.1). Isto colocaria o evento próximo a 1440 a. C. Esta data é coerente com Jz 11.26, que declara haver decorrido trezentos anos desde a entrada de Israel em Canaã. A data próxima de 1440 a. C. é também apoiado por 12.40-41, onde a duração da permanência de Israel no Egito é de 430 anos. O Faraó do Êxodo seria então Tutmés III ou Amenotepe II.

Os defensores duma data bem mais tardia apelam para o nome “Ramsés” (ou “Ramessés”, Gn 47.11) como uma das cidades-celeiros construídas com o trabalho israelita (1.11). Ramsés II (1304-1236 a.C.) é considerado o Faraó do Êxodo, e a data aproximada é fixada em 1270 a.C. Afirma-se que essa interpretação é mais coerente com a arqueologia das cidades destruídas na Palestina e com a ausência de um assentamento mais antigo na Transjordânia ( a região oriental do rio Jordão e do mar Morto). Contudo, descobertas mais recentes na Transjordânia e uma nova avaliação da destruição de Jericó têm enfraquecido o argumento em favor de uma data tardia.

A rota do Êxodo começou em Ramessés. A sua localização exata é objeto de considerável debate, embora a moderna Qantir seja a localidade mais provável (Tel el-Dabá). Dali, os hebreus peregrinaram para o sul até Sucote (13.20). Aqui, aparentemente sem condições de continuar em frente, os hebreus desviaram-se para o norte (14.2). Três lugares são mencionados: Baal-Zefom, Migdol e Pi-Hairote. Baal-Zefom é associada com Tafnes, às margens do lago Menzaleh, um dos lagos de água salgada entre o Mediterrâneo e o Golfo de Suez. Havia três possíveis rotas de fuga para os israelitas. O “caminho da terra dos filisteus” (13.17), ligava o Egito a Canaã através de uma rota litorânea bastante fortificada. Um segundo itinerário, o caminho de Sur, começava próximo ao Wadi Tumilat, na região do Delta, indo em direção a Cades-Barnéia, e dali para Canaã. A muralha de Sur na fronteira do Egito pode ter sido um obstáculo real a essa alternativa. Ao conduzir o povo em direção sul, para a região da península do Sinai, o Senhor não somente os trouxe para a montanha que havia indicado a Moisés, mas também os afastou de possíveis contatos com os egípcios. O livramento através do mar pode ter acontecido numa extensão sul do lago Menzaleh.

A península do Sinai é um triângulo de terra medindo aproximadamente 240 Km de leste a oeste no extremo norte e 420 Km ao longo dos outros dois lados. Dois braços do mar Vermelho, os golfos de Suez e de Ácaba, são os seus limites longitudinais. Os hebreus dirigiram-se ao sul ao longo da costa ocidental do Sinai. As águas amargas de Mara (15.22-25) são, normalmente, identificadas com Ain Hawarah (em torno de 70 Km ao sul da extremidade do golfo de Suez), porém Ain Musa pode ser a localidade correta. Elim, com as suas diversas fontes e árvores, tem sido identificada com Wadi Gharandel, o acampamento junto ao mar Vermelho (Nm 33.10), cerca de 11 Km ao sul de Ain Hawarah. O deserto de Sim seria melhor identificado com Debet er-Ramleh, uma planície arenosa ao longo do limite do planalto do Sinai. Se a localização tradicional do Monte Sinai como o atual Jebel Musa estiver correta, Israel teria então se afastado da costa por um série de vales até o Jebel Musa, viajando através do deserto de Refidim, onde eles lutaram contra os Amalequitas (17.8-16). Refidim foi o último local de acampamento no deserto do Sinai antes de chegarem à montanha sagrada. Depois, prosseguiram até o Monte Siani (Cap. 19), onde receberam a lei.

Características e Temas: Diversos temas importantes destacam-se em Êxodo. Primeiro, o livro conta como o Senhor libertou Israel do Egito para cumprir a sua aliança com os pais. Um segundo elemento importante do livro é a revelação da aliança no Sinai, que especificou os termos do relacionamento entre o Deus santo e o seu povo. O terceiro tema deriva dos dois primeiros e é sua consumação: trata-se do restabelecimento da morada de Deus com o ser humano. Cada um desses temas envolve um triunfo da graça divina: Deus resgatou o seu povo de forma poderosa da escravidão no Egito, revelou-se de forma estrondosa no Sinai, e manifestou a sua graciosa condescendência ao habitar no tabernáculo em meio ao seu povo pecador. O desdobramento desses temas também revela a santidade e a graça do Senhor na sua lei da aliança e no simbolismo cerimonial da vida e do culto de Israel.

Crucial para a narrativa é o papel de Moisés como o mediador entre Deus e o homem. Como servo escolhido de Deus, Moisés é o mediador do juízo contra o Egito e aquele por meio de quem Deus liberta Israel. Através de Moisés, Deus dá a sua revelação no Sinai. Como um pastor, Moisés também guia o povo através do deserto até a Terra Prometida. Ele intercede em favor do povo e, por meio dele, Deus provê alimento e água. Mas o papel de Moisés na história da redenção aponta diretamente para Cristo, o Mediador da nova aliança (Dt 18.15). A revelação que Moisés recebe do nome de Deus que é grande “em misericórdia e fidelidade” (34.6), justifica a construção do tabernáculo, porém esta descrição do Senhor aponta para a frente, para a vinda do verdadeiro tabernáculo, o Cristo encarnado, o grande Servo do Senhor (Jo 1.14,17; Hb3.1-6)

A lei de Deus revela a sua natureza santa e requer santidade do povo entre o qual Deus irá habitar. As regulamentações cerimoniais para a vida e culto de Israel (caps. 25-31; 35-40), assinalam a separação de Israel como povo em cujo meio Deus vive e governa, demonstrando o seu reino perante as nações.

Além da descrição dos acontecimentos históricos por meio dos quais Israel foi libertado para tornar-se o povo de Deus, Êxodo também traz uma grande ilustração da obra salvífica de Deus através da história. O Deus salvador redime o seu povo escolhido dos poderes do mal, julga esses poderes e reivindica o seu povo como o seu primogênito, uma nação santa de sacerdotes em meio a qual ele habita pelo seu Espírito. O padrão da vitória divina sobre os inimigos, seguido pelo estabelecimento do lugar da habitação divina,é repetido na primeira e segunda vindas de Cristos (p. ex. Ef 2.14-22 e Ap 20.11-22.5).

O simbolismo encontrado em Êxodo torna-se realidade na nova aliança (Jr 31.31-34; Cl 2.17; Hb 10.1). O sngue aspergido do sacrifício de animais é agora substituído pelo sngue de Cristo (24.8; Mt 26.27-28; Hb 12.24; 1 Pe 1.2). A substituição simbólica do cordeiro da Páscoa é cumprida em Cristo, o Cordeiro de Deus, o nosso sacrifício pascal (Jo 1.29; 1 Co 5.7). O seu “êxodo” em Jerusalém (Lc 9.31), realiza a salvação do verdadeiro povo de Deus. O povo de Deus da nova aliança é unido a Jesus Cristo, em quem os gentios tornam-se o povo de Deus, membros da comunidade de Israel e concidadãos dos santos do Antigo Testamento (19.5-6; Ef 2.11-19). O significado pleno da descrição de Israel no Êxodo pode agora, pois, ser aplicado às igrejas dos gentios (1 Pe 2.9-10).

Bibliografia: Bíblia de Genebra

No Cristianismo estão o verdadeiro culto e serviço do verdadeiro Deus, Criador e Redentor da humanidade. É uma religião que descansa sobre revelação: ninguém conheceria a verdade a respeito de Deus, nem seria capaz de relacionar-se com ele de um modo pessoal, se Deus não tivesse primeiro agido para fazer-se conhecido. Porém Deus fez-se conhecido, e os sessenta e seis livros da Bíblia – trinta e nove escritos antes da vinda de Cristo e vinte e sete depois de Cristo – são, juntos, o registro, a interpretação e a expressão de sua auto-revelação. Deus e santidade são os temas que dão unidade à Bíblia.
De certo ponto de vista, as Escrituras são o fiel testemunho que os piedosos deram a respeito do Deus que eles amavam e a quem serviam; de outro ponto de vista – pelo fato de terem sido redigidas por meio de um exercício singular de supervisão divina, chamada de “inspiração” – eles constituem o testemunho e o ensino do próprio Deus, em linguagem humana. A Igreja ja dá a esses escritos o nome de “Palavra de Deus”, porque a autoria e conteúdo deles são de origem divina.

A certeza decisiva de que as Escrituras procedem de Deus e de que todas elas consistem inteiramente de sua sabedoria e verdade nos vem de Jesus Cristo e seus apóstolos, que ensinaram em seu nome. Jesus, Deus encarnado, considerou sua Bíblia (o nosso Antigo Testamento) como instrução escrita de seu Pai Celestial, que ele, não menos do que outros, precisava obedecer (Mt 4.4,7,10; 5.17-20; 19.4-6; 26.31,52-54; Lc 4.16-21; 16.17; 18.31-33; 22.37; 24.25-27,45-47; Jo 10.35) e que ele veio cumprir (Mt 26.24 e Jo 5.46). Paulo descreveu o Antigo Testamento como totalmente inspirado ou “soprado por Deus” – produto do Espírito de Deus, como também o é toda a criação (Sl 33.6; Gn 1.2) – e escrito para nossa instrução (Rm 15.4; 1 Co 10.11; 2Tm 3.15-17). Em sua segunda carta, 1.21, e em sua primeira carta, 1.10-12, Pedro afirma a origem divina do ensino bíblico. O mesmo faz o autor da Carta aos Hebreus, por sua maneira de citar as Escrituras (Hb 1.5-13; 3.7; 4.3; 10.5-7, 15-17; cf. At 4.4.25; 28.25-27).

Visto que o ensino dos apóstolos a respeito de Cristo é, em si mesmo, verdade revelada em palavras ensinadas por Deus (1 Co 2.12-13), a Igreja considera que o Novo Testamento – registro do testemunho apostólico – completa as Escrituras. Durante o próprio período do Novo Testamento, Pedro se refere às cartas de Paulo como Escrituras (2 Pe 3.15-16), e Paulo, aparentemene, chama o Evangelho de Lucas de Escrituras (1 Tm 5.18; cf. Lc 10.7).

A idéia de orientações escritas vindas do próprio Deus como base para a vida piedosa remonta à inscrição dos Dez Mandamentos sobre tábuas de pedra e à ordem dada a Moisés a que escrevesse as leis de Deus e a história do que Deus fez com o seu povo (Êx 32.15-16; 34.1,27-28; Nm 33.2; Dt 31.9). Assimilar essas leis e viver por elas foi sempre central à verdadeira devoção tanto para os líderes de Israel como para o povo (Js 1.7-8; 2 Rs 17.13; 22.8-13; 1 Cr 22.12-13; Ne 8; Sl 119), e o princípio de que tudo deve ser governado pelas Escrituras passou para o Cristianismo.

Aquilo que a Escritura diz Deus diz; pois, de um modo só comparável ao mistério mais profundo da Encarnação, a Bíblia é tanto plenamente humana como plenamente divina. Assim, todo o seu múltiplo conteúdo – histórias, profecias, poemas, cânticos, escritos de sabedoria, sermões, estatísticas, cartas e tudo o mais – deve ser recebido como procedente de Deus, e tudo aquilo que os escritos bíblicos ensinam deve ser reverenciado como instruções autorizadas da parte de Deus. Os cristãos devem ser gratos a Deus pelo dom de sua Palavra escrita e conscienciosos ao basearem sua fé e sua vida inteira e exclusivamente nela.

Bibliografia: Bíblia de Genebra

Mateus 17.1-9; Marcos 13.24-27; Hebreus 1.1-3; Apocalipse 22.4-5

Temos a tendência de pensar em glória como algo a ser atingido através de vitórias extraordinárias num esporte, de realizações comerciais ou por meio da fama pessoal. Na Bíblia, porém, glória tem a ver com o brilho radiante que emana da trancedente majestade de Deus. Em momentos cruciais, o esplendor da divindade de Jesus irrompeu de dentro do manto de sua humanidade.

A glória de Cristo talvez nunca tenha se tornado tão evidete quanto na Transfiguração. A palavra grega para transfiguração é metamorphoomai, da qual se deriva nossa palavra metamorfose. Denota uma mudança de forma, como, por, exemplo, a transformação que ocorre quando uma crisálida se transforma numa borboleta. O prefixo trans significa literalmente “através de”. Na transfiguração, um limite ou barreira foi transporta. Podemos chamar de cruzar a linha entre o natural e o sobrenatural, entre o humano e o divino. A transfiguração cruzou a fronteira das dimensões e entrou na esfera de Deus.

Na Transfiguração, uma luz radiante brilhou de Jesus. Essa luz foi a manifestação visível de que a barreira tinha realmente sido transporta. Existem algumas similaridades entre esta manifestação de glória e o brilho no rosto de Moisés quando retornou do monte Sinai com os Dez mandamentos. As diferenças, contudo, são significativas. A face de Moisés brilhou com glória refletida. Cristo não refletiu simplesmente o brilho da glória divina, mas sua glória é o resplendor da glória divina. Neste sentido, sua glória claramente transcende a glória refletida no rosto de Moisés.

Cristo, portanto, não refletiu uma luz, mas ele mesmo era a fonte da luz. A Transfiguração era uma mostra do que os cristãos iriam experimentar na Nova Jerusalém. Em Apocalipse 21.23, João explica que a cidade celestial não terá necessidade do sol ou da lua para iluminá-la. A glória de Deus a iluminará. O cordeiro será sua luz. João escreve: “Contemplarão a sua face, e na sua fronte está o nome dele. Então, já não haverá noite, nem precisam eles de luz de candeia, nem da luz do sol, porque o Senhor Deus brilhará sobre eles, e reinarão pelos séculos dos séculos” (Ap 22.4-5).

Não deveríamos ficar surpresos pelo fato de a glória de Cristo ter brilhado na Transfiguração. A surpresa deveria ser pelo fato de que ele voluntariamente escondeu sua glória por amor dos seus filhos.

Esboço:

  1. A glória de Cristo se revelou na Transfiguração.
  2. A Transfiguração de Cristo foi uma mudança de forma e o transpor de natural para o sobrenatural.
  3. A glória de Cristo não é um simples reflexo da glória de Deus, mas a própria glória de Deus.

Publicado por: Pr. Alexandre R. de Souza
Bibliografia: Verdades Essenciais da Fé Cristã de R. C. Sproul/ Editora Cultura Cristã


DE JERUSALÉM AO BRASIL

Parte V



A Chegada do Evangelho ao Brasil



Os seguidores de Lutero e Calvino se espalharam imediatamente por toda a Europa. Dentro de poucos anos França, Países Baixos, Escócia e Inglaterra foram alcançados pelos pregadores do evangelho. A seguir os pregadores vieram para o continente americano. E assim o evangelho chegou também ao Brasil. A primeira tentativa de implantação da igreja evangélica em nosso país foi feita pelos franceses, que invadiram o Rio de Janeiro em 1557. Eles pretendiam fundar aqui uma colônia cujo nome seria França Antártica. O grupo era composto por católicos e huguenotes (nome dos presbiterianos franceses). A colônia devia caracterizar-se pela tolerância religiosa. Três pastores acompanhavam o grupo, com o objetivo de dar assistência religiosa aos colonos e pregar o evangelho aos nativos. A invasão fracassou e eles foram expulsos em 1567.



Uma segunda tentativa foi feita com os holandeses, que invadiram o nordeste de nosso país. Em 1624 uma esquadra holandesa chegou a Salvador, na Bahia, onde ficou até março de 1625. Expulsos da Bahia, os holandeses se organizaram e invadiram Pernambuco em 1630. Em 1654 eles foram definitivamente expulsos de nosso país, e as igrejas evangélicas que eles haviam implantado no nordeste desapareceram.



Apartir de 1808, com a abertura dos portos decretada por Dom João VI, começaram a chegar os imigrantes. Esse processo de imigração se intensificou a partir de 1850. Muitos desses imigrantes eram evangélicos, e vinham acompanhados de pastores para dar-lhes assistência religiosa. Mas o catolicismo era a religião oficial, e qualquer outra religião era proibida. Por isso, os pastores estavam proibidos de pregar aos brasileiros.



Em 1840 Dom Pedro II iniciou o seu reinado. O imperador era bastante liberal e assim houve uma abertura para a vinda de missionários para pregar aos brasileiros. O primeiro a chegar foi Robert R. Kalley, escocês, médico missionário. Ele chegou em 1855, procedente da Ilha da Madeira, onde havia enfrentado tremenda perseguição. A seguir chegou Ashbel Greem Simonton, missionário presbiteriano.



Simonton chegou ao Rio de Janeiro no dia 12 de agosto de 1859. Tinha apenas 26 anos de idade. Era formado pelo Seminário de Princeton e ordenado pastor pelo Presbitério de Carlisle. Embora tivesse estudado português em Nova York, Simonton não tinha domínio de nossa língua suficiente para pregar aos brasileiros. Por isso, enquanto aprendia melhor o português, ele se dedicava ao trabalho de evangelização dos estrangeiros que aqui residiam ou que por aqui passavam.



No dia 22 de abril de 1860, Simonton dirigiu o primeiro trabalho em português. Era uma escola dominical. A assistência total somava cinco pessoas: três crianças e duas moças. Dois anos depois, recebia os dois primeiros membros: um norte-americano e um português. Simonton faleceu em São Paulo, no dia 8 de dezembro de 1867. Mas o trabalho de evangelização e organização de igrejas continuou.



Os missionários metodistas chegaram em 1878; e os batistas em 1882. Felizmente, hoje a igreja evangélica está presente em todas as partes de nosso país.





CONCLUSÃO



“Edificarei a minha igreja” – disse Jesus – “e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16.18). Homens fraudulentos e a influência do mundo pagão desviaram a igreja dos ensinos de Jesus. Mas sempre existiram servos fiéis, que não se conformavam com o erro e clamavam por um reforma. Lutero deu início ao movimento vitorioso. Outros continuaram seu trabalho. E assim surgiu a igreja evangélica.

Cada igreja cristã é um lado visível da invisível Igreja de Cristo. Uma igreja local é uma organização eclesiástica. Como organização, ela necessita de princípios e normas para se conduzir. Mas a igreja é mais do que uma simples organização. Ela é um organismo. É o corpo de Cristo. “Ora vós sois corpo de Cristo; e, individualmente, membros desse corpo” (1 Co 12.27).

Jesus Cristo é a cabeça do corpo, da igreja. Por isso cada membro, como parte desse corpo, deve ser obediente ao Senhor Jesus Cristo.

Publicado por: Pr. Alexandre R. de Souza

Bibliografia: Fundamentos da Fé Cristã/Adão Carlos Nascimento/Editoa SOCEP

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"O propósito desta página é ajudar àqueles que amam a Deus e Sua Palavra, auxiliando todos os que estão envolvidos direto ou indiretamente em atividades ministeriais"

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